Edição 235 – Março de 2002 – Revista Petro & Química
Mão de obra
Indústria Naval: potencial para empregar mais quatro
mil trabalhadores
Com a reabertura de todos os estaleiros fluminenses, já com obras cotadas, a procura por empregados especializados no setor aumentou muito em curto espaço de tempo, obrigando alguns estaleiros, como o Mauá, a criarem cursos e escolinhas voltadas para a qualificação destes trabalhadores.

O vácuo criado no momento de crise acabou com a cultura da especialização em indústria naval. Agora, através de algumas iniciativas novos empregados estão sendo contratados já com a cultura da qualificação. “Hoje, o que temos de mão de obras nos estaleiros é a velha guarda que entrou e saiu, mas conhece a tecnologia ensinada aos mais novos. O momento é de requalificação pessoal para melhorar e atualizar a tecnologia, a partir do conhecimento que já tem”, diz Ronaldo Lima, presidente da Associação Brasileira de Embarcações de Apoio Marítimo – Abeam.

Objetivando impulsionar a qualificação destes trabalhadores e agilizar sua contratação pelos estaleiros, o Governo do Estado, em fevereiro deste ano, criou o primeiro Banco de Dados informatizado para cadastro de metalúrgicos na indústria naval e offshore do Estado e do País. “Também elaboramos um convênio para abertura de diversos cursos de qualificação, visando atendimento dessa demanda”, conta o secretário estadual de Trabalho, Jaime Cardoso.

O secretário explica que os estaleiros fluminenses têm potencial para empregar mais quatro mil trabalhadores em médio prazo. “O Banco de Dados é único no País e será totalmente informatizado, otimizado e terá potencial para agilizar a busca por esses empregados, possibilitando atender à demanda quase que em tempo real. Os trabalhadores fornecerão seus dados e curriculum aos sindicatos, que encaminharão, de maneira on line, as contratações de acordo com a procura”.

Para Luiz Chaves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, entidade que congrega boa parte dos empregados da indústria naval do Estado, o que está acontecendo na indústria naval é fruto de um esforço enorme dos sindicatos do Rio, Angra e Niterói, que voltaram a se unir. “Unimos a bancada federal do Rio de Janeiro, a participação o Governo do Estado, através do Wagner Victer, e os empresários. Há muito tempo não tinha isso. O Governo Federal não tinha a indústria naval no seu plano de metas, e criou o Navega Brasil”.

Segundo o sindicato só a Petrobrás gerou 35 mil postos de fora do Brasil entre 1997 e 1998, quando as principais obras da estatal foram encomendadas em estaleiros estrangeiros. Mesmo com o novo momento, o presidente do sindicato diz que a situação ainda não está tranqüila para os trabalhadores da indústria naval. “É só ver o caso da P-50 e de outros navios indo para fora. Só a P-50 pode gerar 3.500 postos de trabalho, pois é do mesmo tamanho da P-36”, diz Chaves.

Quanto à qualificação da mão-de-obra para a indústria naval, o secretário Jaime Cardoso, informou que, ao todo, o Governo do Estado está abrindo mais de 2.000 vagas para 20 cursos, que já estão começando a ser ministrados e que deverão formar milhares de trabalhadores até dezembro.

Agora, a expectativa de toda a indústria naval fluminense, é que o BNDES seja dotado de condições que permitam a análise rápida e efetiva da liberação dos financiamentos destinados aos estaleiros, para que as obras cotadas possam iniciar imediatamente possibilitando a contratação destes trabalhadores. Tanta esperança no futuro da indústria naval fez com que os sindicatos criassem um Fórum Intersindical dos Trabalhadores da Indústria Naval, Offshore e Reparo. Segundo Chaves, o Fórum terá a responsabilidade de discutir os problemas do trabalhador desta indústria.

Chaves lembra que a demanda da Petrobras é enorme, com mais de 40 navios, fora as necessidades de outros armadores. Com a maioria da frota obsoleta, a expectativa é de que nos próximos 3 ou 4 anos aconteça a abertura de 15 mil a 19 mil novos postos na obra direta. “Nos preocupa a qualificação profissional. Por isso fizemos parceira com o Sinaval, a Firjan, e com os sindicatos. Sabemos que 95% dos demitidos precisam de uma requalificação e defendemos a criação do Banco de Dados, dos projetos do Senai e da Escola Técnica da Marinha, Faetec e escolinhas dos estaleiros”, diz Chaves.
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