Indústria Naval: potencial para empregar mais quatro
mil trabalhadores |
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Com a reabertura de todos os estaleiros fluminenses, já com obras
cotadas, a procura por empregados especializados no setor aumentou
muito em curto espaço de tempo, obrigando alguns estaleiros, como
o Mauá, a criarem cursos e escolinhas voltadas para a qualificação
destes trabalhadores.
O vácuo criado no momento de crise acabou com a cultura da especialização
em indústria naval. Agora, através de algumas iniciativas novos empregados
estão sendo contratados já com a cultura da qualificação. “Hoje, o
que temos de mão de obras nos estaleiros é a velha guarda que entrou
e saiu, mas conhece a tecnologia ensinada aos mais novos. O momento
é de requalificação pessoal para melhorar e atualizar a tecnologia,
a partir do conhecimento que já tem”, diz Ronaldo Lima, presidente
da Associação Brasileira de Embarcações de Apoio Marítimo – Abeam.
Objetivando impulsionar a qualificação destes trabalhadores e agilizar
sua contratação pelos estaleiros, o Governo do Estado, em fevereiro
deste ano, criou o primeiro Banco de Dados informatizado para cadastro
de metalúrgicos na indústria naval e offshore do Estado e do País.
“Também elaboramos um convênio para abertura de diversos cursos de
qualificação, visando atendimento dessa demanda”, conta o secretário
estadual de Trabalho, Jaime Cardoso.
O secretário explica que os estaleiros fluminenses têm potencial para
empregar mais quatro mil trabalhadores em médio prazo. “O Banco de
Dados é único no País e será totalmente informatizado, otimizado e
terá potencial para agilizar a busca por esses empregados, possibilitando
atender à demanda quase que em tempo real. Os trabalhadores fornecerão
seus dados e curriculum aos sindicatos, que encaminharão, de maneira
on line, as contratações de acordo com a procura”.
Para Luiz Chaves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio
de Janeiro, entidade que congrega boa parte dos empregados da indústria
naval do Estado, o que está acontecendo na indústria naval é fruto
de um esforço enorme dos sindicatos do Rio, Angra e Niterói, que voltaram
a se unir. “Unimos a bancada federal do Rio de Janeiro, a participação
o Governo do Estado, através do Wagner Victer, e os empresários. Há
muito tempo não tinha isso. O Governo Federal não tinha a indústria
naval no seu plano de metas, e criou o Navega Brasil”.
Segundo o sindicato só a Petrobrás gerou 35 mil postos de fora do
Brasil entre 1997 e 1998, quando as principais obras da estatal foram
encomendadas em estaleiros estrangeiros. Mesmo com o novo momento,
o presidente do sindicato diz que a situação ainda não está tranqüila
para os trabalhadores da indústria naval. “É só ver o caso da P-50
e de outros navios indo para fora. Só a P-50 pode gerar 3.500 postos
de trabalho, pois é do mesmo tamanho da P-36”, diz Chaves.
Quanto à qualificação da mão-de-obra para a indústria naval, o secretário
Jaime Cardoso, informou que, ao todo, o Governo do Estado está abrindo
mais de 2.000 vagas para 20 cursos, que já estão começando a ser ministrados
e que deverão formar milhares de trabalhadores até dezembro.
Agora, a expectativa de toda a indústria naval fluminense, é que o
BNDES seja dotado de condições que permitam a análise rápida e efetiva
da liberação dos financiamentos destinados aos estaleiros, para que
as obras cotadas possam iniciar imediatamente possibilitando a contratação
destes trabalhadores. Tanta esperança no futuro da indústria naval
fez com que os sindicatos criassem um Fórum Intersindical dos Trabalhadores
da Indústria Naval, Offshore e Reparo. Segundo Chaves, o Fórum terá
a responsabilidade de discutir os problemas do trabalhador desta indústria.
Chaves lembra que a demanda da Petrobras é enorme, com mais de 40
navios, fora as necessidades de outros armadores. Com a maioria da
frota obsoleta, a expectativa é de que nos próximos 3 ou 4 anos aconteça
a abertura de 15 mil a 19 mil novos postos na obra direta. “Nos preocupa
a qualificação profissional. Por isso fizemos parceira com o Sinaval,
a Firjan, e com os sindicatos. Sabemos que 95% dos demitidos precisam
de uma requalificação e defendemos a criação do Banco de Dados, dos
projetos do Senai e da Escola Técnica da Marinha, Faetec e escolinhas
dos estaleiros”, diz Chaves. |
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