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Edição 284 2006
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| Sustentáculo da produção nacional |
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| As boas perspectivas da Bacia de Campos incluem aumento da produção
por meio de novas descobertas e pelos esforços de revitalização
dos campos maduros. |
Por uma obra do destino, o campo de Albacora Leste, com a sua P-50,
virou o ícone da auto-suficiência brasileira na produção
de petróleo. Um prêmio à Bacia de Campos, que
sozinha responde por mais de 80% da produção nacional
de petróleo.
Decorridos quase 29 anos desde o início da extração
do petróleo, a área de 100 mil km² que vai de Arraial
do Cabo / RJ a Vitória / ES contém reservas que atualmente
estão em 10,8 bilhões, mas apresentam grande potencial
a ser explorado principalmente em horizontes mais profundos
e muito óleo a ser produzido através de
revitalização de campos que já ultrapassaram
seu pico de produção.
A Bacia de Campos será, ainda durante muitos anos, o
sustentáculo da auto-suficiência brasileira em petróleo,
comenta o gerente-geral da Unidade de Negócios Bacia de Campos
da Petrobras, Carlos Eugenio Melro da Ressureição.
Os números são a melhor demonstração de
que, por um bom período, a Bacia de Campos continuará
atraindo as maiores atenções da indústria do
petróleo: segundo a Agência Nacional do Petróleo,
só nos últimos anos houve dez declarações
de comercialidade na região 25% de todo o país.
Atualmente, 37 concessões são exploradas na região
sob dominio principalmente da Petrobras, mas também
das operadoras Encana, Devon, Repsol e Shell. Com base nos programas
exploratórios mínimos e nos planos de desenvolvimento,
deverão investir R$ 341 milhões só este ano.
Na avaliação do diretor da ANP, Newton Monteiro, a Bacia
de Campos está num estágio mais avançado em relação
as outras bacias brasileiras. Há muito mais conhecimento
acumulado sobre a Bacia de Campos do que sobre as Bacias de Santos
e do Espírito Santo. Começamos a trabalhar na Bacia
de Campos por volta de 1973. De lá para cá, temos cerca
de 30 campos de petróleo e vários operadores.
Na Bacia de Santos, apesar de operações realizadas no
final da década de 1970, as grandes descobertas só ocorreram
recentemente com o campo de Mexilhão. Mesmo as descobertas
realizadas no período dos Contratos de Risco, como é
o caso de Merluza, foram pequenas. Cenário semelhante
acontece no Espírito Santo: na parte sul, é uma extensão
da Bacia de Campos, e ao norte realmente se desenvolve uma nova província,
com óleo com outras características. Mas tudo em estágio
inicial de exploração não sabemos ainda
se elas terão destino igual à Bacia de Campos,
explica Newton Monteiro.
O momento nos permite afirmar apenas que a Bacia de Campos será
a protagonista de um cenário que se desenha para a próxima
década, com outras operadoras dividindo com a Petrobras a responsabilidade
de manter a produção acima de um milhão de barris
diários. |
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Muito óleo in place
Apesar de alguns campos localizados na Bacia de Campos já terem
ultrapassado seu pico de produção, os trabalhos desenvolvidos
pela Petrobras são bastante promissores. Para o futuro,
temos que explorar as novas fronteiras descobrir óleo
em lugar onde nunca foi descoberto e aumentar o fator de recuperação
dos campos mais antigos, avalia o geólogo Giuseppe Bacoccoli.
O especialista faz parte de uma corrente de geólogos que defendem
a idéia de que a Bacia tem grande potencial a ser explorado
principalmente nas camadas subsalinas. Seu argumento está
baseado na localização do gerador principal. Do
ponto de vista geológico, o que chama a atenção
na Bacia de Campos é que o principal gerador as rochas
que geraram todo aquele petróleo está abaixo
do sal. E para o petróleo subir, tem que passar através
de buracos na camada do sal, ou então através de falhas
que ligam os reservatórios superiores. Então supostamente
deve ter grandes quantidades de óleo armazenadas.
A vantagem em relação à Bacia de Santos
onde a Petrobras também tem encontrado reservatórios
no pré-sal é que os reservatórios carbonáticos
da Bacia de Campos são mais rasos a camada de sal está
situada, em média, a quatro mil metros de profundidade.Só
que explorar a essas profundidades não é tão
trivial: em primeiro lugar, o imageamento sísmico fica prejudicado
pela própria camada do sal. E o sal, nessas profundidades,
se comporta de uma maneira quase fluida, o que traz um risco de deslocar
e fechar o poço. Outra dificuldade é que, abaixo
do sal, se encontram pressões altas então é
necessário ter equipamentos de segurança para grandes
pressões, observa Bacoccoli.
Trata-se de uma operação mais complexa e cara
na Bacia de Santos, um poço chega a custar US$ 50 milhões
mas tem prêmios significativos.
A Petrobras tem feito descobertas em reservatórios do Membro
Quissamã, da Formação Macaé há
uma tendência deste óleo ser de melhor qualidade porque
estes reservatórios carbonáticos estão mais soterrados
que os reservatórios areníticos, o que preserva melhor
o óleo. A camada pré-sal, principalmente os reservatórios
das coquinas (rocha formada por acúmulo de conchas) já
é um tradicional produtor em alguns campos em águas
rasas, como Pampo e Linguado, e continua sendo um alvo que buscamos
nos poços exploratórios que perfuramos em águas
rasas e profundas, conta Carlos Eugênio.
Revitalização de campos antigos
Nos últimos anos, houve um declínio natural de produção
na área produtora mais antiga - que gerencialmente está
sob a jurisdição da UN-BC por um gap de implantação
de novos projetos, que foram repassados para a UN-RIO.
Mas não é correto classificar como madura a Bacia de
Campos. Atualmente, mesmo na área produtora mais antiga, há
uma tendência de reversão da curva de produção
e que se intensificará com a entrada dos novos projetos
em implantação, como a Fase 2 de Espadarte, Espadarte-22,
carbonatos de Congro, Bonito e Siri, Marlim 2010, Albacora, além
da revitalização da produção dos campos
antigos culminando com a produção de um milhão
de barris em 2010 somente na área sob a jurisdação
da UN-BC.
Como a Bacia de Campos tem reservas totais que guardam 10 bilhões
de barris, se conseguir recuperar mais 10% do óleo, consegue
mais 1 bilhão de barris, calcula Bacoccoli.
Decorridos quase 29 anos desde o início da extração
do petróleo, existem hoje 30 concessões que já
ultrapassaram o seu pico de produção. Iniciativas de
revitalização vêm sendo implementadas pela Petrobras
alinhadas ao Programa de Recuperação de Campos com Alto
Grau de Explotação Recage e ao Desafio 2010 da
UN-BC.
O programa Recage, direcionado a reverter o declínio de produção
dos campos maduros e a experiência acumulada pelos engenheiros
da companhia com esse tipo de trabalho vem sendo fundamentais para
aumentar a sobrevida dos campos em declínio na Bacia de Campos.
Entre as tecnologias aplicadas atualmente, a Sísmica 4D poços
multilaterais e sistemas submarinos de injeção de água
podem representar ganhos no fator de recuperação médio
que hoje se situa em torno de 30%.
Entre os resultados, Carlos Eugenio destaca a interpretação
de novos levantamentos petrofísicos e de sísmica 4D,
em andamento no Campo de Marlim o maior produtor da Petrobras
que terá grande importância no projeto de desenvolvimento
complementar. Em Albacora, as ações ligadas à
injeção de água nos reservatórios, que
contemplam inclusive o emprego de Sistemas Submarinos de Injeção,
permitirão o aumento da recuperação de petróleo.
No Campo de Bonito há um projeto piloto de produção
em reservatórios carbonáticos de baixa permeabilidade,
que prevê o uso de poços horizontais de longa extensão
e com multifraturamento seletivo. Nos reservatórios Siri, do
Campo de Badejo, está sendo priorizada a produção
e o escoamento de óleos pesados e extra-pesados. Além
disso, estão sendo realizados fóruns ou oficinas focalizados
em cada concessão madura, visando a identificação
de oportunidades de incremento do fator de recuperação
dos reservatórios. Em 2005 e 2006 já foram realizadas
as Oficinas dos campos de Vermelho, Espadarte e Marimbá, sendo
que a de Linguado está planejada para outubro de 2006,
comenta o gerente geral da UN-BC. |
Uma Bacia muito maior?
No final do ano passado, a Petrobras anunciou a descoberta de um novo
campo gigante, localizado no bloco BC-20, ao sul da Bacia de Campos.
Surpresa para quem acreditava que os reservatórios da Bacia
já estavam explorados o suficiente para não mais apresentar
grandes descobertas.
Apelidado de Papa-Terra, o campo tem reservas potenciais entre 700
milhões e um bilhão de barris de óleo equivalente
embora o campo possa reservar mais surpresas agradáveis.
Foi feito um plano de avaliação, e foi declarada
a comercialidade de uma parte. Mas ainda existe outro plano em avaliação,
que ainda não está pronto, conta o diretor da
ANP, Newton Monteiro.
Com base nos programas exploratórios mínimos e nos planos
de desenvolvimento informados pelas operadoras, a ANP calcula que
a região deverá receber R$ 341 milhões em investimentos,
só este ano. Para 2006 estão programados a perfuração
de 10 poços, e a aquisição de cerca de 860 km²
de sísmica 3D. É muito mais do que qualquer outra parte.
Em Santos, por exemplo, deverão ser perfurados um ou dois poços,
compara Newton Monteiro.
Só a Petrobras prevê investir US$ 15 bilhões entre
2006 e 2010 com destaque para a entrada em operação
das plataformas de Roncador (P-52 e P-54), de Marlim Sul (P-51) e
de Marlim Leste (P-53) ambas com capacidade de cerca de 180 mil barris
por dia, e de Jubarte (P-34), com 60 mil barris por dia.
Vamos perfurar em 2006 pelo menos em cinco poços exploratórios
e realizar um grande programa sísmico 3D sobre os sete blocos
adquiridos no bid 4, que compõem o BM-C-28, na porção
oeste vizinha à nossa área produtora, comenta
Carlos Eugenio.
Contra a Bacia, pesa o fato de que os novos grandes campos descobertos
estarem localizados em águas profundas e ultra-profundas, por
serem ainda pouco exploradas, mas propícias à ocorrência
de óleo mais pesado por ser mais suscetível a
biodegradação. Mas a depender da evolução
geológica das bacias é possível a ocorrência
também de óleo leve em águas profundas, como
por exemplo no Campo de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo,
que recentemente entrou em produção com óleo
de leve e altíssimas produções, destaca
o gerente geral da UN-BC.
A Petrobras projeta fechar 2006 com uma produção média
diária de 1.485 mil barris diários na Bacia de Campos
(83% da produção nacional). Em 2010, esse número
deverá estar em 1.817 mil barris diários (79% da produção
nacional).
A produção de gás também tem bons indicadores:
o índice de utilização do gás na Bacia
de Campos evoluiu de patamar de 67% para atuais 85% desde que a Petrobras
implantou o Programa de Otimização do Aproveitamento
do Gás que contempla o projeto Queima Zero. Estes
esforços iniciaram em 1997 e hoje consideramos que todas as
ações vinculadas ao projeto Queima Zero estão
concluídas. O fato de ainda termos um patamar de 15% de queima
no gás produzido da BC se deve essencialmente a três
pontos: a necessidade de manutenção de uma queima mínima
de gás nos nossos queimadores por questões de segurança;
queimas decorrentes de pré operação de novas
plataformas e; queimas decorrentes das eventuais operações
de restabelecimento da produção, finaliza Carlos
Eugênio. |
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