Edição 286 • 2006

Laboratórios são os "olhos" das
tendências futuras
CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA AMPLIADA
A crise das décadas de 80 e 90 levou as empresas a intensificarem a procura de novos meios de se manterem no mercado através da busca continua de aumento de produtividade e desenvolvimento de novos produtos e mercados, e principalmente pela procura de agregação de valor ao produto e o melhor entendimento do cliente.
Essa busca acabou levando a exploração de oportunidades tecnológicas que, acompanhadas pelos avanços das tecnologias analíticas e associadas ao avanço da informática e da tecnologia da informação, geraram caminhos propícios a criação de produtos com maior valor agregado. Estas novas trajetórias, em grande medida, tem sido resultado da intensificação dos investimentos e das atividades de P&D (públicas e privadas) nas economias avançadas.
Segundo a pesquisadora da Oxiteno, Heliara Lopes Nascimento, a Coréia é um exemplo sempre a ser citado na intensificação dos investimentos em atividades de P&D que resultam em desenvolvimento econômico para o país. “A participação dos investimentos em P&D no PIB de economias como da Coréia cresceu significativamente nos anos 80 e se observarmos gráficos de publicações de patentes e desenvolvimento econômico vemos que crescem em paralelo”, afirma a pesquisadora.

No Brasil, as empresas vêm enxergando que a intensificação das atividades tecnológicas – incluindo P&D – é o elemento essencial deste tipo de competição. Neste contexto o laboratório tem um papel importante já que são os “olhos” do que acontece no momento e no acompanhamento de tendências futuras, customizando desenvolvimentos para os mais variados processos. “O laboratório tem que estar acompanhando de perto o processo. Isto é o que apregoa todas as normas de qualidade – ‘a visão do processo’ – você saber qual seu papel e como eliminar gargalos enxergando todas as áreas da empresa”, ressalta Heliara.

É no laboratório o lugar onde se dispõe de ferramentas e capacitação para enxergar tendências de mercado e prover novas metodologias. Com o objetivo de resolver novos problemas, é necessário desenvolver metodologias e técnicas experimentais adequadas, e ter os conhecimentos suficientes para usar, projetar instrumentos e protocolos experimentais de modo a conduzir a resultados exatos e de confiança. “O laboratório não deve ser apenas o lugar que realize medidas, mas ter a função de resolver problemas envolvendo processos químicos e físicos de identificação e quantificação – em meio a isso, a confiabilidade é a base dessa conquista”, completa Heliara.

Avanços laboratoriais

As técnicas analíticas laboratoriais avançaram bastante nos últimos anos, principalmente auxiliadas pelos softwares mais velozes. De acordo com Heliara Lopes, um desses avanços é o emprego da técnica de infravermelho próximo (NIR- Near InfraRed), capaz de promover reduções significativas do tempo de análise – de algumas horas para minutos. “O NIR permite que estas análises sejam realizadas simultaneamente, com grande reprodutibilidade e precisão, em menos de um minuto, com quase nenhum preparo da amostra”, explica.

A região espectral do infravermelho próximo é o segmento do espectro eletromagnético entre 800 e 2500 nm, onde as amostras apresentam absorbância muito menor do que na tradicional região do infravermelho médio (aproximadamente um fator de 10 – 100 nm). A menor absorbância permite a radiação incidente NIR penetrar mesmo em amostras opacas sem a preparação prévia, modificação da matriz ou diluição.

As análises via NIR, baseiam-se em um software estatístico, que com o emprego de análise de dados multivariados, possibilita a identificação, qualificação e quantificação das amostras. “A capacidade universal do método de espectroscopia por infravermelho próximo está baseado nos algoritmos estatísticos (quimiometria), na qual você pode estabelecer uma correlação entre os espectros de diferentes propriedades químicas e físicas”, explica Heliara.

Outros avanços técnicos ajudaram na evolução das atividades laboratoriais, como a espectrometria de plasma, o método CG/MS com dectetores TOF e toda automação que tem tornado os laboratórios mais próximos dos processos produtivos.

Normatização

A BPL (boas práticas laboratoriais) é uma das principais normatizações do setor, em termos mundiais. Os princípios da BPL definem uma série de regras e critérios para manutenção de um sistema de qualidade que se preocupe com as condições sob as quais os projetos e estudos são planejados, executados, monitorados, arquivados e reportados.

Os princípios da BPL surgiram devido a necessidade de garantir a efetividade e segurança de pesquisas científicas, particularmente na área de fármacos. Foi concebido inicialmente através do órgão governamental americano – FDA (Food and Drug Administration), na década de 80, a partir de episódios que ocorreram na década de 70 envolvendo o uso e rotulagem inadequada de produtos químicos que acabou ocasionando em mortes humanas. No mesmo período, o órgão europeu OECD (Organisation for Economic Cooperation and Development), desenvolveu na comunidade européia a GLP (Good Laboratory Practice), que atualmente é reconhecida e seguida em praticamente todos os continentes.

Outra norma do setor de laboratórios, a ISO/IEC 17025 – que serve de guia para laboratórios de qualquer organização independente do seu tamanho e número de funcionários – estabelece critérios para aqueles laboratórios que desejam demonstrar sua competência técnica, que possuem um sistema da qualidade efetivo e que são capazes de produzir resultados tecnicamente válidos. Esta norma foi oficialmente datada em 15 de dezembro de 1999 e publicada internacionalmente no início do ano 2000. No Brasil, foi publicada pela ABNT a NBR/ISO/IEC 17025 em janeiro de 2001, tendo ocorrido a última revisão  em setembro de 2005.

De acordo com Heliara, as normas da BPL e ISO 17025 se equiparam. “As normas da BPL contemplam quase todos os aspectos da 17025 e tem figuras próprias como a presença de um responsável pelo arquivo técnico e pela manutenção adequada dos dados e conhecimento, preocupando-se assim com a gestão do conhecimento”, afirma Heliara.

No caso dos laboratórios de empresas petroquímicas não há necessidade de acreditação em normas de BPL – já que estas normas são requisitadas para laboratórios da área de saúde, ou que envolvam experimentos com fármacos, animais e plantas. “Porém há necessidade de se garantir a confiabilidade dos resultados, portanto o caminho é o emprego da ISO 17025.”

De acordo com a ABNT, na ISO 17025 foram incorporados todos os requisitos da ISO 9001 (ação preventiva, por exemplo) que são pertinentes ao escopo dos serviços de ensaio e calibração cobertos pelo sistema da qualidade do laboratório. Portanto, se os laboratórios de ensaio e calibração atenderem aos requisitos da 17025, operarão um sistema da qualidade que também estará de acordo com os requisitos da ISO 9001. Contudo, para efeitos de credenciamento do laboratório, a existência de um sistema da qualidade é condição necessária – mas não suficiente para o pleno atendimento da 17025 – uma vez que os laboratórios terão que demonstrar ainda sua competência técnica para produzir dados e resultados tecnicamente válidos, e sendo assim, o simples fato de estar acreditado pela ISO 9001 não é suficiente para garantir o atendimento aos requisitos da NBR ISO 17025.
Assine já!

Na Edição impressa
ANP confirma 8ª Rodada para Novembro
Empresa do Catar recebe treinamento da Smar
Spártacus e WBS firmam parceria para mercado offshore
Patrobras adquire tecnologia para integração de informações de campos de petróleo
Petrobras escolhe UFF para sediar Centro de Excelência em EPC
Bacia de Santos pode duplicar reservas de gás natural do país
Consumo de gás natural tem leve queda em Junho
Paradigm anuncia contrato para adquirir a Earth Decision
Cegelec anuncia investimentos no Brasil
Petrobras encontra petróleo em novas fronteiras na Bacia de Santos
Petrobras vai licitar dois FPSOs itinerantes
Mercado só acalmará em 2011, prevê a AIE
Casco da P-54 chega ao estaleiro mauá-Jurong
Vetco gray inicia construção da nova fábrica em Jandira
 

Todos os direitos reservados a Valete Editora Técnica Comercial Ltda. Tel.: (11) 6292-1838