Edição 287 • 2006

Sustentáculo da auto-suficiência
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Petrobras garante auto-suficiência por mais 15 anos. Novas descobertas alteram o mapa da produção de petróleo
Em 2022, quando o Brasil estiver comemorando o bi-centenário da Independência, terá mais um elemento para adicionar à festa: a independência do petróleo importado. Graças as descobertas realizadas desde 2003, pelos próximos 15 anos a produção irá crescer a taxas superiores ao crescimento da demanda no Brasil. “Até 2015 a produção vai crescer 7,8% ao ano – e a demanda de combustível crescerá e média 3% ao ano”, afirma o gerente executivo de E&P da Petrobras, Francisco Nepomuceno.

A produção média de 2006 – ano que marca o início da auto-suficiência do país – chegará a 1.880 mil barris diários, ante um consumo de derivados de 1.826 mil barris diários.

O objetivo da Petrobras é manter a produção sempre acima do consumo – cerca de 20%, para poder garantir o fornecimento mesmo em casos de paradas programadas para manutenção das plataformas. “Estaremos produzindo 2.812 mil barris em 2015, com uma média de 560 mil barris acima da demanda”, prevê Nepomuceno.

Nessa fase pós-conquista da auto-suficiência, a novidade é a descentralização da produção. Até então muito concentrada na Bacia de Campos – de onde saem atualmente mais de 80% da produção nacional de petróleo – os novos campos gigantes estão espalhados pela costa. As bacias de Santos e do Espírito Santo começam a ganhar maior importância no contexto da produção de petróleo no Brasil.
“Agora temos o Parque das Baleias e o campo de Golfinho, no Espírito Santo, e o BS-500 e o campo de Mexilhão, em Santos. Isso é algo que envolve logística diferente”, ressalta Nepomuceno.

Outra novidade é a parcela que será produzida por companhias estrangeiras: até 2011, Chevron, Shell e Devon estarão com seus campos a plena produção.

Levantamento preliminar do IBP prevê investimentos superiores a US$ 52 bilhões em exploração e produção no Brasil até 2010 – sendo US$ 40,7 bilhões já confirmados pela Petrobras e US$ 12 bilhões das empresas privadas.

Um estudo recém atualizado pela Superintendência de Planejamento e Pesquisa da ANP calcula em US$ 30,7 bilhões o investimento mínimo previsto nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural no período compreendido entre 2006 e 2010. Desse total, 86,3% (US$ 26,5 bilhões) referem-se aos investimentos na fase de desenvolvimento e produção, e 13,7% (US$ 4,2 bilhões) a investimentos na fase de exploração.

A própria ANP ressalta que os valores podem estar superestimados – já que não há obrigatoriedade de as concessionárias avançarem aos períodos seguintes à sísmica, ou subestimados, pois não estão inclusas as futuras rodadas de licitação, além de haver evidências de que as empresas investem acima dos compromissos mínimos.
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