Edição 234 – Fevereiro de 2002

MPE cria duas holdings, acerta em parcerias com clientes e investe em formação profissional
Santoro: crescimento do grupo mostra resultados positivos

O destaque que o Grupo MPE mereceu no ano de 2001, se dá devido aos investimentos em vários projeto de montagens e manutenção de sistemas industriais e de infra-estrutura que reforçam o portfólio de obras do grupo MPE. Dono de empresas de engenharia, serviços industriais e de empresas do setor agropecuário, o grupo tem ainda em sua carteira, a manutenção das plataformas da Petrobras e obras na geração e distribuição de energia.
Luis Cláudio Santoro, presidente da MPE, explica que o grupo se reestruturou em 2001, criando duas holdings. Uma voltada para engenharia, serviços e indústria, além de participações em empresas de ferrovias e energia, e outra para gerir o setor de agronegócios, que inclui empresas de criação de camarão e tilápias, na Bahia, suinos e gado de corte no Mato Grosso e Rio de Janeiro, além de produção de soja, algodão e milho, também no Mato Grosso, e frutas e sucos, no norte do Estado do Rio.
Com 14 anos de existência, um corpo técnico de 300 engenheiros e mais de seis mil funcionários, o grupo tem conseguido resultados altamente positivos a cada ano, como diz Santoro. “Realmente o crescimento do grupo como um todo mostra resultados positivos e nos dá a certeza que os próximos anos serão bastante produtivos. O grupo tem participado ativamente do desenvolvimento da infra-estrutura brasileira. Começamos o ano no dia 2 de janeiro mesmo, trabalhando duro. Temos em nossa meta a busca de resultados melhores para a engenharia nacional. Em 70, tivemos a década da produção. Na década de 80, tivemos uma recessão, que serviu para criarmos a experiência necessária. Nos anos 90, tivemos o momento da abertura, onde se demonstrou a capacidade de competir. E este momento agora é o de contribuir com o país”.
E é baseado na sinergia que ele pretende continuar alavancando o sucesso do Grupo MPE. Prova disso é a integração que a empresa vem fazendo com universidades para o desenvolvimento de melhores profissionais.

Engenharia e serviços
Na holding que abrange os setores de engenharia e serviços, o grupo tem as empresas MPE- Montagens e Projetos Especiais, a maior empresa do grupo, que atua nos setores de transporte, energia, petróleo off shore e on shore, aeroportos e saneamento; a Empresa Brasileira de Engenharia - EBE, adquirida há 10 dez anos, é uma das principais empresas de engenharia do Brasil. A EBE é responsável sozinha pela montagem da Usina Nuclear Angra I e liderou o consórcio de empresas que montou Angra II. Também tem em seu cartel, obras da importância de Brasília, CSN, Itaipu, das primeiras fábricas de automóveis do país e é responsável pela montagem de mais de 50 % das usinas elétricas e termelétricas brasileiras.
A Gemon e a CCR, são outras empresas ligadas a engenharia, especializadas em montagens e instalações industriais, como as obras realizadas em aeroportos brasileiros e as manutenções e instalações de linhas de transmissão e subestações de energia em vários estados, principalmente no interior do Rio de Janeiro e de todo estado do Ceará.
Além dessas empresas, também estão sob o guarda chuva da Holding de engenharia, as empresas industriais, como a MPE Painéis e Controles e Proteção, a EBSE, tradicional indústria de tubos e peças especiais e a fundição Nebraska.
O Grupo tem ainda uma participação igualitária com a Petrobrás e a Caterpillar, na empresa Brasympe, empresa de geração de energia à base de geradores a diesel, que atua nos estados do Espírito Santo, Sergipe e Alagoas. O grupo realiza grandes obras, como a montagem da Usina Termelétrica da Refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul – Refap, que vai gerar 160 MW. Em parceria com a Setal, irá construir três unidades da Refinaria Duque de Caxias – Reduc. Cada unidade vai tratar um resíduo proveniente da retirada de enxofre do óleo bruto – águas ácidas, gases e o próprio enxofre.
A estratégia da empresa também será privilegiar os serviços de manutenção. A MPE possui contratos para fazer manutenção de redes de alta e média tensões da Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro – CERJ e da Companhia Energética do Ceará – Coelce. O grupo também vem negociando com a Petrobras e outros investidores a participação acionária em uma usina termelétrica a ser instalada no Rio de Janeiro.
A empresa também cresce muito em Macaé. Além de ter seu foco voltado para a área de engenharia, a MPE, numa sinergia com a EBE, outra empresa do grupo, vem ampliando sua atuação na Bacia de Campos, afirma Luis Cláudio Santoro. A MPE já atingiu a marca de 2,5 mil funcionários atuando em Macaé e está buscando a certificação ISO 14000, podendo ser considerada toplist no mercado. A empresa tem participação na manutenção de algumas plataformas como Pargo, Enchova, Marlim, Pampo, P12, P17, Pólo Nordeste e em adequações de plataformas ao projeto PEGASO. Sua linha de serviços de montagens e manutenção para o setor de petróleo e petroquímica inclui serviços de elétrica, serviços de instrumentação e automação de processo, serviços de mecânica e calderaria, turn-keys de plantas e unidades, serviços off shore. Com seu crescimento, a empresa mantém hoje filiais em Duque de Caxias, Macaé, Santos, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Aracaju, procurando estar próxima aos centros produtivos da Petrobras e Pólos Petroquímicos.


Três vezes Politeno
Sartori: TOP pelo terceiro ano consecutivo

A Politeno é Top pelo terceiro ano consecutivo. Desde 1999 a empresa vem se destacando na produção de resinas petroquímicas. Este ano, o destaque se dá por seu envolvimento em qualidade. Em 2001 a empresa chegou pela segunda vez seguida à categoria de Finalista do Prêmio Nacional da Qualidade – PNQ, considerado o mais importante prêmio de reconhecimento à excelência empresarial no país.
Há dois anos finalista do PNQ, a Politeno ganha, no mínimo, vitrine e valoriza-se, acirrando a disputa entre os acionistas. “Esperamos que desta terceira vez que participamos, sejamos vitoriosos. Estamos constantemente estudando e aperfeiçoando nosso entendimento sobre os critérios do PNQ”, conta Jaime Sartori, superintendente da empresa.
No ano passado, a Politeno concorreu, com outras 29 candidatas, à avaliação da Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade. “O PNQ possui conceitos muito amplos, os critérios são rígidos e se apertam ano a ano, com as atualizações que colocam o PNQ em pé de igualdade com os prêmios que existem em outros países, fazendo de seus finalistas e vencedores, empresas de qualidade de nível mundial”, avalia Sartori.
Este ano, os planos da empresa estão centrados na certificação segundo as normas ISO 14001 (ambiental), e estudos sobre a NBR 18000 (saúde ocupacional), no enquadramento na versão ISO 9000:2000, e na conquista do PNQ. “Esperamos receber a visita dos auditores do BVQI no começo de março para concluir o processo de certificação para ISO 14001. É uma parte da continuidade dos trabalhos que corroboram nossa filosofia de qualidade, que teve início em 1994, quando fomos certificados pela ISO 9000”.
Desde 1994, com a troca na direção da empresa, a Politeno decidiu implantar uma filosofia empresarial voltada para a Qualidade Total, visando dar um salto de excelência nos seus processos e resultados. O primeiro passo foi a certificação ISO 9000, que implantou procedimentos para garantir ao cliente a qualidade do produto que estava adquirindo. Como apenas a ISO 9000 não era suficiente para a excelência dos processos da Politeno, a diretoria decidiu pela adoção do modelo de Gestão pela Qualidade Total, designado internamente de Qualidade Total Politeno – QTP.
A partir daí foram sendo implantados os diversos programas que compõem o QTP, visando as diversas dimensões da Qualidade como Padronização (ISO 9000), gerenciamento de resultados e melhoria contínua (gerenciamento da rotina, tratamento de anomalias, gerenciamento pelas diretrizes e planejamento estratégico), melhoria do ambiente de trabalho (5S), satisfação dos empregados (Pró-Vida e Participação nos resultados -PLR), desenvolvimento do trabalho em equipe (CCQ), métodos avançados de solução de problemas (Six-Sigma, Black-Belt) e busca da excelência (Critérios de Excelência do PNQ).
A empresa tem colocado em prática projetos que trazem altos ganhos para a qualidade e retorno financeiro expressivo. “Esse processo nos permite dar saltos de crescimento, superar limites de forma mais rápida”.

Recursos humanos
Para Sartori, sem o envolvimento de todos os setores da fábrica, esta conquista não seria possível. “O ponto forte da Politeno é a união da equipe. O fato de recebermos vários prêmios, como reconhecimento de nosso trabalho, dá a motivação ao pessoal. Este é o terceiro ano que a empresa se candidata ao PNQ e o pessoal da Politeno pediu que avisasse ao Presidente que no próximo ano, ele irá nos entregar o prêmio”.
A Politeno investe cerca de R$ 1,2 milhão em treinamento – aproximadamente 6% das horas trabalhadas são gastas em treinamento “Há algum tempo fizemos uma reengenharia dos processos financeiros e de compras. Um dos itens que ficaram claros foi o perfil para cumprir as tarefas. Então iniciamos um processo de gestão por competência nessas duas áreas e estamos, gradativamente, colocando-o na empresa toda, realizando treinamentos específicos quando necessário. Desenvolvemos também o espírito de coordenação, cooperação, equipe, de bom atendimento aos clientes interno e externo.”
Além de toda a atividade própria, a Politeno incentiva a participação de seus funcionários em trabalhos comunitários, além de manter obras sociais importantes para a região onde se localiza, na grande Salvador. “Fazer um pouco além, não só como empresa mas também como pessoa, se reflete no trabalho através do desenvolvimento de características importantes para o sucesso: liderança, união, responsabilidade, ética, espírito de colaboração... Não se pode passar ao largo dos problemas e dizer ‘não é comigo’”.

Uma grande empresa
O interessante é que os reconhecimentos ocorrem apesar das indefinições no controle acionário da empresa. Os sócios Suzano, Sumitomo, Itochu e o consórcio Odebrecht/Mariani ainda não têm uma solução definitiva. Estar integrada na nova estrutura da Copene poderia ser um bom negócio para a Politeno. Já o Grupo Suzano poderia transformá-la em uma companhia que abrigue as operações de polietileno do grupo, englobando os ativos que possui no Pólo Gás-Químico do Rio de Janeiro. Por limitações no suprimento de eteno – sua principal matéria-prima – a produção atual da Politeno é de 330 mil toneladas/ano, embora tenha capacidade para produzir 340 mil toneladas/ano de polietilenos.
O objetivo é atingir uma capacidade de 400 mil toneladas anuais. “Temos um plano excelente, mesmo em termos financeiros, para crescer, com investimentos de até US$ 30 milhões”.
Uma novidade é o movimento que o setor petroquímico está fazendo para exportar produtos transformados. “Para viabilizar isso é preciso ir atrás das soluções. O setor poderia gerar recursos de US$ 1 bilhão/ano se estivesse azeitado. Os preços dos transformados nacionais de boa qualidade são competitivos lá fora, desde que desonerados dos impostos em cascatas. Esse programa está sendo coordenado pela Politeno e pela OPP e visa diminuir a importação de transformados e incentivar a sua exportação”.
Para Sartori, manter a condição financeira saudável – a empresa tem endividamento negativo há anos – da Politeno só tem uma receita: muito trabalho, comprometimento e participação de todos e valorização do ser humano. “Gosto de valorizar as pessoas. Não só capacitar mas também motivar as pessoas, fazê-las participantes ativas dos problemas e soluções.
A postura de incentivo da empresa se reflete também nos estímulos que tem dado à navegação de cabotagem, completando um transporte multimodal. Na verdade, por conta dos problemas do porto de Santos, a cabotagem no Brasil torna-se quase proibitiva. Ainda é mais caro utilizar os navios que os caminhões — que trazem a vantagem do porta a porta.


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