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Às vésperas do décimo aniversário, o programa Atuação Responsável
começa a rever seus desafios. Se os primeiros dez anos serviu para
que o programa fosse assimilado pela indústria química brasileira,
a meta a partir de agora é voltar as atenções para a gestão e a cadeia
de valor. “Nos primeiros dez anos, estávamos arrumando a casa, fazendo
com que as indústrias químicas brasileiras implementassem o Atuação
Responsável, que adequassem os pontos mais críticos. Estabelecido
este parâmetro, agora temos que entrar na gestão e na cadeia de valor
através de seus produtos”, explica Marcelo Kós, gerente do departamento
de Assuntos Técnicos da Abiquim.
Kós explica que, desde o início do Programa, em 1994, a imagem da
indústria química e de seus produtos melhorou, até mesmo devido à
conscientização da importância da química para a vida do ser humano.
Os resultados da pesquisa de Imagem da Indústria Química realizada
junto ao público e alguns grupos de formadores de opinião pública
entre 2000 e 2001 mostram que, para 86% dos entrevistados, a indústria
química ajuda a melhorar a qualidade de vida. O objetivo da pesquisa
é identificar não apenas a imagem das empresas do ponto de vista de
seus vários públicos – clientes, comunidade, funcionários – e a dissonância
com a situação real, mas também o que seria necessário fazer, na visão
dos entrevistados, para que a imagem se alterasse.“A pesquisa que
fizemos foi com o público mais próximo das unidades de produção e
com formadores de opinião. Precisamos fazer um esforço para mostrar
os produtos, as pessoas continuam a ter restrições, mas de dez ítens
sem os quais as pessoas não conseguem viver, os cinco primeiros são
produtos químicos”.
A imagem de fábrica perigosa ou poluidora, segundo o coordenador,
hoje não passa de um mito na cultura da população. “Existe uma má
imagem associada à indústria química, mas podemos afirmar que é falta
de informação. O impressionante nessa história é que ainda se associa
a indústria química com a poluição. E isso acontece por falta de informação,
um conceito pré estabelecido. Isso só comprova que temos que mostrar
mais o que estamos fazendo, que a química faz parte da vida, e que
as indústrias têm riscos controlados”.
Há dez anos, a maioria das empresas (80%) viviam uma situação que
Kós denomina “selvagem”. 10% cumpriam a lei e as 10% restantes eram
pró-ativas, se posicionando à frente das leis e necessidades. “Hoje,
80% são cumpridoras da lei, em diferentes estágios, mas já têm programas,
e 10% estão com a totalidade das práticas implantadas e são pró-ativas
em relação ao meio ambiente, trabalham com critérios de excelência
e têm responsabilidade social”.
“Cumprir à risca o programa significa um necessário retorno sobre
um investimento, beneficiando as futuras gerações”, avalia Heinz Mayer,
coordenador da Comissão de Atuação Responsável.
Segundo Mayer, o Programa de Atuação Responsável é importante e indispensável
por muitos motivos, dentre os quais destaca o respeito ao meio ambiente,
a segurança e boas condições de trabalho, a saúde dos colaboradores,
das comunidades e de todos aqueles que direta ou indiretamente usam
seus produtos químicos.
Na próxima década, a principal preocupação vai ser o produto – se
são seguros, tóxicos, ou necessários. “Não estamos mais preocupados
com o projeto da fábrica, isso está resolvido. A atenção agora é quanto
vale a indústria – que pode ser super segura mas ter produtos que
não interessam, são tóxicos, ou causam alergias”.
Para se ter uma idéia, nem 10% dos produtos químicos têm suas características
toxicológicas inteiramente conhecidas. “O estudo dessas substâncias
está sendo levado a cabo em todo o mundo sob o nome High Production
Value, que deve esmiuçar até 2004 cerca de mil produtos”, conta Kós.
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Kós: desafio é voltar as atenções para a gestão e a
cadeia de valor. |
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Conceito de sustentabilidade empresarial
O novo modelo de desenvolvimento sustentável proposto pelo grupo de
Atuação Responsável inclui os direitos humanos agregado aos cuidados
ambientais. “Para as empresas serem sustentáveis nos próximos anos,
cada vez mais o lado social vai ter que entrar em jogo, como aconteceu
anos atrás, em que a definição de ser responsável era cuidar do meio
ambiente, da saúde e da segurança. Agora o conceito de responsabilidade
passou a envolver a responsabilidade social”.
E a Abiquim tem feito seu papel de coordenadora, tanto que recusou
a renovação de filiação para cinco empresas que não estavam cumprindo
com o Programa de Atuação Responsável. Para Marcelo Kós, como a gestão
de segurança, meio ambiente e saúde são fatores de competitividade,
as empresas sabem o que representa ser “expulso” da associação por
não se comprometerem com o Atuação Responsável. “Isso reforça a credibilidade
do programa e de quem o cumpre”.
Durante estes anos temos evoluído significativamente na adaptação
da Akzo Nobel aos diversos códigos componentes do programa, o diretor
Antonio Rollo vê a empresa pronta para atender o Sistema de Verificação
que estará sendo implementado.
“Também entendemos que muito ainda tem que ser feito e já estamos
voltados para programas relacionados a Responsabilidade Social e Desenvolvimento
Sustentado, atuando diretamente junto à nossa comunidade, buscando
uma integração harmoniosa nas relações regionais”.
Avaliação por terceiros
A Comissão de Atuação Responsável da Abiquim está preparando os primeiros
casos de Avaliação por Terceiros, a exemplo do que acontece em países
como EUA, Canadá e Austrália. Essas nova prática baseia–se num sistema
de avaliação externa, no qual participam, além dos próprios funcionários,
técnicos da própria Associação e indivíduos da comunidade. A associação
deve credenciar as certificadoras e manter uma equipe interna para
coordenar os trabalhos. “Quando começamos algo desse tipo, a estrutura
tem que estar preparada porque é muito trabalho. Um grupo de empresas
certificadoras que vai fazer o trabalho, mas só a coordenação demonstrou
que avaliar as 157 empresas associadas, mesmo que seja num intervalo
de dois anos, demanda cerca de oitenta avaliações por ano, não é um
processo simples”. |
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