Edição 234 – Fevereiro de 2002

Eles são TOP
Politeno: pela segunda vez seguida Finalista do PNQ

Petrobras, El Paso, OPP, Rohm and Haas, Politeno e MPE são as empresas vencedoras do Prêmio TOP 2001. De acordo com pesquisa realizada pela Editora Valete junto aos leitores da Revista Petro & Química, as seis empresas foram as companhias que mais se destacaram em seus setores, no ano passado.
Criado há 11 anos, o objetivo do Prêmio TOP é retratar ao mercado as melhores filosofias empresariais – que resultam em reconhecimentos como o próprio TOP – e também estimular as empresas vencedoras a perseverar com suas políticas de qualidade. “As empresas premiadas são organizações que têm a qualidade, a tecnologia e o desenvolvimento como fonte de inspiração para agregar valor ao seu trabalho, seus clientes, acionistas e funcionários”, sintetiza Waldir Freire, diretor-presidente da Editora Valete.
Para chegar aos nomes das premiadas, a Editora Valete realiza uma enquete, baseada na opinião e experiência do público leitor, sobre quais as empresas que se destacaram nos segmentos de petróleo, gás, petroquímica, química e fornecedores de bens e serviços. A votação é realizada através dos sites da própria revista (www.petroequimica.com.br) e do Clube do Petróleo e Gás (www.clube-do-petroleo-e-gas.com.br). onde estava disponível uma cédula de votação. “Através de uma pesquisa de mercado, chegamos aos três nomes mais votados, que são submetidos a um conselho editorial, reunindo a diretoria e a redação da Editora, mais várias personalidades de destaque no setor, para elegermos o TOP do ano”, explica Waldir Freire.
A Petrobras foi escolhida como o destaque na categoria petróleo. A maior empresa brasileira está cada vez maior: em 2001 apresentou um lucro de R$ 9.867 milhões – apenas 0,75% menor que o lucro recorde de R$ 9.942 milhões apresentado no ano 2000 – mas sua receita operacional líquida cresceu 16% e os investimentos aumentaram em 31% em relação ao balanço anterior.
O resultado financeiro bem que poderia ter sido bastante superior não fosse a queda registrada nos preços internacionais de petróleo no ano passado. Durante o ano, a empresa bateu recordes de produção – nos últimos dias do ano, o pico de produção chegou a 1.568 mil barris diários. 81% dessa produção é tirada de campos localizados no mar, principalmente em lâminas d’água superiores a 400 metros. E quando o assunto é produção offshore, a Petrobras detém a liderança tecnológica – no ano passado a empresa recebeu, pela segunda vez, o Prêmio conferido pela Offshore Technology Conference, pelas inovações aplicadas no projeto de desenvolvimento do campo de Roncador, na Bacia de Campos.
2001 foi um ano de consolidação do planejamento estratégico implantado por Henri Philippe Reichstul. “A companhia, sob liderança de Philippe e de sua equipe se reformulou e se modernizou, já se preparando para enfrentar uma nova realidade de mercado”, avalia o atual presidente da companhia, Francisco Gros.
Se a imagem que mais marcou o ano foi a perda da plataforma P-36, seria uma injustiça não lembrar que a empresa contabilizou resultados positivos também nas relações com parceiros e no mercado externo.
“A Petrobrás, hoje, é uma empresa multinacional. É uma das sete maiores do mundo. É uma empresa pública, controlada, funciona com independência do setor político”, disse o presidente da República Fernando Henrique Cardoso, no discurso de balanço dos sete anos de seu governo.
Fernando Henrique lembrou ainda a atuação da empresa frente a abertura de mercado. “Estamos produzindo este ano 1.520.000 barris, em média, por dia – em janeiro, já atingiu isso. Quer dizer, estamos a um passo da auto-suficiência. E, agora, com muitas empresas competindo, a Petrobras continua liderando porque é competente, têm técnicos bons, o Governo é sério, não interfere. Ela nunca foi tão capitalizada como é hoje e nunca gerou tanto recurso para o setor público como gera hoje”.
Na categoria Gás, o destaque foi a El Paso. Num ano marcado pelo problema com a concorrente Enron, a empresa norte-americana investiu em toda a cadeia do gás natural, desde a exploração até a geração de energia termelétrica. Hoje, a El Paso tem concessões para exploração de gás no país, e participa do transporte do produto. No rastro da abertura do setor de combustíveis, a empresa criou uma unidade de negócios dedicada à importação de derivados. E, além de inaugurar a usina termelétrica de Macaé Merchant, registrou seis novas usinas no Programa Prioritário de Termeletricidade. “A El Paso quer ter um portfólio integrado na área de gás e energia no Brasil”, disse o vice-presidente da empresa, Roberto Almeida.
A El Paso explora blocos de petróleo e gás em várias bacias brasileiras, algumas delas pertencentes à Coastal – empresa com a qual se fundiu. O campo mais adiantado é o de Pescada Arabaiana – no Rio Grande do Norte, que produz diariamente 25 mil barris de petróleo e 700 mil m³ de gás natural. No Estado, a empresa tem projetos para atuar integrando exploração, transporte e geração de energia termelétrica, em uma usina construída em parceria com o Governo do Estado e a Potigás.
No transporte de gás, a empresa detém uma fatia de 9,7% do Gasoduto Bolívia-Brasil, e vem trabalhando com a Petrobras para desenvolver um gasoduto ligando Urucu a Porto Velho – onde está localizada uma de suas usinas termelétricas.
Obter gás para construir usinas termelétricas é o desafio para a empresa. Em meio à crise energética, a El Paso tocou uma série de investimentos em usinas termelétricas – daí a necessidade de garantir o insumo para geração de energia. Na terceira rodada do Leilão da ANP, o foco da empresa foram os blocos onde são maiores as perspectivas de encontrar gás natural.
No ano passado a empresa inaugurou a primeira fase da usina termelétrica Macaé Merchant, na região norte fluminense, um investimento de US$ 600 milhões. Em março deste ano, com a entrada em operação de todas as 20 turbinas, a usina irá gerar 870 MW. A empresa, que já opera as usinas Termonorte I e II, investirá em novas termelétricas no Rio de Janeiro, Vitória e Manaus – ainda neste semestre deverá ser inaugurada a usina de Araucária, no Paraná, a quarta da empresa. “Estamos atravessando um período importante no Brasil: a chegada da geração termelétrica a gás natural”, avalia o vice-presidente.
A última cartada da El Paso foi a criação de uma unidade de negócios dedicada à importação de derivados para o Brasil. O objetivo é trazer nafta, gasolina, óleo diesel e querosene de aviação produzidos pela refinaria localizada em Aruba – no mês passado a empresa vendeu um carregamento de 31 mil toneladas de nafta para a Copesul. “A abertura do setor downstream é um passo importante que o país está dando”, finaliza Almeida.

Setor químico esboça mudança
Dois assuntos deram a tônica no setor químico durante o ano 2001: o déficit na balança comercial e a reestruturação da Copene. No segundo caso, o maior grupo petroquímico privado nacional – o grupo Odebrecht – consolidou ainda mais sua posição de liderança. Em leilão realizado em julho, a Sociedade de Propósito Específico criada pelos grupos Odebrecht e Mariani arrematou a participação de 23,73% que a Econômico S/A Empreendimentos possuía na Conepar – e na Copene – dando um importante passo para a dissolução da complexa composição societária característica do setor petroquímico nacional.

Guillermo Novo: plano agressivo da Rohm and Haas
Segundo Álvaro Cunha, presidente da OPP – braço petroquímico do grupo Odebrecht – o objetivo será formar uma empresa única, de capital aberto no pólo petroquímico de Camaçari, envolvendo Copene, OPP, Trikem, Polialden e Proppet. “Vamos passar por um processo de integração das empresas envolvidas, para formar uma grande companhia petroquímica”, disse Cunha, logo após o leilão.
A Braskem, que deverá ser o maior negócio petroquímico da América Latina, começa a ser formalizada. O início da operação, na previsão do diretor de Relações Institucionais, Alexandrino Alencar, deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2002.
A OPP é uma das empresas nacionais que mais investem em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. O orçamento anual para pesquisa está na casa das dezenas de milhões, desde o desenvolvimento de sistema catalítico até controle de processo. O objetivo é proclamar a independência tecnológica – ou a empresa investe, ou continua tendo que arcar com licenças tecnológicas.
A Politeno é Top pelo terceiro ano consecutivo – desta vez na categoria Qualidade. Em 2001 a empresa chegou pela segunda vez seguida à categoria de Finalista do Prêmio Nacional da Qualidade – PNQ, considerado o mais importante prêmio de reconhecimento à excelência empresarial no país.
No ano passado, a Politeno concorreu, com outras 29 candidatas, à avaliação da Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade. “Este ano os critérios do PNQ foram mais rigorosos. Se continuamos finalistas, é sinal de que evoluímos”, avalia Jaime Sartori, superintendente da empresa.
Desde 1994, com a troca na direção da empresa, a Politeno decidiu implantar uma filosofia empresarial voltada para a Qualidade Total, visando dar um salto de excelência nos seus processos e resultados. O primeiro passo foi a certificação ISO 9000, que implantou procedimentos para garantir ao cliente a qualidade do produto que estava adquirindo. Como apenas a ISO 9000 não era suficiente para a excelência dos processos da Politeno, a diretoria decidiu pela adoção do modelo de Gestão pela Qualidade Total, designado internamente de Qualidade Total Politeno – QTP.
Para Sartori, sem o envolvimento de todos os setores da fábrica, esta conquista não seria possível. “O ponto forte da Politeno é a união da equipe. O fato de recebermos vários prêmios, como reconhecimento de nosso trabalho, dá a motivação ao pessoal. Este é o terceiro ano que a empresa se candidata ao PNQ e o pessoal da Politeno pediu que avisasse ao Presidente que no próximo ano, ele irá nos entregar o prêmio”.
O interessante é que os reconhecimentos ocorrem apesar das indefinições no controle acionário da empresa. Os sócios Suzano, Sumitomo, Itochu e o consórcio Odebrecht/Mariani ainda não definiram uma solução definitiva. Estar integrada na nova estrutura da Copene poderia ser um bom negócio para a Politeno. Já o Grupo Suzano poderia transformá-la em uma companhia que abrigue as operações de polietileno do grupo, englobando os ativos que o grupo possui no Pólo Gás-Químico do Rio de Janeiro. Por limitações no suprimento de eteno – sua principal matéria-prima – a produção atual é de 330 mil toneladas/ano, embora a Politeno tenha capacidade para produzir 340 mil toneladas/ano de polietilenos.
A categoria Química ficou com a Rohm and Haas. Desde 1999, quando a empresa de especialidades químicas pôs em marcha seu novo planejamento estratégico, o objetivo tem sido bastante claro: ser a número um nos segmentos em que atua. “Temos um plano bastante agressivo para crescer e este prêmio realça que estamos fazendo a coisa certa e nossos clientes estão reconhecendo”, avalia Guillermo Novo, vice-presidente da empresa para a América Latina.
Primeiro foi a aquisição da Morton International, uma empresa que agregou à Rohm and Haas o negócio de adesivos e selantes. Em seguida as negociações se voltaram para a compra de empresas formuladoras de biocidas – dentre eles a suíça Acima. Um desses investimentos está se concretizando no Brasil: a unidade de adesivos à base de poliuretano e poliéster, que está sendo construída em Jacareí, um investimento de US$ 15 milhões. “Nos últimos anos estamos investindo pesado para crescer na América Latina. A região é um mercado importante para nós, e vamos continuar investindo, porque possuímos muitas tecnologias que ainda não têm presença aqui na região. Na área de emulsões, temos agora fábricas no México, Colômbia, Brasil, e também na Argentina. Isso já foi feito, e estamos com uma posição bastante sólida”, conta Guillermo.
No ano passado, a Rohm and Haas lançou-se ao e-commerce para seus negócios na América Latina. Numa primeira fase, os clientes brasileiros – e já a partir deste mês os mexicanos – poderão acessar o catálogo de produtos da empresa, fazer compras e realizar consultas sobre contas a pagar.
Equipe da MPE trabalhando em plataforma da Bacia de Campos
A competitividade de um segmento também depende de seus fornecedores
Os investimentos em vários projetos de montagens e manutenção de sistemas industriais e de infra-estrutura reforçaram o portfólio de obras do grupo MPE. Dono de companhias de engenharia, serviços industriais e produção agropecuária, o grupo tem em sua carteira a manutenção de plataformas da Petrobras e obras na geração e distribuição de energia.
O grupo se reestruturou em 2001, criando duas holdings. Uma volta para engenharia, serviços e indústria, além de participações em empresas de ferrovias e energia, e outra para gerir o setor de agronegócios, que inclui empresas de criação de camarão e tilápias, na Bahia, suínos e gado de corte no Mato Grosso e Rio de Janeiro, além de produção de soja, algodão e milho, também no Mato Grosso, e frutas e sucos, no norte do Estado do Rio. “O crescimento do grupo como um todo mostra resultados positivos e nos dá a certeza que os próximos anos serão bastante produtivos.
O grupo tem participado ativamente do desenvolvimento da infra-estrutura brasileira. Temos em nossa meta a busca de resultados melhores para engenharia nacional”, explica Luis Cláudio Santoro, presidente da MPE. O grupo realiza grandes obras, como a montagem da Usina Termelétrica da Refinaria Alberto Pasqualini – Refap, que vai gerar 160 MW. Em parceria com a Setal, irá construir três unidades da Refinaria Duque de Caxias – Reduc. Cada unidade vai tratar um resíduo proveniente da retirada de enxofre do óleo bruto – águas ácidas, gases e o próprio enxofre.
A estratégia da empresa também será privilegiar os serviços de manutenção. A MPE possui contratos para fazer manutenção de redes de alta e média tensões da Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro – CERJ e da Companhia Energética do Ceará – Coelce. O grupo também vem negociando com a Petrobras e outros investidores a participação acionária em uma usina termelétrica a ser instalada no Rio de Janeiro.
“Para nós do Grupo MPE, ter esse reconhecimento como melhor empresa de serviço do ano, é uma grata satisfação. E é também um grande desafio, porque iremos trabalhar para melhorarmos ainda mais. Acreditamos que o respeito pelos nossos clientes, entendendo suas necessidades e trabalhando para contribuir com soluções, são alguns de nossos objetivos. Sempre temos desafios a vencer e queremos que os nossos clientes sejam os grandes beneficiados pelo nosso trabalho, pelo nosso empenho. Eu quero dividir este prêmio com cada um dos nossos funcionários, que contribuem no dia a dia para mais esta vitória”, conta Santoro.

Homenagens especiais
Neste ano, duas personalidades e uma entidade ligadas ao setor são homenageadas pela Revista Petro & Química. O primeiro é o ex-presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás e vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias Químicas, Otto Vicente Perrone, pelos inestimáveis anos dedicados à indústria petroquímica brasileira.
Luiz Carlos Delben Leite, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos também teve seus méritos, pelo constante trabalho junto ao setor de máquinas e equipamentos.
Mais uma vez, a DNV é destacada por seus serviços prestados em Análise de Risco e Confiabilidade e Certificação de Sistemas da Qualidade, Meio Ambiente e Materiais e Componentes.

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