| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 80 Maio de 2003
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Cover Page
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| Sistema de manutenção preditiva
remota |
Durante o Altus Partners, realizado em maio passado com os parceiros
da Altus, uma das palestras mais concorridas foi a de Carlos Henrique
Hennig, Gerente de Tecnologia da Coester Automação SA. Segue um resumo
do que foi discutido. Sabemos que as maiores perdas em uma indústria
de processo estão nas paradas não programadas. Então, a capacidade
de “prever” ou reduzir estas paradas traz ganhos econômicos importantes.
A manutenção preditiva permite alertar para a maioria dos problemas
antes que eles aconteçam a fim de minimizar os impactos no processo.
É possível também, eliminar com segurança parte das manutenções periódicas
e reduzir o capital investido em sobressalentes. A manutenção preditiva
remota evita, ainda, que o usuário mantenha pessoal técnico com grande
conhecimento em manutenção do produto, transferindo esta responsabilidade
para o fabricante. Importante porem, é deixar claro que este tipo
de manutenção não vai eliminar os defeitos. O fator importante neste
sistema é mudar a cultura de reparo para aumento de disponibilidade.
Todo o enfoque da manutenção, atualmente, está na sua participação
desde o projeto – seja de um equipamento ou de uma planta. Isso acontece
porque a alta disponibilidade é palavra de ordem, logo, em qualquer
fase – engenharia, instalação ou operação – é primordial a escolha
correta de um produto adequado ao regime e condições de trabalho.
Muitos problemas de manutenção acontecem porque o equipamento não
foi selecionado adequadamente – foi sub ou sobre dimensionado. No
caso de sub dimensionamento, o equipamento em si é afetado em sua
vida útil e o tempo médio entre falhas calculado fica seriamente comprometido
tornando-se um equipamento que necessita intervenções em períodos
menores do que os previamente estipulados; no caso do sobre dimensionamento,
esse problema recai sobre os outros equipamentos do processo. A integração
entre equipamentos é importante e o dimensionamento correto de cada
um, fundamental. Os aspectos de instalação e operação partem do princípio
de que cada escolha seja feita de acordo com o recomendado pelo fabricante,
respeitando as limitações de cada equipamento.
E, para fins de manutenção, consideramos fundamental a possibilidade
de coletar automaticamente os dados da operação do produto. Isso seria
inviável de modo manual pelo número de equipamentos normalmente envolvidos
em um sistema complexo. Na verdade, este processo de coleta é feito
utilizando os recursos disponíveis em uma instalação onde os equipamentos
já são ligados em rede e o processo de controle é automatizado, ou
seja, com uma infra-estrutura já existente. Portanto, nada é agregado
em termos de hardware para a coleta de dados; para a análise dos dados
coletados é que pode ou não existir um processo automático.
E quem faz a manutenção? O usuário de um equipamento, normalmente,
é especializado no seu processo, conhece a fundo as variáveis envolvidas
no controle e para ele o equipamento é apenas uma ferramenta. Já o
especialista no produto – normalmente alguém de suporte da fábrica
–, conhece o produto com detalhes, suas deficiências e aplicações
corretas; sabe como o produto se comporta em determinadas condições
e como está seu desempenho em toda a faixa de operação. Para ele,
é possível diagnosticar se o produto ou muitas vezes o sistema como
um todo, está funcionando em perfeitas condições ou se apenas um pequeno
ajuste pode evitar uma parada no processo daí a algum tempo. Ele também
pode acompanhar o desgaste do equipamento e programar uma eventual
manutenção em uma futura parada programada do processo.
Estes conhecimentos são próprios de pessoas com profundos conhecimentos
e experiência no produto, e não de usuários. Muitas vezes, o especialista
no produto recorre ao usuário para obter maiores detalhes sobre o
ambiente no qual o produto opera para poder diagnosticar com mais
facilidade eventuais desvios nos dados coletados durante a operação
normal. Desta forma, o melhor é uma “parceria” entre usuário e especialista
na solução dos problemas relativos a manutenção.
Vale acrescentar que é importante uma clara separação entre controle
e manutenção, mesmo com equipamentos inteligentes na planta. Com isso
queremos dizer que existe uma diferenciação no tratamento dos dados
de controle e manutenção durante a comunicação entre os elementos
de campo (equipamentos) e o concentrador ou CLP. Os dados de controle
têm prioridade no tráfego da rede enquanto os dados de manutenção
são enviados dos dispositivos para um concentrador, CLP ou até o equipamento
de análise nos intervalos ociosos da rede. Importante salientar o
uso de protocolos de comunicação abertos e de alto desempenho para
conseguir estes “tempos ociosos”. Em protocolos onde o desempenho
do sistema já está totalmente comprometido com os dados de controle,
o tráfego dos dados de manutenção não é possível.
Então, a manutenção puramente corretiva, hoje, é um risco alto demais.
A preditiva – ainda pouco explorada – deve ser baseada na condição
real do equipamento para se ter uma clara evidência da necessidade
de alguma intervenção. Essa condição é obtida no campo, com o auxilio
de testes não invasivos, para se chegar às reais nas condições de
uso e operação.
Aqui, denominamos manutenção remota o fato de os dados coletados pelos
equipamentos serem transferidos para a fábrica para que especialistas
no produto possam analisar os dados e verificar a necessidade de alguma
intervenção de manutenção ou algum ajuste nos parâmetros de configuração
do produto para um perfeito funcionamento do sistema. Este processo
remoto tem sido feito, por exemplo, em uma refinaria de Petrobras
com o auxílio de uma conexão de dados via Modem que apenas coleta
arquivos de dados e não permite ao técnico acesso ao processo. Já
existem algumas boas empresas prestando esse serviço aos seus clientes,
vencendo, assim, a barreira cultural de que acessos remotos não seriam
seguros. Para facilitar isso, existe sempre a possibilidade de a manutenção
remota apenas dar uma indicação para o pessoal do campo. No caso de
softwares, a manutenção remota – e conseqüente solução das falhas
– já é uma realidade corporativa, que começa a acontecer em plantas
industriais. |
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