Edição 281 – Fevereiro de 2006

Recapacitar a torre aintiga ou instalar uma torre nova?
CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA AMPLIADA
Quando a indústria precisa expandir sua produção, depara-se com um dilema: o que fazer com sua estrutura de resfriamento de água? Será melhor recapacitar a torre já instalada? Ou seria mais adequado trocar o sistema por uma torre nova e mudar a tecnologia aplicada? A grande maioria das indústrias nacionais tende a recapacitar suas torres.

A recapacitação é uma obra que consiste em trocar os chamados “recheios ou enchimentos de contato”, visando a melhor eficiência do resfriamento. E, com isso, atender uma demanda de produção com rapidez e baixo investimento. Só que trocar o sistema por outro, com o uso de tecnologias mais avançadas, apesar de resultados favoráveis no quadro geral, é um custo que às vezes não está nas prioridades de investimento ou mesmo não cabe na planilha de gastos.

“O parque industrial está envelhecendo e tem muita coisa antiga que necessita de recapacitação”, avalia Eny Casetta, diretor da TRA. Ele calcula que uma torre bem conservada possa aumentar em até 80% sua potência e área instalada. Já Mara Cristina Russo, do setor de marketing da Alpina, líder de mercado, acha que não existem limites para a recapacitação – mas em alguns casos realmente não compensa, é melhor investir numa nova torre.

É o que acontece com o sistema de resfriamento de shoppings, que não costumam investir em manutenção, daí, “quando nos chamam, tem de trocar piso, paredes, ventiladores, enchimentos, bicos, e acaba não valendo a pena”, assegura Mara. “A torre não é equipamento de processo, é utilidade... O mercado não faz manutenção preventiva, prefere se preocupar com a unidade de processo produtivo”, revela o diretor da TRA.

As torres funcionam como facilitadores de energia, e todos seus procedimentos exigem cautela, pois qualquer falha pode comprometer seriamente a produção industrial. É essencialmente uma coluna de transferência de massa e calor, projetada de forma a permitir uma grande área de contato entre as duas correntes. Esse contato gera vapores, calor sensível e o resfriamento final. Os tipos de torres variam de natural ou mecânica, sendo induzida (ventilador para exaustão) ou forçada (ventilador para insuflar o ar), e conforme a direção dos fluxos do ar (contracorrente ou corrente cruzada).

Das mais de 200 torres de grande porte instaladas no Brasil, a maioria é de corrente cruzada, possuindo venezianas laterais e ventiladores mecânicos no topo. As outras torres são do tipo contracorrente, têm mecanismos mais modernos e melhor eficiência térmica, utilizando-se de ventiladores colocados no topo da torre ou na lateral, quando há tiragem forçada. Neste sistema, as venezianas ficam na base e o ar caminha contrário ao fluxo de água.

Nesse quadro, o serviço de melhoria das torres supre as necessidades das mais antigas em funcionamento, no caso de corrente cruzada. E nos novos projetos vale-se o tipo de água utilizado no processo industrial: se a água é de melhor qualidade, contracorrente; e nas mais contaminadas, a velha técnica de corrente cruzada; mas mesmo assim essa regra muda de empresa para empresa.

“Contracorrente vende mais”

“Contracorrente vende mais, porque a água melhorou, mas ainda se instala corrente cruzada. É a melhor solução para águas contaminadas”, assevera Eny, que vende os dois conceitos e triplicou seus feitos ano passado, faturando R$ 12 milhões.

Desde o segundo semestre de 2004, o Brasil está com o mercado aquecido de resfriamento de águas industriais, por causa de investimento intenso das termelétricas e refinarias vinculadas à Petrobras, das siderúrgicas adquiridas pelo grupo francês Arcelor e novas unidades de papel e celulose. “Quanto mais água fria no processo, maior a produção de derivados”, explica Casetta.

A Suzano Petroquímica, na planta de Mauá, foi uma empresa que investiu numa torre nova em fibra de vidro da Alpina e na tecnologia de contracorrente. “O uso da nova torre não trouxe grandes problemas, uma vez que se trata de equipamento de funcionamento simples e amplamente conhecido”, diz o engenheiro de processos da Suzano, Nestor Yoshida.

No local, a empresa já fazia uso de outro sistema de resfriamento, em madeira da Garcia & Bassi, que segue operando há 30 anos em corrente cruzada. “A torre antiga apresenta maior custo de manutenção e menor eficiência, e não se tornou interessante sua recapacitação”, explica Yoshida, que assume ter enfrentado dificuldades na interligação das duas torres: “Elas funcionam em paralelo, atendendo toda a planta, o que requer tratamento unificado”.

Na torre de madeira o desempenho seria inferior porque suas dimensões, infra-estrutura necessária e operacionalização são 30% maiores, e acaba arrastando água fora do processo, além de gerar somente 40% do resultado final. Sendo menor, a torre nova oferece mais contato da água quente com o ar frio, facilitando a redução de temperatura e tornando-a mais funcional.

Em contrapartida, a PQU nunca fez recapacitação das suas torres, que funcionam em corrente cruzada. As duas, no total, oferecem 28 mil m³/h, e uma delas prossegue há 32 anos trabalhando. O engenheiro da PQU Altino Alves Bento revela que as torres estão sob estudo da TRA, Vetor e Alpina para saber se existe alguma folga. Caso não seja possível a recapacitação delas, a petroquímica deve investir em outra torre para atender o aumento de produção de etileno, previsto para 2008.

“Se precisar crescer, só instalar mais módulos”

E produtos novos surgem para suprir a demanda e atender novos nichos, como é o caso do Hydro-Cooler, que trabalha em circuito fechado, em módulos, como uma colméia. No mercado desde junho de 2005, foi adaptado às necessidades brasileiras, e hoje está sendo exportado para a República Dominicana e Índia. “Se precisar crescer, é só instalar mais módulos”, explica Michael Suliman, gerente de desenvolvimento de produtos da Apema.

A concorrência ainda nem notou a presença desse produto. Mara Cristina, da Alpina, desconhece; e o diretor da TRA acredita que seu uso seja exclusivo de pequenas instalações. “Trabalho há doze anos com o produto, e nunca vi nenhuma limitação”, rebate Suliman, oferecendo o Hydro-Cooler para qualquer tamanho de planta.

“O que nos preocupa é 2007”

Segundo o diretor da TRA, a expectativa para 2006 é a mesma de 2005: “Estamos colhendo o que foi plantado no ano passado, mas o que nos preocupa é 2007, com reflexos de pós-eleição e Copa”. E o empresário desabafa: “O que faz empresas melhores é a continuidade, e passamos situações em que não houve investimento algum... Se a economia melhorasse 10%, cresceríamos quatro vezes mais”.
Assine já!

Na Edição impressa
Indústria de máquinas fatura R$ 55,9 bilhões em 2005
Lucro da Petrobras sobe 40% e alcança R$ 23,7 bilhões
Redução da demanda afeta resultados das petroquímicas
Petrobras inaugura empreendimentos no Norte Capixaba
Prêmio ODM Brasil destaca entidades que contribuem com as metas do milênio
Petrobras e MEC lançam programa que beneficiará 14 milhões de estudantes
Rhodia investe 11 milhões em projetos de Desenvolvimento Sustentável na Brasil
 

Todos os direitos reservados a Valete Editora Técnica Comercial Ltda. Tel.: (11) 6292-1838