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Edição 282 Março de 2006
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| Além dos 6 mil metros |
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| Tecnologia desenvolvida na Petrobras viabiliza imageamento em regiões
geologicamente complexas |
A Petrobras já colhe os frutos do investimento em tecnologias
para imageamento sísmico em regiões geologicamente complexas.
Uma conjugação de novas técnicas de processamento
e aquisição de dados conjugados com maior capacidade
dos computadores tem permitido à companhia compor a
imagem dessas estruturas. Há casos em que os geofísicos
concebiam determinadas estruturas e que foram totalmente revistos
após a utilização da técnica de migração
pré-empilhamento em profundidade no processamento de dados
sísmicos.
Em regiões onde há camadas de sal, os grandes contrastes
de impedâncias entre o sal e as rochas encaixantes fazem com
que os coeficientes de reflexão em suas interfaces sejam altos,
fazendo com que grande parte da energia emitida seja refletida
e pouca energia seja então transmitida para as camadas mais
profundas.
Hoje é possível trabalhar com técnicas como a
migração pré-empilhamento tanto em tempo
(PSTM) quanto em profundidade (PSDM) e algoritmos avançados
de filtragem e de inversão como estágios do fluxograma
convencional de processamento. Essa técnica de migração
pré-empilhamento em profundidade está sendo usada mais
regularmente no processamento de dados sísmicos adquiridos
nas bacias sedimentares brasileiras. A teoria que suporta a técnica
é antiga, mas, só recentemente, devido em grande parte
à evolução da capacidade computacional, passou
a ser utilizada, conta o gerente de Geofísica do Centro
de Pesquisas da Petrobras, Eduardo Lopes de Faria.
No Brasil, os principais estudos têm como foco a Bacia de Santos
mundo afora, os maiores investimentos em P&D ocorrem no
Golfo do México. Exxon Mobil e Chevron estão investindo
na busca de gás natural a uma profundidade recorde de 9,65
km o dobro das jazidas existentes no Golfo do México.
É naquela região que estão os principais dados
usados para amparar pesquisas de várias companhias. A Society
of Exploration Geophysicists SEG possui dados sintéticos
que simulam os problemas encontrados em regiões geologicamente
complexas e horizontes subsalinos.
O desafio
Os desafios de imagear um reservatório aumentam à medida
da sua profundidade. Em primeiro lugar porque, quanto mais profunda
estiver localizada a camada, mais espalhada será a energia
emitida como conseqüência, menor quantidade de energia
chegará a essas profundidades, e menor energia será
refletida. Pouca energia retorna à superfície, e, em
certos casos, não são registradas por serem menores
do que o nível de ruído da área ou do próprio
aparelho de registro.
Somado a isso, os geofísicos enfrentam o problema de perda
de energia seletiva: componentes de altas freqüências são
mais absorvidas do que as componentes de baixas freqüências
e o que retorna ao receptor, na maioria dos casos são
essas informações em baixa freqüência. Para
imagear uma camada, é necessário ter uma freqüência
alta o suficiente para enxergar essa camada. Quando a freqüência
é muito baixa e a velocidade de propagação do
meio é alta, o comprimento de onda é muito longo
e é como se a onda não enxergasse aquela camada,
explica Eduardo Faria.
Para agravar a questão, as bacias sedimentares brasileiras
apresentam estruturas irregulares principalmente pela presença
de domos salinos. Quando atinge essas interfaces, a energia que caminhava
em um determinado raio muda de direção. Essas
estruturas são um desafio para a geofísica. Quando encontra
camadas geologicamente movimentadas, como os domos salinos, a energia
acaba se refratando, e de uma certa forma iluminando mal o que está
abaixo dessas camadas.
A Bacia de Santos é o maior exemplo: o surgimento da camada
de sal está relacionado com a formação do Oceano
Atlântico que em determinada era geológica depositou
uma quantidade de sal, seguida pela deposição de rochas.
A pressão das rochas sobre a camada de sal resultou na formação
de domos salinos.
A rota tecnológica
Um recurso simples na tentativa de atenuar o problema do imageamento
com baixas energias indicaria o aumento da potência das fontes
de energia embora restrições ambientais pudessem
impedir essa opção.
A solução passaria, então, por avanços
na aquisição e pelo processamento dos dados. Em primeiro
lugar evoluem os parâmetros e os equipamentos para adquirir
dados sísmicos. Hoje os equipamentos de registro possuem um
range dinâmico maior, que permitem o registro mesmo de sinais
mais fracos. A forma como adquirimos os dados melhorou bastante.
Hoje é possível adquirir dados de baixa energia, mas
que trazem uma quantidade informação muito grande,
conta o geofísico.
Por outro lado, evolui também o processamento dos dados geofísicos
com a incorporação de algoritmos que tentam melhorar
a imagem em subsuperfície. A própria migração
pré-empilhamento, mais onerosa, tem apresentado resultados
promissores na tentativa de atenuar o problema do imageamento sísmico
em regiões complexas. Mesmo reprocessando dados mais
antigos conseguimos melhorar a imagem.
A Migração Pré-Empilhamento em profundidade consiste
em migrar um volume muito grande de dados antes de empilhá-los
ao contrário do que acontecia num processamento convencional
como uma forma de posicionar melhor os eventos registrados
na aquisição, quando acontece uma série de distorções
causadas pelas heterogeneidades nas camadas rochosas. O processamento
faz uma análise de todas as divergências no percurso
da onda e tenta corrigir para uma posição mais correta
entretanto, isso aumenta muito a necessidade de uma alta capacidade
computacional.
Com o avanço dos computadores, foi possível trabalhar
com algoritmos mais elaborados. E, hoje, a migração
pré-empilhamento em profundidade é o método mais
indicado para esse tipo de imageamento. Esse método dá
a melhor visão dos horizontes em profundidade, avalia
Eduardo Faria.
Não se trata, no entanto, do medicamento para todos os males:
além de ser computacionalmente mais intenso, o método
depende do conhecimento das propriedades físicas do meio para
fazer uma boa migração dos traços. O problema
não está somente na migração, mas também
em definir a geometria e as propriedades físicas do meio.
Os geofísicos têm usado a migração interativamente
para modelar o meio, o que gera questões tais como se
conhecermos o meio, faremos uma migração bem feita,
mas se houver um conhecimento do meio, para que migrar os dados?.
Entretanto, o conhecimento da geologia em sub-superfície será
sempre aproximado, validando o procedimento descrito como forma de
melhoria do imageamento geológico.
Métodos alternativos também têm surgido
como o empilhamento sísmico por superfície de reflexão
comum (CRS) que tentam melhorar a imagem sem a migração,
ou que trabalham em focalizar determinado evento. Outros métodos
podem trabalhar em conjunto. Novos algoritmos têm surgido para
melhorar a migração pré-empilhamento em profundidade,
finaliza o geofísico. |
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