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Edição 286 2006
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| Em busca do ótimo |
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| Indústria absorve tecnologias digitais com Gerenciamento
de Ativos, Otimização em Tempo Real, Programação
de Produção e integram o chão-de-fábrica
com os sistemas corporativos em busca da excelência operacional.
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Na Copesul, a busca pela maximização das margens
operacionais é obtida pela análise de milhares de variáveis
que alimentam o software Otimizador do Planejamento e Programação
da Produção. A empresa é um exemplo do caminho
que começa a ser trilhado por quem já tem estruturados
o controle regulatório e o controle preditivo.
Empresas que já estão nesse estágio começam
a trabalhar com Otimização em Tempo Real e Programação
de Produção. Na Otimização em Tempo Real
decido o que produzir levando o processo a uma maior rentabilidade
econômica durante a operação da unidade. Nesse
ponto, muitas vezes há uma intersecção com a
Programação de Produção que também
tem objetivos econômicos, mas que se interessa pela rentabilidade
da empresa como um todo, e não de uma única unidade,
explica o professor Jorge Trierweiler, coordenador do Grupo de Integração,
Modelagem, Simulação, Controle e Otimização
de Processos da UFRGS.
Os objetivos básicos permanecem inalterados: demanda por processos
mais seguros, ambientalmente corretos menor consumo de energia
e insumos, processos limpos com baixa emissão de poluentes.
O que aumentou foi o nível de desempenho aceitável
cada vez mais restritivo, tem exigido maior confiabilidade, redução
de produtos offgrade e aumento na eficiência operacional.
A automação industrial tem hoje duas ferramentas poderosas
para ajudar as empresas a se tornarem mais competitivas: as técnicas
de controle avançado e otimização em linha dos
processos e as tecnologias de gerenciamento de ativos suportadas por
instrumentação inteligente. A tecnologia digital permite
que um sistema colete informações dos mais diversos
tipos e finalidades, como ninguém jamais imaginou e
neste sentido, é possível transformar bytes em um relacionamento
lucrativo e obter também um ganho qualitativo: quanto mais
informação sendo processada, melhor uma planta pode
ser operada.
Os processos petroquímicos estão demandando muito
mais pontos de medição e controle para atender a requisitos
de segurança de processos, meio-ambiente e redução
de custos operacionais. A integração dos sistemas de
controle desde o chão-de-fábrica até os sistemas
corporativos da cadeia de suprimentos da matéria prima
ao produto acabado colocado nos clientes, e da cadeia de desenvolvimento
de produtos até o relacionamento com clientes serão
os grandes desafios. Os profissionais de automação terão
que lidar com diversos tipos de redes de comunicação,
protocolos, gateways, firewalls e diversos
sistemas integrados, conta o engenheiro Geraldo Bellotti, da
Comissão de Automação da Abiquim.
Os principais fornecedores de instrumentação e sistemas
têm correspondido às expectativas com investimentos significativos
em pesquisa e desenvolvimento, resultando na oferta de produtos de
melhor relação custo-benefício, reconhece Bellotti. |
| R$ 1,5 bilhão em novos projetos |
As indústrias do setor petroquímico devem investir
algo em torno de R$ 1,5 bilhão em automação e
instrumentação até 2010 isso só
em novos projetos. O levantamento leva em consideração
o percentual gasto com automação entre 10% e
15% - sobre o montante total que será investido pelas empresas
do setor R$ 11,53 bilhões até 2010.
Os valores previstos, no entanto, estão aquém do necessário
para evitar um aumento significativo nas importações
de petroquímicos, reconhece o pessoal da Abiquim. Espera-se
que estes projetos sejam viabilizados pela disponibilidade de obtenção
de matérias primas a preços competitivos, e que o Governo
faça a sua parte para permitir uma maior competitividade do
setor no cenário internacional. Se isto ocorrer, os números
previstos poderão sofrer um aumento, caso contrário,
vai haver falta de petroquímicos básicos e a importação
será inevitável para suprir as demandas do mercado,
pois as indústrias de petroquímicos básicos operaram,
em 2005, com 93% de suas capacidades, muito próximas ao limite
e a implantação de novas unidades demanda períodos
de dois a três anos, argumenta o Bellotti.
O valor não contabiliza o investimento previsto pela Petrobras
tanto nas novas plataformas quanto nas novas unidades que a
companhia planeja instalar em suas refinarias.
O que também pode multiplicar o valor investido em automação
são as modernizações e upgrades nas plantas existentes.
Um levantamento da situação da automação
na indústria química feito há dois anos mostrava
a migração para novas tecnologias cerca de 55%
das empresas químicas tinham sua instrumentação
baseada em sistemas microprocessados, e 16% possuem redes de comunicação.
Não existe um levantamento mais atual. A principal razão
é uma dificuldade de obtenção das informações
nas indústrias, talvez por possuírem quadros de engenharia
e manutenção mais enxutos em suas organizações
e a falta de tempo para responder a pesquisas.
Um breve levantamento entre os engenheiros ligados à instrumentação
e automação industrial mostra quais são os desafios
tecnológicos com os quais a automação se depara:
a implantação de tecnologias wireless, asset management,
migração para controles preditivos e integração
desde o chão-de-fábrica até os sistemas corporativos.
O que ainda não existe é uma sistemática que
permita mensurar o retorno sobre o investimento nessas novas tecnologias
e na falta de uma metodologia, os engenheiros acabam recorrendo
a técnicas tradicionais de análise de investimentos.
Normalmente o pessoal estima o retorno baseado numa melhor qualidade
do produto. Têm aspectos indiretos nessa quantificação,
que precisam de um horizonte um pouco mais longo de tempo para ser
quantificado. Mas existem formas de quantificar em relação
ao custo operacional balanço de energia, balanço
de massa, e custos operacionais. Nesse sentido, tem-se uma possibilidade
de quantificar claramente o retorno do processo, comenta o professor
Jorge, reconhecendo que poucas empresas fazem esse tipo de avaliação
quantitativa.
Nessa avaliação, existem alguns ganhos intangíveis
como o cumprimento de normas. Mas uma avaliação
eficiente deve ir além da análise financeira tradicional
e levar em conta a estratégia corporativa.
Traçar planos diretores de automação voltados
para o negócio, visando aproveitar todos os recursos que uma
tecnologia pode proporcionar. Sem isso, muitos investimentos não
se justificaram e não passaram de uma pura substituição
de padrão de comunicação ou de tecnologia.
Algumas empresas não planejam a automação da
planta de forma global e acabam sem conseguir obter todos os benefícios
de uma tecnologia, exemplifica o engenheiro de Instrumentação
da Deten, Alexandre Pessoa de Santana. |
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