 |
|
Edição 283 Abril de 2006
|
| Para não chorar o petróleo derramado |
|
|
| Nacionalização de sistemas para detecção
de vazamentos em dutos oferece novas alternativas para o mercado de
petróleo |
Anteriormente importadas, as tecnologias de detecção
de vazamentos já possuem modelos nacionalizados e estudo de
projetos 100% brasileiros.
Tecnologia on-line, desenvolvida nos Estados Unidos, o Sistema ALDS
recebeu, de 2001 até hoje, investimentos de R$ 2 milhões
para ser 100% nacionalizada pela Aselco.
Cientificamente, outros dois sistemas de detecção de
vazamentos estão em estágio avançado de estudos.
Um software é desenvolvido pela Escola de Engenharia de São
Carlos, da Universidade de São Paulo. O outro, testado em laboratório,
foi tese de mestrado no Cepetro, de Campinas ambos demandam
observações em campo antes do lançamento comercial.
A nacionalização de tecnologias é muito
interessante. Ter o suporte técnico mais próximo é
essencial, resume o engenheiro Renan Baptista, do Centro de
Pesquisas da Petrobras.
Investimentos de US$ 7 bilhões devem oferecer mais alternativas
ao transporte de óleos, gás, derivados e etanol no Brasil.
A Transpetro, braço logístico da Petrobras, planeja
aplicar o volume de recursos para construir seis mil quilômetros
de dutos até 2010 serão 34 mil quilômetros
novos no mundo em quatro anos. O mercado global de novos equipamentos
e manutenção de dutos movimentam US$ 50 bilhões
por ano.
Embora inclusa no quarto maior programa de construção
de dutos no mundo, a malha dutoviária brasileira apresenta
extensão pequena, 20 mil quilômetros. Os Estados Unidos
transportam produtos por 440 mil quilômetros de dutos. A Argentina
tem 28 mil quilômetros. A nossa malha é pequena
para as dimensões do Brasil, diz o diretor de Dutos e
Terminais da Transpetro, Marcelino Guedes.
Os recursos anunciados não abrangem apenas obras e construção
dos novos dutos: a instalação de sistemas capazes de
evitar desastres com hidrocarbonetos também está contemplada
nos investimentos. Não existe lei que obrigue este procedimento,
mas por iniciativa própria da Petrobras todos os dutos da empresa
já nascem equipados com sistemas de detecção
de vazamentos, comenta o engenheiro Renan Baptista.
Segundo o professor Celso Kazuyuki Morooka, coordenador do curso de
ciências e engenharia de Petróleo da Unicamp, acidentes
com dutos derivam principalmente de furos causados pela corrosão
do material de revestimento da tubulação. No mundo todo
há registros, além de desgaste, de outros fatores. Choque
com embarcações, falhas operacionais, variações
geológicas, e erro humano também podem desencadear derramamentos.
Para Baptista, a preocupação da Petrobras em evitar
vazamentos no Brasil é grande e já se manifesta há
muitos anos. Mas ganhou força após a criação
de um programa para o desenvolvimento e provisão de tecnologia
de dutos iniciado pelo Cenpes em 1997.
Desde então, relata Baptista, as principais posturas pró-ativas
vêm sendo engendradas, seja em dutos existentes, ou mesmo nos
projetos de novos dutos. A ênfase se dá na causa
do vazamento, especialmente nos domínios de corrosão,
integridade do duto como um todo (aqui incluídas as técnicas
de reabilitação), tecnologias de pigging, além
dos sistemas de detecção, localização
e quantificação de vazamentos e da automação
operacional de dutos como um todo.
O Brasil não dispõe de estatísticas precisas
sobre causas de acidentes com dutos. De acordo com a estatística
anual divulgada pelo Office of Pipeline Safety, do departamento
de transporte dos Estados Unidos, a maior causa de vazamentos em operações
norte-americanas oscila nos últimos cinco anos entre duas opções:
intervenção externa de terceiros, seja de forma desautorizada
(para furto de combustível, por exemplo), ou mesmo autorizada
(escavações em que não se conhece a posição
do duto); e corrosão, interna ou externa ao duto.
Baptista acredita que este levantamento de dados oferece informações
semelhantes a outras fontes européias e pode, respeitadas algumas
particularidades, ser extrapolado ao Brasil. Outras causas menores
seriam: movimentação de terreno; falha na soldagem;
falha na operação; e falha em equipamento ou sistema
de alívio.
Método de detecção
A fiscalização governamental rigorosa e o aumento da
consciência ecológica na opinião pública
motivaram interesse mais intenso em métodos para detecção
de vazamentos. É uma demanda do mercado, mas não
existe um método universal para detectar vazamentos em qualquer
duto, transportando qualquer fluído, em qualquer condição,
explica o engenheiro Júlio Alonso, diretor da Aselco Automação.
Segundo o engenheiro Renan Baptista, na maior parte das linhas de
dutos brasileiras são utilizados atualmente sistemas baseados
em balanços materiais, balanços materiais estatísticos
ou em análise da dispersão de dados calculados de pressão
e vazão contra dados medidos destas mesmas variáveis
operacionais.
Operam no mercado apenas duas tecnologias aplicadas para detectar
e localizar on-line e em tempo real vazamentos em dutos: Detecção
Acústica de Vazamento, com localização e técnicas
de modelagem de simulação computadorizada conhecida
como RTM (real time modeling); e técnicas de balanços
materiais, como o de massa.
Nos sistemas baseados em modelagem hidráulica (balanços
materiais), o sistema veste a instrumentação
convencional do duto. O processo observa dados em tempo real de pressão,
vazão, temperatura, e, no caso de polidutos, densidade, a partir
do sistema supervisório instalado na sala de operação.
O engenheiro do Cenpes, explica que, neste caso, se busca um software,
capaz de ler informações dos instrumentos
em tempo real, e inferir acerca da existência, localização
e quantificação de vazamentos. Cada cenário
requererá uma análise individualizada não havendo
uma regra geral para seleção deste software.
Para Baptista, a tecnologia de Balanço de Massa é um
dos sistemas aplicados pela Petrobras que apresentam melhor desempenho.
Mas para tal deve ser usada no cenário adequado,
sublinha.
Sob o termo Balanço de Massa existem várias soluções
baseadas em até três estimadores de estados muito diferentes
entre si (RTM - Real Time Model, RTTM Real
Time Transiente Model e SRTM Statistical Real Time
Model. As tecnologias são desenvolvidas também
de acordo com quatro algoritmos também distintos (VB
Volume Balance, CVB Compensated Volume Balance,
MCVB Modified Compensated Volume Balance e SPRT
Sequential Probability Ratio Test).
Cada combinação de algoritmo com estimador de estados
é adequada a um determinado cenário, variando de escoamento
monofásico líquido com baixo espaçamento entre
tomadas de medição. A Petrobras possui um exemplo de
inadequação de cenário. A tecnologia (MCVB),
inadequada a um cenário na Bacia de Campos, está sendo
substituída por outra, baseada no mesmo princípio geral
de modelagem hidráulica.
No caso da tecnologia acústica, todos os equipamentos são
proprietários, desde os sensores, até as estações
de campo, que realizam um primeiro nível de tratamento de sinal,
e mestra, responsável por detectar e localizar o vazamento
o sistema não oferece a funcionalidade de quantificação
de vazamentos. A virtude desta tecnologia está no fato
de poder ser usada em escoamento multifásico, uma vez que não
depende de medição de vazão, diz Renan
Baptista, da Petrobras.
Existem cinco variantes de tecnologias acústicas para detecção
de vazamentos em dutos conhecidas no mercado internacional. A Petrobras
utiliza apenas uma, o Sistema Acústico de Detecção
e Localização de Vazamentos para Dutos (ALDS), comercializada
pela Aselco Automação.
Nacionalização
Tecnologia on-line, desenvolvida nos Estados Unidos, o Sistema ALDS
recebeu, de 2001 até hoje, investimentos de R$ 2 milhões
para ser 100% nacionalizada pela Aselco. Neste ano, a empresa inicia
uma nova etapa do projeto, que prevê implementação
de melhorias, de acordo com necessidades identificadas entre os usuários
do sistema. A nacionalização de tecnologias
é muito interessante. Ter o suporte técnico mais próximo
é essencial, resume Baptista, da Petrobras.
Segundo o engenheiro Miguel DAvilla, do marketing da Aselco,
mais R$ 1 milhão será aplicado no desenvolvimento da
tecnologia em 2006 . Com o novo investimento, adicionar
mais recursos ao sistema com o objetivo de melhor atender as necessidades
de operação dos usuários.
O sistema ALDS identifica e localiza escoamentos indesejados por meio
da detecção de ondas acústicas causadas
pela ocorrência do próprio vazamento. As ondas são
captadas por sensores acústicos de alta sensibilidade
instalados no duto que está sendo monitorado. A Aselco garante
que o método pode ser aplicado a qualquer fluido, até
aos multifásicos. Dutos aéreos, subterrâneos ou
submarinos são capazes de receber instalações.
Os sensores acústicos instalados em pontos pré-definidos
no duto atuam como microfones e captam as ondas de som
originadas de eventuais vazamentos. Estas ondas acústicas
são processadas via unidade eletrônica local que analisa
os sinais recebidos, eliminando os ruídos espúrios normalmente
existentes no duto e enviando dados sobre o vazamento para uma unidade
central, na sala de controle, explica o engenheiro Alonso.
As freqüências auditivas captadas pelo homem estão
na faixa de 20 Hz à 20 kHz. A tecnologia ALDS opera com freqüências
subsônicas, abaixo de 1 (um) Hz. Segundo a Aselco, nessa faixa,
as ondas de som são sentidas por dezenas e até centenas
de quilômetros, por conterem muita energia. Através da
determinação dos tempos para a chegada das ondas de
pressão nos sensores, o sistema pode reconhecer a possibilidade
de vazamento e determinar a localização.
O sistema é equipado com um banco de dados de ruídos
que sustenta uma espécie de rede de filtros digitais para qualquer
ruído espúrio, característica que reduz a possibilidade
de alarmes falsos.
Alonso conta que a tecnologia permite também o fechamento automático
de válvulas de bloqueio, assim que o vazamento for identificado.
O sucesso de uma operação de detecção,
porém, depende do tempo de observação do vazamento.
Quanto mais rápido detectamos o vazamento menor será
o impacto ambiental e de riscos. O mais importante é
o tempo de resposta, o que podemos assumir menos do que
60 segundos.
A Petrobras testou a tecnologia em linhas brasileiras apenas de espaçamento
máximo de cerca de 20 km, e nível relativamente alto
de pressão mínima da linha: a partir de 4 ou 5 kgf/cm².
Segundo a empresa, o equipamento mostrou-se adequado para este cenário
-testes em espaçamentos maiores ainda não foram concluídos.
A periodicidade de manutenção de seus sensores
é semelhante àquela requerida por um transmissor de
pressão convencional (PT), ou seja é relativamente pequena,
observa Renan Baptista.
Cuidados na instalação
Em alguns casos, como o clássico exemplo do projeto NorthStar,
da BP, no Alaska, concluído em 2000, apenas uma tecnologia
de detecção não é suficiente houve
necessidade de combinação de equipamentos. O rigor da
autoridade ambiental impôs um requisito de desempenho do sistema
que só pôde ser atendido com a composição
de duas tecnologias: um balanço material acrescido de uma tecnologia
de sensoriamento externo de dispersão mássica.
Mas, para Renan Baptista, a combinação não é
uma estratégia geralmente recomendável. É uma
operação mais complexa. Serão duas culturas
a serem passadas ao operador, dois monitores na sala de controle ou
próximo a esta, dois conjuntos distintos de diferentes alarmes,
bem como duas formas distintas de identificação de alarmes
espúrios, dentre diversas outras características.
Para os especialistas, entretanto, a profusão de projetos para
detecção de vazamentos é salutar à atividade
petrolífera, mas a instalação isolada de um sistema
não é a única medida necessária. O sistema
requisita implantação gradativa, com vários testes
parciais de aceitação do equipamento, para garantir
o sucesso na detecção e a operacionalidade do método.
Outra necessidade é a administração de infra-estrutura
permanente de testes de simulados, para garantir a continuidade operacional
do equipamento. A empresa deverá considerar ainda o investimento
em recursos financeiros e humanos para contínuos ajustes e
melhorias do sistema. Todo cuidado é pouco, recomenda
Baptista. |
|
|
|
Na Edição
impressa |
| |
Vilões
e vítimas da segurança em eletricidade no Brasil |
| |
Presidente Lula
dá partida na produção de plataforma da
auto-suficiência |
| |
Áreas
inéditas serão ofertadas pela ANP |
| |
Uma nova tendênmcia
no mercado petroquímico: workshop dentro das companhias |
| |
Petrobras decide
manter em 10% participação na Braskem |
| |
Braskem adquire
controle integral da Politeno |
| |
Braskem assina
acordo com Pequivem para viabilizar complexo petroquímico
integrado na venezuela |
| |
Novo pólo
petroquímico nacional começa a ser desenhado |
| |
Benchmarks da
qualidade mostram como chegaram ao PNQ 2005 |
| |
Baseli inaugura
a nova planta de compostos de polipropileno no Brasil |
| |
Basf divulga
resultados de €2,4 bilhões |
| |
Suzano Petroquímica
faz parceria com fornecedores |
| |
Lucro da Dow
Brasil cresce 78% em 2005 |
| |
Petrobras construirá
petroquímica em perbambuco |
| |
Riopol renogocia
endividamento |
| |
Aumenta a produção
e vendas de resinas |
| |
Riopol inaugura
laboratório de desenvolvimento de produtos |
| |
Pólos
Films investe na produção de BOPP |
| |
Braskem: meta
é estar entre as dez melhores do mundo |
| |
Prêmio
Abiplast Design 2005 estimula inovação |
|
| |
|