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Edição 281 Fevereiro de 2006
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| Descarte zero |
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Após dois anos de pesquisas, Petrobras define rota tecnológica
para reutilizar efluentes em sistemas de refrigeração.
Desafio agora será utilizar a água na geração
de vapor |
Qual a melhor opção tecnológica para transformar
o efluente em água com fins industriais? A resposta dependerá
da equação entre a qualidade e a destinação
do efluente. A Petrobras já encontrou a rota para reutilizar
os efluentes gerados em suas refinarias como água de reposição
para os sistemas de resfriamento. Agora está avaliando algumas
opções tecnológicas para viabilizar o reuso de
efluentes para a geração de vapor.
Inicialmente víamos como principal enfoque o reuso do
efluente em sistemas de resfriamento. Agora a demanda de água
será para a geração de vapor, então temos
que viabilizar um tratamento mais avançado, conta a engenheira
Vânia Junqueira Santiago, coordenadora do projeto Reuso de Efluentes
em Refinarias, desenvolvido pela Petrobras.
A iminente escassez da água vem introduzindo novas prioridades
nos planejamentos estratégicos das indústrias. Em várias
refinarias e plantas petroquímicas, a ordem é investir
para reduzir o consumo de água, melhorar o tratamento e até
transformar o efluente em água de reuso.
A Petrobras, por exemplo, constituiu um projeto de pesquisa
com a participação de 28 técnicos de várias
unidades e investiu mais de R$ 2 milhões para viabilizar
o reuso de efluentes nas refinarias. Nos desdobramentos da pesquisa,
outros R$ 9 milhões serão investidos na construção
de uma unidade protótipo, e R$ 6 milhões serão
alocados para a montagem de uma unidade móvel.
O processo teve início com a seleção de
tecnologias usadas para tratamento do efluente e reuso da água.
A tecnologia selecionada que gera qualidade de água para uso
em sistemas resfriamento foi a eletrodiálise reversa,
explica Vânia.
Uma unidade protótipo de eletrodiálise reversa (60 m³/h)
será instalada na Refinaria Gabriel Passos, para tratar parte
do efluente gerado na refinaria e que será utilizado no sistema
de refrigeração cativo da unidade de coque.
O projeto entra agora em uma segunda fase, para selecionar a rota
tecnológica que viabilize o uso do efluente no padrão
de qualidade para a geração de vapor. Uma unidade móvel
percorrerá várias refinarias, onde irá levantar
os parâmetros de qualidade do efluente e testar alternativas
para deionização.
Para geração de vapor, estamos fechando um estudo
de osmose reversa através do processo Hero, de High Efficiency
Reverse Osmosis, licenciado para a americana Aquatech. Essa tecnologia
foi desenvolvida para reuso, e se tivermos sucesso, não teríamos
tanto risco em estar instalando a osmose para reuso de efluente, caso
contrário, as resinas de troca iônica podem ser uma opção.
Excelência na gestão dos recursos hídricos
Reduzir o consumo de água e o descarte de efluentes tornou-se
um projeto prioritário para a Petrobras. A concepção
de excelência na questão hídrica passou
a ser a redução de impactos a partir da redução
de descarte de efluentes traduzido então em projetos
para viabilizar o reuso das águas utilizadas no processo industrial.
O grande desafio da Petrobras está na atuação
responsável baseada nos princípios da prevenção
e precaução, e neste contexto a tecnologia exerce um
papel fundamental para permitir a atuação da indústria
de petróleo em harmonia com o meio ambiente, afirma a
coordenadora do Programa Tecnológico de Meio Ambiente da Petrobras
Proamb, Thaís Murce.
O projeto Reuso de Efluentes teve início em 2001
com o levantamento das tecnologias utilizadas para o tratamento de
efluentes visando o reuso da água. Foram selecionados processos
de tratamento visando a remoção de sólidos, carga
orgânica e íons.
Unidades pilotos foram instaladas na Regap, visando verificar a adequação
dos processos aos efluentes de refinarias tanto do tratamento
primário quanto do secundário avaliar a qualidade
da água gerada sua adequação para as diferentes
demandas em uma refinaria e obter os parâmetros de processo
para o projeto de unidades industriais de tratamento de efluentes
visando o seu reuso.
Foram testadas tecnologias para remoção de sólidos
sistemas de clarificação avançada, filtros
de areia de alta taxa e membranas de ultra e microfiltração.
Para remoção de carga orgânica foi avaliado a
tecnologia de carvão ativado. Também avaliamos o bioreator
a membrana, com três diferentes fornecedores da tecnologia,
que empregam membranas diferentes. E as tecnologias de osmose e eletrodiálise
foram avaliadas para remoção de íons, conta
Vânia.
Esse projeto de pesquisa já viabilizou três projetos
de reuso de efluentes para as refinarias Revap, Repar e para Centro
de Pesquisas além da unidade protótipo eletrodiálise
reversa na Regap. Na Recap está em implantação
outro projeto de reuso de efluentes e aumento da disponibilidade de
água tratada o efluente, misturado à água
do rio Tamanduateí, passa por um sistema de lodos ativados
e por uma unidade de clarificação avançada.
O desafio de transformar o efluente em água industrial
O grande desafio para transformar o efluente em água com fins
industriais é a quantidade de sais contidos principalmente
na água de dessalgação do petróleo nacional.
Então, todo o tratamento deverá reduzir os íons
de cloreto de sódio o grande vilão dos sistemas
de resfriamento e de geração de vapor.
Após o sistema de tratamento convencional remoção
de óleo em separadores e flotadores e processo biológico
em lagoas, lodo ativado ou biodiscos o efluente deve passar
por sistema para remoção de sólidos biológicos
residuais e cloretos de sódio para ser reutilizado como água
de make-up das torres de resfriamento.
Para reduzir esse teor de íons da faixa de 500 ppm a
600 ppm para uma faixa abaixo dos 100 ppm os pesquisadores
da Petrobras avaliaram duas rotas: a osmose inversa e a eletrodiálise
reversa com vantagem para a segunda, que apresentou maior continuidade
operacional.
As duas unidades de testes eram alimentadas com o efluente da unidade
de microfiltração, após passar por um filtro
de carvão ativado nesta condição não
houve problemas de incrustração nas membranas de eletrodiálise,
mas na unidade de osmose inversa, indicados pelo aumento de pressão
e necessidade de freqüentes limpezas químicas. A engenheira
explica que o pré-tratamento para a eletrodiálise é
mais simples e mais barato do que o exigido para a osmose,
podendo ser utilizado um simples filtro de areia e dispensada a dosagem
de antiincrustrantes.
O emprego desses processos exige diferentes graus de pré-tratamento
para a remoção de sólidos suspensos e
compostos que possam causar incrustrações na membrana.
Como pré-tratamento foram avaliadas as tecnologias de filtração
em membranas de micro e ultrafiltração, filtração
em areia de alta taxa, sistemas de clarificação avançados
e filtração em carvão ativado.
Já para as novas estações de tratamento de efluentes
que serão construídas na Repar e na Revap, a Petrobras
introduziu uma rota alternativa que prevê a tecnologia
de biorreatores a membranas (MBR).
Trata-se de um novo processo biológico, que associa membranas
de ultrafiltração ao sistema de lodos ativados. A qualidade
da água é melhor, com um efluente isento de bactérias.
E qualquer que seja o processo posterior, já serão eliminadas
algumas etapas de pré-tratamento para remoção
de íons, conta Vânia.
O efluente do sistema de flotação passa por um filtro
para reduzir ainda mais o teor de óleo visando a proteção
das membranas. O resultado é uma água com melhor qualidade
do que a captada pela Regap na Lagoa de Ibirité.
O consumo de produtos químicos para minimizar os problemas
de corrosão e incrustração é menor. A
parte de incrustração foi uma surpresa: como temos o
efluente filtrado, isento de sólidos, é praticamente
ausente a incrustração. E com quantidade inferior de
cloreto, os problemas de corrosão também são
menores, ressalta a engenheira.
Próximo estágio
O projeto entra agora em uma segunda fase: selecionar a rota tecnológica
que viabilize o uso do efluente no padrão de qualidade para
a geração de vapor.
Uma planta piloto instalada na Replan irá avaliar a osmose
através do processo Hero High Efficiency Reverse Osmosis,
utilizada no tratamento de águas de baixa qualidade, que tem
como principal característica a remoção da dureza
pelo emprego de resinas catiônicas permitindo operar
a osmose inversa em pH elevado.
A pesquisa também contará com uma unidade móvel,
que percorrerá várias refinarias para levantar os parâmetros
de qualidade do efluente e testar alternativas para tratamento. Uma
carreta de 13 metros será equipada com tecnologias para pré-tratamento
como oxidação química com dióxido
de cloro ou ozônio, e remoção de sólidos
através de membrana ou filtro de areia comum ou polarizada
e processos de remoção de íons
eletrodiálise, osmose reversa, resinas de troca iônica.
Já executamos um projeto descritivo, e estaremos contratando
um projeto básico em março. Esperamos em um ano estar
com essa unidade pronta.
A linha de pesquisa não está fechada com a osmose inversa
devido a problemas ocorridos com formação de
biofilme, incrustração e perda de membrana.
Nessa unidade, teremos a opção de avaliar osmose
em paralelo com a eletrodiálise, as resinas de troca iônica
e uma nova tecnologia de eletrodeionização, que utiliza
a eletrodiálise com possibilidade de remoção
de sílica.
Próximo de fechar o ciclo, a Repar desenvolve um projeto para
reutilizar todo o efluente só restando o rejeito da
osmose. E na Regap, uma linha pesquisa o tratamento desses rejeitos
que seria o passo final para o descarte zero.
Estamos construindo um núcleo experimental na Regap que
estará avaliando tecnologias para minimização
e tratamento dos rejeitos, finaliza Vania. |
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