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Edição 285 2006
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| Novos materiais aprimoram tubos e caldeiraria |
| Vista interna da serpentina dos fornos:
altas temperaturas requer materiais resistentes |
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A indústria petroquímica vem ao longo dos anos trabalhando
em conjunto com seus fornecedores de tubos e caldeiraria, no entendimento
dos mecanismos de falhas destas aplicações e no desenvolvimento
de novos materiais para aumentar a segurança e a confiabilidade
dos processos.
No setor de tubos e caldeiraria, a tecnologia do uso de ligas metálicas
em sua composição proporcionou melhoria nas operações.
Como avanços tecnológicos surgiram os aços inox
duplex, os super duplex e a utilização de ligas com
introdução de alumínio nos aços refratários,
possibilitando atingir temperaturas de operação por
volta de 1100 ºC - neste caso uma aplicação específica
para os fornos de pirólise como o processo de fabricação
de tubos fundidos e centrifugados.
O uso de materiais especiais, tais como aço-duplex e
ligas de aço, contribuíram para uma revolução
tecnológica neste setor, podendo uma parede do tubo atingir
temperaturas de 1000º a 1100 ºC sem sofrer danos,
afirma o coordenador de Engenharia Estática da Braskem, Amílcar
Sales.
O desafio, tanto para tubos quanto para caldeirarias, é a fabricação
de equipamentos e materiais (ligas de aço) que suportem altíssimas
temperaturas, o que permite maior performance dos equipamentos. As
siderúrgicas têm evoluído com a produção
de materiais cada vez mais ligados adquirindo maior domínio
na elaboração de fórmulas para cada necessidade
ou seja, uma melhoria no processo produtivo, entretanto sem
perder de vista o meio como estes materiais seriam ligados (processo
de soldagem).
O uso de novas ligas metálicas ajudou na melhora da degradação
do equipamento e na diminuição do seu peso. A
utilização de aço inox duplex e super-duplex
nos tubos objetivou o controle da corrosão e a redução
do peso dos equipamentos, afirma o gerente de Tecnologia de
Materiais, Equipamentos e Corrosão do Centro de Pesquisa da
Petrobras, Fábio Sartori. Atualmente, o Cenpes trabalha com
estudos na área de integridade de equipamentos e vida útil,
confiabilidade e disponibilidade, novos materiais, otimização
de projeto, fabricação e montagem de equipamentos.
O coordenador de Engenharia de Avaliação e Manutenção
da Copesul, Fábio Castro, destaca o desenvolvimento de novas
ligas para aplicação na serpentina de radiação
dos fornos de pirólise da empresa. Esta evolução
foi de grande importância devido ao processo e a quantidade
desses fornos instalados em nossas plantas. Temos uma parceria com
o fornecedor, que nos privilegia testar materiais que ainda não
estão disponíveis no mercado, relata Castro. A
Copesul tem 22 fornos de pirólise em suas duas plantas.
Em relação aos desafios do setor, Amílcar Sales
afirma haver necessidade em desenvolver materiais ainda mais resistentes
e com maior durabilidade. Com o desenvolvimento de novos materiais
na fabricação dos tubos, o nível de degradação
poderia ser menor, diminuindo a corrosão, como cortes na tubulação,
resultando em uma maior vida-útil da tubulação,
comenta.
A dificuldade, segundo Fábio Castro, está na vedação
do sistema de vapor de super-alta pressão (120 kg/cm²
e 525ºC) na tubulação, onde são utilizados
aços de baixa liga e de elevadas espessuras. Neste sistema
ainda temos como desafio as válvulas de bloqueio e de controle
que ainda apresentam dificuldades de vedação.
Sartori afirma que os desafios estão na parte de desenvolvimento
de novos materiais para aplicações extremas de temperatura
e pressão, técnicas de acompanhamento on-line da degradação
dos materiais e métodos de montagem e fabricação
de equipamentos de grande porte, no campo. Seria interessante
a utilização de materiais mais adequados às aplicações
extremas e o acompanhamento on-line de sua degradação.
No caso das caldeiras, o domínio da tecnologia de queima com
o incremento nos queimadores, possibilitou aplicações
mais adequadas para cada necessidade e a melhoria nas ligas metálicas
disponíveis para utilização nos bicos. Outro
aspecto é a incorporação de simuladores de processo
possibilitando detectar os pontos críticos e uma adequada especificação
de material para estas localizações. |
| Tubulação da Copesul: desafio
de vedação das válvulas de bloqueio e
controle dos tubos |
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Nacionalização de tecnologias
A V&M Tubes, está aumentado a capacidade de produção
em termos de volume, inspeção e complexidade do produto.
De acordo com o gerente da área de Pesquisa e Desenvolvimento
de Produtos da V&M, Marcelo Ferreira, a empresa vem fornecendo
tubos em inoxidáveis martensíticos de uso na indústria
petrolífera para ambientes com presença de CO2. Além
de serem extremamente resistentes, esses equipamentos são leves,
o que facilita o trabalho da indústria petroquímica,
afirma Ferreira.
Ferreira afirma ainda que há uma série de produtos a
serem nacionalizados, tubos como o Super 13Cr que apresentam mais
ligas metálicas em sua composição e tem favoráveis
propriedades mecânicas. O Super 13Cr já está em
fase de industrialização na V&M do Brasil. Além
da nacionalização das principais tecnologias, o desafio
da empresa será atender o aumento da demanda do setor.
De fato, os fornecedores vêm se atualizando, em termos globais,
com as principais tecnologias do setor, tornando o mercado interno
cada vez mais atualizado e concentrado. Realizamos um intercâmbio
com nossas empresas espalhadas pelo mundo e com outras fabricantes
do setor. Com isso, desenvolvemos materiais avançados e entramos
no mercado brasileiros com novos materiais, como o cromo inoxidável,
que é super-resistente capaz de suportar temperaturas acima
dos 700º C, relata o gerente de produtos da Confab para
América do Sul, Marcelo Fritz. |
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