Edição 288 • 2006

Oportunidades para o RFCC: geração de propeno e eteno ou LCO de alto cetano
Resumo

O craqueamento de resíduo atmosférico (RAT) de petróleos da Bacia de Campos representou a maior conquista de um esforço de mais de 20 anos da Petrobras em processar cargas cada vez mais pesadas nos FCCs. Vários desafios tecnológicos tiveram que ser superados, tanto na área de engenharia quanto no desenvolvimento de sistemas catalíticos. Muita ênfase foi dada ao lado negativo do craqueamento de RAT: os altos rendimentos de coque, a dificuldade de especificar os produtos, o alto nível de metais no catalisador, etc. Existem, no entanto, várias oportunidades que podem ser exploradas no craqueamento de RAT, onde ele oferece vantagens em relação às cargas tradicionais do FCC.

Os LCOs dos FCCs de resíduo (RFCC), por exemplo, apresentam Cetano calculado até 10 pontos mais alto do que os LCOs de FCCs de gasóleo, interessante quando se quer aproveitar esta corrente para incorporação no pool de diesel, após o hidrotratamento. O teor de aromáticos mais baixo dos produtos do RFCC é bom também para a produção de olefinas leves, matérias-primas petroquímicas. Os aditivos a base de ZSM-5 convertem seletivamente olefinas de 5 a 10 átomos de carbono em propeno e eteno. Estas olefinas precursoras são produzidas em maior quantidade no RFCC, fruto do deslocamento favorável do equilíbrio entre olefinas e aromáticos no produto. A efetividade dos aditivos de ZSM-5 é conseqüentemente maior no RFCC do que no FCC. Desta maneira, o presente trabalho descreve estudos em unidades de bancada onde o craqueamento de RAT é comparado com o craqueamento de gasóleo (GOP) tanto em condições para a maximização de médios quanto para a maximização de olefinas leves.
Panorama da integração refino-petroquímica na Petrobras1
Resumo

A integração refino-petroquímica vem se realizando na Petrobras, tanto em unidades existentes como em novos empreendimentos, otimizando ganhos na cadeia produtiva. Além disso, a integração vem contribuindo para a produção de produtos petroquímicos para o mercado nacional em um ambiente de escassez de matéria-prima. O trabalho é dividido em duas partes: a primeira coloca foco no parque atual de refino, mostrando as iniciativas já existentes e aquelas em andamento, com as principais vantagens e desvantagens da integração, enquanto a segunda parte focaliza novos empreendimentos da Petrobras voltados para a valorização do petróleo pesado nacional via integração com a petroquímica através da produção de petroquímicos básicos e combustíveis.
A perspectiva de aumento na produção nacional de butadieno para suprir a crescente demanda de elastômeros
Resumo

Atualmente, o butadieno tem sua demanda fortemente atrelada à situação econômica da indústria automobilística, já que sua principal utilização é servir de matéria-prima para a produção de elastômeros, particularmente borracha de estireno butadieno (SBR) e polibutadieno (PBLH).

Neste trabalho foi realizado um estudo mercadológico simplificado, para a avaliação da evolução histórica e o atual comportamento da produção nacional de butadieno e de elastômeros, assim como, o comportamento da projeção destes mercados.

Como o butadieno pode ser obtido através de diversas rotas tecnológicas, foi realizado também neste trabalho um estudo tecnológico para a produção do butadieno, onde foram abordados os principais meios de fabricação do produto, a escolha da mais adequada rota a ser utilizada na unidade produtora de butadieno.

O estudo também indicou que a melhor localização para a unidade produtora seria no Estado do Rio de Janeiro, onde atualmente ocorre a ascensão das indústrias petroquímicas e há uma maior facilidade na comercialização das matérias-primas necessárias à fabricação do produto final, assim como um melhor escoamento da produção; visto que os principais consumidores nacionais de butadieno localizam-se no Estado.
Reflexões para um competitivo projeto de
Refinaria Petroquímica no Brasil
Resumo

Dado o recente anúncio da instalação de uma refinaria petroquímica, integrada a um complexo industrial petroquímico de segunda e terceira gerações, em Itaboraí (RJ), pela Petrobras em parceria com o Grupo Ultra e o BNDES, torna-se oportuno estudar os desafios intrínsecos ao empreendimento. Certas características do óleo nacional típico fazem com que ele seja de difícil processamento, como o baixo grau API, o elevado índice de acidez naftênica e a presença significativa de metais, como o níquel e o vanádio. Assim, processos de conversão profunda e de tratamento devem ser priorizados no esquema de refino, a fim de prover carga suficiente para o craqueamento. Para a maximização de olefinas, os esforços voltam-se mais para variações do processo de FCC convencional, chamadas de FCC petroquímico. Entretanto, tais tecnologias ainda não se aplicam à cargas pesadas oriundas da destilação, produzidas em quantidade pelo óleo nacional. Outro problema a ser enfrentado diz respeito ao sistema catalítico, que sofre com a presença de metais contaminantes e a deposição de coque.
Fontes de matérias-primas e tecnologias de
conversões de frações pesadas para
obtenção de petroquímicos
Resumo

Com o crescimento da economia nacional e mundial tem havido um aumento considerável na demanda por poliolefinas, exigindo assim uma elevação na produção de petroquímicos básicos, principalmente eteno e propeno. Diante da qualidade da maior parte do petróleo nacional, pesado e pobre em derivados leves surge a necessidade de investimentos em processos de conversão de frações pesadas a fim de se maximizar a produção dessas olefinas. O processo de craqueamento catalítico em leito fluidizado (FCC) é um processo de conversão de frações pesadas amplamente utilizado na Petrobras, além de ser o provedor preferencial de gasolina, é também uma fonte importante de hidrocarbonetos leves, tais como gás liquefeito de petróleo (GLP) e olefinas de alto valor agregado. Neste trabalho, uma prospecção da demanda de olefinas leves, eteno e propeno, mostra a necessidade de investimentos em processos alternativos para produção dessas matérias-primas petroquímicas, incentivando assim o estudo de alternativas ao processo de FCC convencional que permitam a maximização da produção dessas olefinas. No presente trabalho serão apresentadas as principais fontes de matérias-primas petroquímicas, as tecnologias do processo de FCC convencional, no que diz respeito às condições operacionais utilizadas e às suas potencialidades para o aumento de oferta de olefinas leves. Será apresentada também a rota catalítica utilizada nas unidades de FCC industriais destinadas à produção de olefinas leves, a partir da utilização de um aditivo à base de zeólita ZSM-5.
A nova integração refino-petroquímica:
oportunidades e desafios para a petroquímica brasileira
Introdução

A integração entre refino de petróleo e produção de petroquímicos é tema recorrente na área de processamento de petróleo, com o objetivo de aproveitar as sinergias existentes nessas atividades. Podemos citar como exemplos de integração o desenvolvimento de unidades de reforma para a produção de aromáticos em refinarias, o aproveitamento de correntes de refinarias como matéria-prima para a produção de olefinas em plantas petroquímicas e a otimização das unidades básicas de craqueamento térmico, catalítico e reforma, visando a maximização do uso das correntes de hidrocarbonetos.

Essa inter-relação tradicional vem se intensificando e têm sido identificadas por diversos autores, como Martino e Van Wechem (2003) e Johson et al (2002), novas oportunidades de integração relacionadas a diversos fatores.

Em resumo, o presente artigo pretende analisar as motivações existentes para a integração das atividades de refino e petroquímica e os reflexos dessa estratégia para a indústria petroquímica no Brasil.
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