Edição 287 • 2006

Programa Atuação Responsável consolida gestão globalizada
Antonio Rollo: Gestão de efluentes permitiu economia no consumo de água
A indústria química prova que está cada vez mais engajada ao atendimento de atuações responsáveis, integrando à gestão sustentável ao budget corporativo – a ação global vem atingindo empresas de todas as proporções. “A indústria química brasileira investiu R$ 337 milhões no ano passado, nas áreas de saúde, meio ambiente e segurança”, comenta o presidente do Conselho Diretor da Abiquim, Carlos Mariani Bittencourt. O executivo considera que esses pontos, antes críticos na análise, já se mostraram favoráveis ao setor no Brasil, conforme apontam as estatísticas contidas no Relatório Anual de 2006 da Abiquim – sinal do nível de consciência maior de toda cadeia, inclusive o consumidor.

A formação do cenário que retratou o desenvolvimento da atuação responsável no Brasil se deu a partir da amostra composta por 104 empresas associadas à entidade, que somam 42.484 funcionários próprios e 37.636 terceirizados. Os indicadores revelam algumas taxas que parametrizam o nível de consistência sustentável no setor. A começar pela taxa de frequência de acidentes com afastamento: de 2001 a 2005, a referência do índice de prestadores de serviço terceirizados demonstrou redução de 6,45 para 3,12 acidentes / milhão horas de exposição, enquanto o de serviço próprio e terceirizado caiu de 4,16 para 2,74 acidentes / milhão de horas de exposição. Ao serem analisados os funcionários próprios de cada empresa, o registro também foi de queda, 2,48 para 2,34 acidentes / milhão de horas de exposição.

Em termos de vazamentos provocados por acidentes no transporte de produtos químicos (modo rodoviário) dado o critério de acidentes por dez mil viagens feitas entre 2001 a 2005, a escala que apontou 3,05 em 2004 e chegou nos 2,35 em 2005.

A geração de resíduos foi de 10,04 kg/t em 2001 contra 8,16 kg/t de produto em 2005.

Quanto ao consumo de água em processos e em produtos o volume foi de 6,30 m3 em 2001 e caiu para 3,49 m3 em 2005.

Já o consumo de energia elétrica consumida desacelerou entre 2001 a 2005: foram 420,36 kg/t declinantes para 376,64 kg/t.

O item emissão de dióxido de carbono também sofreu redução, de 414,78 kg/t em 2001 passou para 360,88 kg/t em 2005.

A melhora nos índices foi reflexo de investimento na prevenção, guiado por análises de riscos e de conseqüências, além de inspeções de segurança periódicas totalizando R$ 31.188.593 milhões destinados à gestão de saúde e segurança no ano de 2005, segundo demonstrou o Relatório de Atuação Responsável 2006. Isso correspondeu a R$ 0,76/t de produto ou R$ 389,30 por trabalhador, incluindo a categoria dos próprios e os contratados.

Em investimentos ambientais, o total orçado foi de R$ 181.240.894 milhões, sendo R$ 156.055.735 milhões em despesas para controle ambiental – R$ 4,44 investidos / tonelada produzida e R$ 3,82 gastos / tonelada produzida em 2005. “A gestão de efluentes nos processos de controle e uso em geral continuou permitindo economias no consumo de água nas empresas associadas em 2005”, afirmou o coordenador da Comissão Executiva do Atuação Responsável, Antonio Rollo.

“A redução no lançamento de efluentes, de 34,4% em relação a 2001 e de 9,8% quando comparado a 2004, foi responsável por 32% da economia de água nestes cinco anos.”

No tocante a transportes e gestão dos produtos, o quadro era perturbador entre 2003 e 2004. O transporte de produtos químicos passou a se estabilizar quando a análise incidia sob acidentes graves. Houve, porém, uma redução de 23% nos acidentes sem gravidade, se comparado 2004 com 2005 – o Pró-Química, mantido pela Abiquim, informa sobre os procedimentos a serem observados em relação ao transporte e manuseio de produtos químicos.

Referências em atuação sustentável

O Programa Atuação responsável tem sofrido um processo de revisão desde 2003 – com isto, sua ampliação e a adoção de novas diretrizes vieram a nortear o desempenho das empresas nas diferentes áreas gestoras voltadas à sustentabilidade. O objetivo: criar um programa simples na aplicação e alinhado às sugestões. Para tanto, foram seguidas as 63 diretrizes do Responsible Care Global Charter, documento lançado em fevereiro deste ano pelo Conselho Internacional das Associações da Indústria Química – ICCA.

“O documento estabelece a obrigatoriedade da adoção desse conjunto de normas comuns e globais pelas empresas signatárias ao Programa, tanto no país em que as fábricas estão instaladas como nos mercados para os quais os produtos são exportados”, sintetizou Rollo.

Assim, o Atuação Responsável corre em mesmo sentido para a mudança, incorporando melhorias na abordagem da gestão nas dimensões como em saúde segurança, meio ambiente e até nas esferas econômica e social, todas atreladas à sustentabilidade.

Seguindo os preceitos do Responsable Care Program, da Canadian Chemical Producers Association (CCPA) os expectadores do Congresso puderam ter referências acerca de como incluir a responsabilidade sócioambiental no meio corporativo. Parâmetros mundiais e nacionais tiveram ilustração em cases como os de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) da Rhodia, sobre desenvolvimento sustentável da Basf e do Conselho Consultivo de Responsible Care, do Canadá. Outro destaque durante o Congresso, foi o painel do oceanógrafo Jean Michel Cousteau sobre “Mudança Climática e a Responsabilidade da Indústria”, pela qual definiu que a Terra deveria ser vista como uma empresa. “O ideal seria que a humanidade procurasse viver dos juros da Natureza sem destruir o capital.”

No painel apresentado pelo vice-presidente da Rhodia Poliamida, José Matias, foi demonstrado o plano da companhia de redução de emissões de gases de efeito estufa. A unidade Rhodia Energy, na França, reduziu 72% das emissões de gases CO2 – e até 2010 serão mais 30%. Mirando-se no exemplo europeu, uma das missões previstas para a América Latina tem estrutura vista no plano Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Nele, o foco será diminuir o envio à atmosfera de 20 mil toneladas/ano de óxidos nitrosos e obter crédito de carbono equivalente a 6 milhões de toneladas/ano. O start up do projeto na Rhodia Energy, que por aqui, será em novembro deste ano, por enquanto cumpre a fase de construção da engenharia de processo e aprovação.

De acordo com o vice-presidente mundial de Meio Ambiente e Relações Governamentais da Basf, Utz Tillmann, os escassos recursos naturais e as diferenças econômicas e sociais formam os principais obstáculos para o desenvolvimento sustentável. Segundo ele, isso só será conseguido com o equilíbrio entre economia, ecologia e responsabilidade social. Daí a visão da empresa convergir projetos sustentados em ecoeficiência, reflorestamento, e em educação ambiental. Atividades voltadas à capacitação de pequenas e médias empresas , trabalhos focados no gerenciamento de resíduos, e incentivos à produção limpa ganharam destaque no processo de conscientização corporativa.

Para John Vincett, da PD Alternatives, a experiência do Conselho Consultivo do Responsible Care, do Canadá – criado há 20 anos e formado, atualmente, por 65 membros, e que logo em novembro terão mais três –, baseou-se no relato que tornou sobressalente a importância de avaliar as “métricas” das empresas envolvidas com a sustentabilidade. Vincett deu muita ênfase à conduta baseada na ética e nos processos de verificação a serem feitos pelo público do entorno industrial. Polêmicas ainda surgem, e durante a adaptação ao programa de Atuação Responsável respostas adequadas são buscadas para situações como: em um derramamento, quem deve se responsabilizar, a matriz e/ou as subsidiárias?

Entre as últimas ações desenvolvidas pelos Conselhos Consultivos Nacionais (CCN) do Pólo Petroquímico do ABC (SP) e de Triunfo (RS), ficou evidente a sua importância da aproximação de interesses entre comunidade e empresa. Indo ao encontro da Responsabilidade Social, pauta atual que tem iniciativa do CCN em promover intercâmbio entre os Conselhos Regionais e integrar empresas de pequeno e médio portes ao Programa PreparAR – que incentiva a empresa não associada da Abiquim a adotar as diretrizes inspiradas no Responsible Care, defendido pela Atuação Responsável. E com 30 membros o Conselho Regional Consultivo do ABC representado, durante o Congresso por Denise de Oliveira Schoeps teve entre seus principais focos o Programa VerificAR, que tem base na verificação integrada e certificável em todas as dimensões cobertas pelo Atuação Responsável.

As diretrizes do Atuação Responsável levadas à tona pelo Global Product Strategy (Estratégia Global para Produtos), desenvolvido pelo Conselho Internacional das Associações da Indústria Química tiveram detalhamento na voz do diretor de Relações Internacionais da American Chemistry Council, Gerrity Baker. E que deverá estar totalmente implementado até 2018. Em sua espinha dorsal a elaboração do GPS se tornou necessária para empresa que busca valores intrínsecos aos critérios de desempenho, qualidade e preço, segundo o executivo. “É relevante tornar público uma conduta baseada na transparência, processo que alcança, inclusive, engajamento de clientes e agentes reguladores”. 2020 é o ano base e esperado para que seja feita a avaliação das empresas casadas com esta conduta estratégica, que vai ao encontro das metas em níveis plausíveis de segurança no transporte, meio ambiente e gestão social, aspectos característicos de uma cultura industrial remodelada em conformidade às necessidades naturais e confluentes ao mercado, segundo Baker.

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