| Petroquímica nacional movida a gás |
| Rio Polímeros: empreendimento em fase de montagem mecânica
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Demorou, mas o nosso subsolo foi generoso com o gás natural – pelo
menos para a produção de resinas termoplásticas. É que o teor de etano
contido no gás natural produzido na Bacia de Campos ultrapassa 9%.
Até o início dos anos 80, a produção nacional não justificava o investimento
em um complexo petroquímico que utilizasse o gás natural como matéria-prima,
e que fosse competitivo. Nesse cenário, três centrais petroquímicas
foram construídas, todas baseadas em nafta.
A exploração na Bacia de Campos trouxe novas perspectivas: já no final
da década de 1980, não só o volume, mas também os prognósticos da
produção permitiram os primeiros estudos de viabilidade de um complexo
baseado em gás. Paralelamente, devido a ampliações nas centrais já
existentes, o mercado apontava oportunidades na linha de olefinas
– principalmente em polietilenos. “O volume de gás justificava, e
o mercado apontava para a linha dos polietilenos. Com isso, o projeto
teve movimento para sensibilizar os investidores”, conta o superintendente
da Rio Polímeros, Roberto Villa.
Hoje, a Rio Polímeros é o grande projeto em andamento no setor petroquímico
nacional. O projeto contempla a implantação de um complexo industrial
destinado à produção de 540 mil toneladas anuais de polietileno linear
de baixa e alta densidade, a partir de uma carga mista de etano e
propano – retirada do gás natural proveniente da Bacia de Campos,
rico em etano contido por ser associado ao petróleo.
O primeiro módulo da Unidade de Recuperação de Líquidos e Unidade
de Fracionamento de Líquidos e já estão em operação – a Unidade de
Recuperação, instalada em Cabiúnas, irá separar o metano da corrente
e enviar uma “sopa” de 6 mil m³ para a Unidade de Fracionamento, na
Reduc, de onde serão fornecidos diariamente 1.050 toneladas de C2
e 850 toneladas de C3 para a Rio Polímeros. O contrato de fornecimento
da matéria-prima foi firmado entre a Rio Polímeros e Petrobras, com
base na cotação Mont Belvieu, com validade superior a dez anos.
A carga será inicialmente processada em uma unidade de pirólise, dimensionada
para produzir 500 mil toneladas anuais de eteno, que serão totalmente
consumidas na unidade de polimerização. Outras 70 mil toneladas de
propeno serão comercializadas com a Polibrasil, para a produção de
polipropileno. “Ao processar etano e propano, uma certa quantidade
de propeno é produzida. Como a Polibrasil está ali do lado, ficou
natural o contrato de fornecimento”, conta Villa.
A tecnologia selecionada para pirólise de etano e propano proveniente
do gás natural é licenciada pela ABB Lummus. Para os polietilenos
serão construídas duas linhas de 270.000 toneladas, com tecnologia
do tipo fase gasosa, da Univation.
Ainda serão gerados hidrogênio – que terá parte da produção consumida,
e gasolina de pirólise, que será destinada à Reduc, para ser incorporada
ao pool de gasolina da refinaria.
Com as fundações já assentadas, o empreendimento de US$ 1 bilhão pertencente
aos grupos Suzano (33%), Unipar (33%), Petrobras (16,5%) e BNDES (16,5%),
atravessa a fase de montagem mecânica. Tudo em dia para iniciar a
produção a partir de setembro do próximo ano.
A concorrência regional
Com o crescimento do mercado de polietilenos, a região sul americana
poderá ver um novo complexo petroquímica ser construída em 2008. Se
os estudos de viabilidade técnico-econômica não provarem o contrário,
tudo indica que o empreendimento deverá ser construído no eixo do
Gasoduto Bolívia-Brasil, para aproveitar o gás natural boliviano.
“A implantação de um complexo gás químico associado ao gasoduto Bolívia-Brasil,
depende, por razões de economia de escala, de se alcançar um consumo
efetivo contínuo, próximo aos 30 milhões de m³/dia, o que não se vislumbra
com as regras atuais de despacho das termelétricas”, informa oficialmente
a Petrobras.
Além da companhia, o projeto vem sendo avaliado pela Braskem e por
integrantes do governo boliviano e brasileiro.
Com reservas provadas de 52 trilhões de pés cúbicos, a Bolívia é o
segundo país da América Latina – só está atrás da Venezuela. No seu
gás, que não é associado, o teor de etano contido é de 5%.
Na Argentina, o gás fornecido ao pólo de Bahia Blanca tem situação
semelhante: o teor de etano contido é de 4%. No país, a PBBPolisur
(controlada por Dow – 72% e Repsol YPF – 28%) possui um complexo integrado
por duas plantas de eteno e quatro unidades de polietilenos – com
capacidade total de 570 mil toneladas anuais. As matérias-primas são
oriundas das bacias Austral e Neuquén – que chegam ao pólo através
da Transportadora de Gás Del Sur e pela Compania Mega.
Após o processo de privatização da PBB (1995) e da aquisição da Polisur
(1996), a Dow integrou as empresas e pôs em marcha o plano de investimentos.
Foram US$ 720 milhões entre 1997 e 2000 na ampliação e modernização
das unidades existentes, além da construção de duas novas unidades
– uma de eteno e uma de polietileno.
A escala produtiva e o preço do gás permite à Dow oferecer competitividade
até para a Ásia – mercado que negocia os preços mais baixos do planeta.
O contrato de fornecimento firmado com a Companhia Mega – que atende
540 mil toneladas anuais da demanda da PBBPolisur – se baseia no preço
FOB Mont Belvieu. |
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