Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 79 – Abril de 2003
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Conheça mais detalhes da automação da Nova Anchieta
* Estamparia e Armação da Carroceria

O Tailored Blank e Patchwork, sistemas que utilizam solda a laser, são as principais novidades da Estamparia. Utilizados em peças internas como bandejas e longarinas, eliminam operações que antes podiam redundar em falhas, prolongam a durabilidade das peças, reforçam a resistência e segurança do produto final e, no caso do tailored blank, ajudam a economizar combustível por meio da redução do peso do veículo.

O tailored blank permite que se produza uma única chapa totalmente plana mas com espessuras diferentes. As partes são juntadas umas às outras com solda a laser nas extremidades e a estampagem da peça é realizada após a emenda.

O patchwork é empregado em peças que precisam de reforço em alguma parte. Neste caso, uma chapa é soldada a laser e sobreposta à outra. A estampagem da peça é feita a seguir. No sistema anterior, com soldagem tradicional, era preciso estampar as duas chapas separadamente e a emenda também apresentava risco de corrosão.

A Armação da Carroceria recebeu um investimento de R$ 300 milhões e foi a área mais robotizada da Nova Anchieta.

* Pintura

Duas novas linhas automatizadas, que aplicam tinta na parte externa da carroceria, estão entre as novidades da Pintura. São tecnologias para melhorar a qualidade do acabamento, reduzir nível de sujeira e também de consumo de materiais. Os equipamentos são integrados a um secador de tintas que funciona com sistema de pós-queima e protege o meio ambiente, reduzindo em 99% a emissão de solventes na atmosfera.

Foi instalado o wachs fluten, novo método de aplicação de cera anti-corrosiva nas cavidades do carro. Em conjunto com outros equipamentos e processos, o sistema possibilitará à montadora ampliar o prazo de garantia contra a corrosão cosmética e perfurante.

Os empregados da Pintura da Nova Anchieta já utilizam palm tops para controlar a produção, qualidade e consumo diário de materiais. Um microscópio eletrônico que amplia as imagens até mil vezes, detectando tudo o que o olho humano não vê, auxilia no controle de qualidade. Esses processos avançados não apenas dão agilidade à tomada de decisão, como são essenciais para a identificação de problemas, permitindo correções imediatas.

O nível de limpeza do ambiente é tão elevado que os pintores passam por duas câmaras com jatos de ar ionizado antes de iniciar a execução de suas tarefas. Os jatos limpam e descontaminam seus uniformes em apenas 20 segundos, evitando que fibras se soltem do tecido e causem problemas à pintura. O próprio tecido dos uniformes é especial, adequado a esse processo de limpeza.

Uma das funções dos robôs, na área da pintura, é colar uma manta especial no teto dos veículos, que garantirá maior segurança aos novos produtos.

* Montagem

O novo processo da última etapa de produção, a montagem, está dividido em 26 módulos, com alguns fornecedores atuando dentro da própria fábrica. A produção é gerenciada pelo FIS (Sistema de Informações de Fabricação). Ele atua como um gerente virtual, que armazena e coordena os pedidos feitos à fábrica pela rede de concessionários e depois determina quais modelos, versões e quantidades devem ser produzidos. Ele também se encarregará de enviar pedidos de peças aos fornecedores à medida em que a linha de produção precisar ser abastecida.

Os fornecedores entregam na Nova Anchieta os módulos já prontos da parte inferior do carro (transmissão, motor, alavanca de mudanças, escapamento, tanque de combustível e eixo traseiro) para que sejam instalados na carroceria como um conjunto.

Os empregados - equipados com palm tops - executam suas tarefas sobre uma esteira rolante que os poupa de deslocamentos na linha. Ao mesmo tempo, eles são beneficiados por transportadores de carrocerias – os Elefantes: equipamentos ergonométricos que se ajustam tanto à altura do empregado como da operação.

* Logística

A Nova Anchieta agrega um sofisticado sistema de logística que, além do just-in-time e do kan ban, métodos difundidos no Brasil, tem como novidade o Milk Run. Trata-se de um processo inspirado na tradicional coleta de leite nas fazendas, no qual os caminhões recolhem galões que são deixados na porteira. No caso da Volkswagen, caminhões de uma transportadora contratada pela companhia irão percorrer centenas de quilômetros, em vários Estados, para coletar suprimentos dos produtos da Nova Anchieta diretamente nas fábricas dos fornecedores. O Milk Run reduz os custos de todo o processo logístico e também a movimentação de caminhões dentro da fábrica.

Além disso, oito empresas, que empregam 500 pessoas, formam o grupo de fornecedores que alimentam, em tempo real, a linha de montagem da Nova Anchieta; sete delas instaladas em áreas da própria Volkswagen. A Faurecia (painéis de instrumentos e revestimentos de portas), a Goodyear (pneus e rodas), a Brose (agregado de porta), a Kroschu (chicotes), a KMAB (componentes de chassi), a Kautex (tanque de combustível), a Arvin-Meritor (escapamento) e a Quasar (pedaleira).

Somente 15% das peças consumidas pela nova linha de montagem da Nova Anchieta são importadas: 7,5% principalmente da Europa e 7,3% dos países do Mercosul; as 85% restantes são fabricadas no Brasil. Metade desse volume é proveniente do Estado de São Paulo. Minas Gerais e Paraná são outros dois Estados que se destacam pelo volume de fornecimento de peças à Nova Anchieta.
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