| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 79 Abril de 2003
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TOP 2002
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| Passos firmes, superando metas |
| Lorenzato: “procura por novos mercados abriu leque de aplicativos”
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Exportando 35% de sua produção — sem contar a mão-de-obra alocada
em projetos no exterior — e produzindo 98% do que vende, a Smar cresceu
um pouco mais que os 15% previstos em sua meta anual, com forte presença
nos setores de petróleo e petroquímica. “Nascidos no setor sucroalcooleiro,
fomos procurando novos mercados. Por isso abrimos o leque de aplicativos
porque, em setores diferentes do de álcool e açúcar, as malhas podem
ser semelhantes — como numa fábrica de papel — ou completamente diferentes
— como numa refinaria”, comenta Paulo Saturnino Lorenzato, diretor
comercial da Smar, lembrando, contudo, que a capacitação vem antes,
com engenharia de aplicações forte e engenheiros que conheçam os processos
para elaborar os aplicativos. A empresa, hoje, exporta homem/hora
e já teve pesquisadores seus levados para fora do país. A Smar possui
subsidiárias na Alemanha, França, Cingapura, China, Argentina, México,
Oriente Médio — em fase de implantação — e nos EUA — duas em Houston
e uma em Nova York.
Um programa de vinte anos mantém a atualização dos funcionários da
Smar, através de um grupo de cerca de 80 engenheiros (de engenheiros
seniores com mais de 20 anos de casa a recém-formados) ligados ao
departamento comercial e encarregados de supri-lo de informações.
Os engenheiros da empresa conhecem todas as tecnologias, desde o 4-20mA,
passando pelo Hart, Fieldbus Foundation, Profibus, Devicenet e outras.
Mas sempre buscando especializar sua mão-de-obra antes que o cliente
tenha a necessidade. “Quando se discutiam ainda os fundamentos do
Fieldbus Foundation, por volta de 1984, a Smar já possuía uma planta
comercial rodando. O FF virou padrão de fato apenas quatro anos depois,
mas já tínhamos gente capacitada, treinada e clientes operando”, lembra
Lorenzato.
A equipe de Pesquisa e Desenvolvimento — com mais de 110 pessoas —,
sob o comando de Libânio, possui um treinamento muito profundo, onde
o desenvolvimento acadêmico é estimulado — existem mais de 30 doutores
e mestres. Esta tem a responsabilidade de gerar produtos para a Smar
comercializar. Só para se ter uma idéia do nível de produção, do começo
do Fieldbus Foundation até a criação da Foundation Fieldbus e conseqüentes
normatizações — período relativamente curto, de cerca de 5 anos —
esse pessoal gerou 12 milhões de linhas de softwares, escritos no
Brasil, não copiados. A partir daí, a empresa é, hoje, a maior geradora
brasileira de patentes nos EUA, nesse segmento.
“Mas essa sempre foi nossa filosofia, isso não é novo para a Smar.
Temos experiência de sistemas — começamos fazendo sistemas de controle
de caldeiras no setor sucroalcooleiro —, ainda que sejamos conhecidos
como fabricante de transmissores — linha líder e consolidada, entre
60 outras”, pontua o diretor comercial. O que é relativamente novo,
cerca de três anos, é a capacitação e conseqüente sucesso em concorrências
para implantar sistemas em plataformas, em regime turn key. Lorenzato
lembra que a Petrobras e outros players monitoram a vida útil de seus
equipamentos — cerca de 20 anos — então, a maioria das plataformas
brasileiras já está completando um ciclo. Entre os recentes fornecimentos
para o setor de petróleo, a empresa está responsável pela automação
da plataforma de Merluza, ligada ao ativo-sul. Segundo o diretor da
empresa, é uma atualização dos equipamentos, da instrumentação (campo)
e da automação (controle). “Só isso já faz com que essa plataforma
produza de 20 a 30% a mais, com custo mais baixo. Sem um up grade,
ela morreria já que os custos de extração, de segurança e de manutenção
seriam proibitivos”.
Em 2002 a Petrobras foi um dos principais focos da Smar que, encontrando-se
preparada para atender a estatal, participou de várias concorrências.
As mudanças de filosofia do governo também ajudam a parceria, pois
a determinação é que se compre preferencialmente de empresas nacionais
ou que fabriquem no país. A empresa está em todos os vendor list da
Petrobras, que padronizou o Fieldbus Foundation como barramento na
instrumentação. Como resultado, em 2002, a Petrobras tornou-se um
dos 5 grandes clientes da Smar — empresas que, como a Petrobras, querem
estado da arte em tecnologia, qualidade de produto, índice zero de
falha, porque seu investimento é para 20, 30 anos. E o serviço deve
ter padrão compatível, ou seja, cada grande cliente esboça o atendimento
que julga mínimo e o que considera ótimo. É importante, também, produzir
no país, não apenas ser um representante, é preciso gerar emprego
aqui — e pouco mais de 1% é importado na Smar já que até a engenharia
do chip é feita aqui. Conta muito, hoje, para os grandes clientes,
ter consciência ambiental e ter participação social.
Na Smar, a Petrobras é atendida por várias pessoas, desde Porto Alegre
até Urucu, ainda que operacionalmente, exista uma grande conta. A
estatal também começa a exigir produção nacional de pelo menos 60%.
“Estamos preparados e quem não se enquadrar vai perder essa conta,
até mesmo em commodities, como válvulas, por exemplo. Mesmo grupos
internacionais estão se preparando, veja o Grupo Dresser — que montou
fábrica em Jacareí; a Hiter é outro bom exemplo”, afirma Lorenzato
que defende a decisão da estatal ponderando que o custo dos produtos
nacionais é competitivo. Segundo ele, uma válvula com instrumentação
inteligente, em Hart e Fieldbus, feita no Brasil, tem preço e qualidade
imbatíveis. Em tecnologias mais antigas, porém, essa posição fica
afetada já que as empresas nacionais, como a Smar, começaram buscando
liderança no estado da arte. “Fomos os primeiros a fabricar transmissores
microprocessados, e somos os primeiros a fabricar Fieldbus. Com válvulas
e posicionadores posso dizer que temos competitividade até para exportar”.
Com vistas ao mercado externo, a Smar já se faz presente no Mercosul
e nos diversos blocos comerciais, garantindo posição. Para isso, tem
se preparado para atender as exigências dos diversos mercados, como
o que acontece na Alemanha, por exemplo, onde as empresas pedem o
Profibus. Para Lorenzato, adotar uma tecnologia “concorrente” não
afeta negativamente a imagem de uma empresa. Para a Smar, estar apta
a trabalhar com outros protocolos é um diferencial positivo. Vale
o mesmo no caso do acordo com a Rockwell, envolvendo a tecnologia
Fieldbus Foundation: um usuário de Devicenet, por exemplo, pode até
se surpreender mas, no longo prazo, ele percebe que ganha, afinal,
todo usuário quer que seu fornecedor possa oferecer o maior número
possível de tecnologias abertas. No caso, a Rockwell não abriu mão
de seu barramento proprietário, apenas escolheu um parceiro que a
auxiliasse a queimar etapas para oferecer o Fieldbus Foundation. E
conseguiu desenvolver suas interfaces e treinar seu pessoal em um
ano.
A Smar tem, de fato, ampliado sua área de atuação e, hoje, vende tecnologia,
commodities (transmissores, controladores, etc), engenharia de aplicação
e de sistemas, software, homem/hora e periféricos gráficos. Além das
oito filiais espalhadas pelo Brasil, com funcionários próprios, conta
com uma força de representantes e integradores prestadores de serviços
e parceiros institucionais. Com essa base, a meta de crescimento anual
da Smar é de 15%, alcançada em 2002, um ano atípico de (des)valorização
do dólar — cerca de 54% de jan/2002 a jan/2003. Usando a conversão
para o real, os valores de 2002 ultrapassam, em muito, os 15% propostos,
algo em torno de 150 milhões de reais. “Alguns produtos venderam mais
de 50% em relação ao ano anterior. Vendemos, também, muito serviço
— por conta da instalação dos skids para medição de produção de gás
e óleo para pagar royalties. Somos pioneiros na fabricação de skids
para óleo”, comenta Lorenzato.
Mas, se 2002 foi bom em geral, o mercado está comprando tecnologias
mais modernas, como será o próximo ano? A Smar projeta um ano igual
a 2002, com dólar estável e, se as reformas saírem de forma a privilegiar
quem produz no Brasil, quem gera emprego, outras reformas virão e
os negócios devem melhorar. Quanto a demora em fechar contratos —
a fase de estudar as propostas está se alongando — a Smar não estranha
porque, segundo o diretor comercial, sempre trabalhou com orçamentos
apertados e vende onde é competitiva. “A gente gosta desse ambiente
que está sendo implantado. O cliente procura quem possa destrinchar
a tecnologia. Antes, ele tinha sua equipe de engenharia e manutenção.
Nos últimos 5 anos, a situação no Brasil quase dizimou esses departamentos
— salvo exceções. Se o cliente tem um projeto, uma atualização, tem
que buscar informações e opta pelo mais moderno e pelo melhor atendimento.
Ele se cerca de assessores que o representam, e não de fornecedores”.
Como as empresas mais modernas, que sabem que são organismos vivos,
têm vida própria e movimento, envolvem-se com a comunidade, a Smar
tem buscado um maior comprometimento social, uma imagem institucionalizada
de seu relacionamento com a comunidade. Criou um projeto simples de
comunicação com o mercado e de envolvimento com a comunidade e com
os funcionários. Esse programa gerou o Smar Collection, implantado
no segundo semestre de 2002 como teste, numa feira local, a Fenasucro,
e que hoje, é um programa mundial para todas as unidades da Smar.
Ele consiste em criar um envolvimento dos funcionários com a comunidade
local, através de marketing e outros aspectos não tecnológicos. Em
cada lugar onde a Smar tem participação, identifica entidades que
trabalham diferentes aspectos sociais e escolhe uma, de comprovadas
credibilidade e participação/envolvimento social. O programa cadastra,
analisa (inclusive com a assistência social do governo local) e adota
a entidade como parceira do programa Smar Collection; e identifica
funcionários que queiram ser voluntários tanto para operar o programa
como para colaborar com as entidades. A empresa disponibiliza toda
a massa de brindes em que se investe durante o ano e aloca esse valor
no programa. Enviam-se os brindes (hoje em torno de 40 produtos diferentes)
para as diversas unidades da Smar e o recurso líquido é distribuído
entre as entidades de forma proporcional.
“Quem compra não paga nada a mais; o fabricante do brinde abriu mão
de uma porcentagem de seu lucro para apoiar o programa — que é fácil
de executar: idealizamos em setembro e em outubro estava rodando.
Cada pessoa que colabora, sente isso de uma forma muito nova e especial:
dar um real por uma caneta-brinde para participar de obras sociais
não é nada e ele recebe um informativo sobre a entidade que está sendo
ajudada”, afirma Lorenzato. Vários clientes e mesmo concorrentes já
solicitaram o método do programa, que já ganhou alguns prêmios no
Brasil e está concorrendo ao LIF do consulado francês. Se for copiado,
ótimo! |
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