A indústria química prova que está cada vez
mais engajada ao atendimento de atuações responsáveis,
integrando à gestão sustentável ao budget corporativo
a ação global vem atingindo empresas de todas
as proporções. A indústria química
brasileira investiu R$ 337 milhões no ano passado, nas áreas
de saúde, meio ambiente e segurança, comenta o
presidente do Conselho Diretor da Abiquim, Carlos Mariani Bittencourt.
O executivo considera que esses pontos, antes críticos na análise,
já se mostraram favoráveis ao setor no Brasil, conforme
apontam as estatísticas contidas no Relatório Anual
de 2006 da Abiquim sinal do nível de consciência
maior de toda cadeia, inclusive o consumidor.
A formação do cenário que retratou o desenvolvimento
da atuação responsável no Brasil se deu a partir
da amostra composta por 104 empresas associadas à entidade,
que somam 42.484 funcionários próprios e 37.636 terceirizados.
Os indicadores revelam algumas taxas que parametrizam o nível
de consistência sustentável no setor. A começar
pela taxa de frequência de acidentes com afastamento: de 2001
a 2005, a referência do índice de prestadores de serviço
terceirizados demonstrou redução de 6,45 para 3,12 acidentes
/ milhão horas de exposição, enquanto o de serviço
próprio e terceirizado caiu de 4,16 para 2,74 acidentes / milhão
de horas de exposição. Ao serem analisados os funcionários
próprios de cada empresa, o registro também foi de queda,
2,48 para 2,34 acidentes / milhão de horas de exposição.
Em termos de vazamentos provocados por acidentes no transporte
de produtos químicos (modo rodoviário) dado o critério
de acidentes por dez mil viagens feitas entre 2001 a 2005, a escala
que apontou 3,05 em 2004 e chegou nos 2,35 em 2005.
A geração de resíduos foi de 10,04 kg/t em
2001 contra 8,16 kg/t de produto em 2005.
Quanto ao consumo de água em processos e em produtos o volume
foi de 6,30 m3 em 2001 e caiu para 3,49 m3 em 2005.
Já o consumo de energia elétrica consumida desacelerou
entre 2001 a 2005: foram 420,36 kg/t declinantes para 376,64 kg/t.
O item emissão de dióxido de carbono também
sofreu redução, de 414,78 kg/t em 2001 passou para
360,88 kg/t em 2005.
A melhora nos índices foi reflexo de investimento na prevenção,
guiado por análises de riscos e de conseqüências,
além de inspeções de segurança periódicas
totalizando R$ 31.188.593 milhões destinados à gestão
de saúde e segurança no ano de 2005, segundo demonstrou
o Relatório de Atuação Responsável 2006.
Isso correspondeu a R$ 0,76/t de produto ou R$ 389,30 por trabalhador,
incluindo a categoria dos próprios e os contratados.
Em investimentos ambientais, o total orçado foi de R$ 181.240.894
milhões, sendo R$ 156.055.735 milhões em despesas
para controle ambiental R$ 4,44 investidos / tonelada produzida
e R$ 3,82 gastos / tonelada produzida em 2005. A gestão
de efluentes nos processos de controle e uso em geral continuou
permitindo economias no consumo de água nas empresas associadas
em 2005, afirmou o coordenador da Comissão Executiva
do Atuação Responsável, Antonio Rollo.
A redução no lançamento de efluentes,
de 34,4% em relação a 2001 e de 9,8% quando comparado
a 2004, foi responsável por 32% da economia de água
nestes cinco anos.
No tocante a transportes e gestão dos produtos, o quadro
era perturbador entre 2003 e 2004. O transporte de produtos químicos
passou a se estabilizar quando a análise incidia sob acidentes
graves. Houve, porém, uma redução de 23% nos
acidentes sem gravidade, se comparado 2004 com 2005 o Pró-Química,
mantido pela Abiquim, informa sobre os procedimentos a serem observados
em relação ao transporte e manuseio de produtos químicos.
Referências em atuação sustentável
O Programa Atuação responsável tem sofrido
um processo de revisão desde 2003 com isto, sua ampliação
e a adoção de novas diretrizes vieram a nortear o
desempenho das empresas nas diferentes áreas gestoras voltadas
à sustentabilidade. O objetivo: criar um programa simples
na aplicação e alinhado às sugestões.
Para tanto, foram seguidas as 63 diretrizes do Responsible Care
Global Charter, documento lançado em fevereiro deste ano
pelo Conselho Internacional das Associações da Indústria
Química ICCA.
O documento estabelece a obrigatoriedade da adoção
desse conjunto de normas comuns e globais pelas empresas signatárias
ao Programa, tanto no país em que as fábricas estão
instaladas como nos mercados para os quais os produtos são
exportados, sintetizou Rollo.
Assim, o Atuação Responsável corre em mesmo
sentido para a mudança, incorporando melhorias na abordagem
da gestão nas dimensões como em saúde segurança,
meio ambiente e até nas esferas econômica e social,
todas atreladas à sustentabilidade.
Seguindo os preceitos do Responsable Care Program, da Canadian Chemical
Producers Association (CCPA) os expectadores do Congresso puderam
ter referências acerca de como incluir a responsabilidade
sócioambiental no meio corporativo. Parâmetros mundiais
e nacionais tiveram ilustração em cases como os de
MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) da Rhodia, sobre desenvolvimento
sustentável da Basf e do Conselho Consultivo de Responsible
Care, do Canadá. Outro destaque durante o Congresso, foi
o painel do oceanógrafo Jean Michel Cousteau sobre Mudança
Climática e a Responsabilidade da Indústria,
pela qual definiu que a Terra deveria ser vista como uma empresa.
O ideal seria que a humanidade procurasse viver dos juros
da Natureza sem destruir o capital.
No painel apresentado pelo vice-presidente da Rhodia Poliamida,
José Matias, foi demonstrado o plano da companhia de redução
de emissões de gases de efeito estufa. A unidade Rhodia Energy,
na França, reduziu 72% das emissões de gases CO2
e até 2010 serão mais 30%. Mirando-se no exemplo europeu,
uma das missões previstas para a América Latina tem
estrutura vista no plano Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Nele,
o foco será diminuir o envio à atmosfera de 20 mil
toneladas/ano de óxidos nitrosos e obter crédito de
carbono equivalente a 6 milhões de toneladas/ano. O start
up do projeto na Rhodia Energy, que por aqui, será em novembro
deste ano, por enquanto cumpre a fase de construção
da engenharia de processo e aprovação.
De acordo com o vice-presidente mundial de Meio Ambiente e Relações
Governamentais da Basf, Utz Tillmann, os escassos recursos naturais
e as diferenças econômicas e sociais formam os principais
obstáculos para o desenvolvimento sustentável. Segundo
ele, isso só será conseguido com o equilíbrio
entre economia, ecologia e responsabilidade social. Daí a
visão da empresa convergir projetos sustentados em ecoeficiência,
reflorestamento, e em educação ambiental. Atividades
voltadas à capacitação de pequenas e médias
empresas , trabalhos focados no gerenciamento de resíduos,
e incentivos à produção limpa ganharam destaque
no processo de conscientização corporativa.
Para John Vincett, da PD Alternatives, a experiência do Conselho
Consultivo do Responsible Care, do Canadá criado há
20 anos e formado, atualmente, por 65 membros, e que logo em novembro
terão mais três , baseou-se no relato que tornou
sobressalente a importância de avaliar as métricas
das empresas envolvidas com a sustentabilidade. Vincett deu muita
ênfase à conduta baseada na ética e nos processos
de verificação a serem feitos pelo público
do entorno industrial. Polêmicas ainda surgem, e durante a
adaptação ao programa de Atuação Responsável
respostas adequadas são buscadas para situações
como: em um derramamento, quem deve se responsabilizar, a matriz
e/ou as subsidiárias?
Entre as últimas ações desenvolvidas pelos
Conselhos Consultivos Nacionais (CCN) do Pólo Petroquímico
do ABC (SP) e de Triunfo (RS), ficou evidente a sua importância
da aproximação de interesses entre comunidade e empresa.
Indo ao encontro da Responsabilidade Social, pauta atual que tem
iniciativa do CCN em promover intercâmbio entre os Conselhos
Regionais e integrar empresas de pequeno e médio portes ao
Programa PreparAR que incentiva a empresa não associada
da Abiquim a adotar as diretrizes inspiradas no Responsible Care,
defendido pela Atuação Responsável. E com 30
membros o Conselho Regional Consultivo do ABC representado, durante
o Congresso por Denise de Oliveira Schoeps teve entre seus principais
focos o Programa VerificAR, que tem base na verificação
integrada e certificável em todas as dimensões cobertas
pelo Atuação Responsável.
As diretrizes do Atuação Responsável levadas
à tona pelo Global Product Strategy (Estratégia Global
para Produtos), desenvolvido pelo Conselho Internacional das Associações
da Indústria Química tiveram detalhamento na voz do
diretor de Relações Internacionais da American Chemistry
Council, Gerrity Baker. E que deverá estar totalmente implementado
até 2018. Em sua espinha dorsal a elaboração
do GPS se tornou necessária para empresa que busca valores
intrínsecos aos critérios de desempenho, qualidade
e preço, segundo o executivo. É relevante tornar
público uma conduta baseada na transparência, processo
que alcança, inclusive, engajamento de clientes e agentes
reguladores. 2020 é o ano base e esperado para que
seja feita a avaliação das empresas casadas com esta
conduta estratégica, que vai ao encontro das metas em níveis
plausíveis de segurança no transporte, meio ambiente
e gestão social, aspectos característicos de uma cultura
industrial remodelada em conformidade às necessidades naturais
e confluentes ao mercado, segundo Baker.
|