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MATÉRIA DE CAPA 2
Edição 249 - junho de 2003
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Quinta Rodada cheia de novidades
por Flávio Bosco |
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A dois meses da Quinta Rodada de Licitações de áreas para exploração
de petróleo e gás natural no Brasil, pelo menos 14 empresas já estão
inscritas – quatro delas de origem nacional. Mal sinal? Pode ser que
não: grande parte das companhias ainda estão avaliando as modificações
introduzidas nesta rodada. A expectativa da Agência é que o número
de empresas inscritas chegue a 20.
Além das novas regras, a Agência Nacional do Petróleo já prepara a
Sexta Rodada para o início do próximo ano. Em agosto, a Petrobras
deve informar à Agência quais blocos – dos concedidos na Rodada Zero
– continuarão a ser explorados; os outros deverão ser levados à leilão
em uma nova Rodada, a ser realizada entre fevereiro e março de 2004.
“Embora haja uma expectativa muito grande pelo 6º Round, devido à
devolução de blocos, pelo que temos ouvido das empresas, essa rodada
vai ser um sucesso”, contou à Petro & Química o diretor-geral da ANP,
Sebastião do Rego Barros Rego Barros.
Para o diretor, mesmo sem nenhuma descoberta “sensacionalíssima, ultimamente
ocorreram várias descobertas de reservas no Brasil. Isso abre o apetite
das empresas”.
Mas o problema não reside apenas na falta de grandes descobertas.
A instabilidade regulatória também aponta para a perda de atratividade.
“Mais importante para o processo são regras estáveis”, pontua Michiel
Kool, vice-presidente de E&P da Shell no Brasil.
“Quando uma empresa vem fazer investimentos, faz todas as análises
possíveis para comparar se é melhor trazer o dinheiro para o Brasil
ou levar para outro projeto. Então o conjunto de regras tem que ser
mantidos. O que o IBP defende – e o setor precisa – são regras claras,
estáveis e atrativas”, explica o presidente do Instituto Brasileiro
de Petróleo & Gás, João Carlos de Luca.
Novas regras
Elogiadas por alguns, criticadas por outros, as novas regras terão
esta Rodada como teste. “Essas novas regras foram bastante discutidas
no IBP. Antes de adotá-las, a ANP expôs à indústria. Realizamos uma
série de debates e muitas das nossas proposições foram incorporadas.
Talvez ainda tenha alguns pontos, mas a Quinta Rodada vai ser uma
espécie de teste, que indicará alguns aperfeiçoamentos”, avalia o
secretário-geral do IBP, Álvaro Teixeira.
A principal novidade implantada foi a formatação das áreas oferecidas.
No novo modelo de licitações, as bacias sedimentares estarão divididas
em setores, subdivididos em células desenhados de acordo com uma grade
fixa – a exemplo do que ocorre no Golfo do México e no Mar do Norte.
Será ofertado um total de 1070 células, das quais 262 em terra, 808
em mar, divididas por nove bacias sedimentares: Potiguar, Recôncavo,
Espírito Santo, Barreirinhas, Campos, Foz do Amazonas, Jequitinhonha,
Pelotas e Santos.
O tamanho de cada célula dependerá da sua localização geográfica:
as células localizadas em terra têm entre 30 e 32 km², as células
marítimas de água rasa, entre 171 a 192 km²; e as células em águas
profundas, entre 646 a 768 km². Com as áreas divididas em células,
as empresas terão opção de desenhar uma área com com perfil de risco
e complexidade mais adaptadas aos seus interesses.
“É um pouco cedo para implantar esse sistema de células. Uma das atrações
do Brasil foi o tamanho dos blocos, o que estava em equilíbrio com
os riscos da exploração. Agora temos o alto risco da exploração e
blocos muito pequenos. Do nosso ponto de vista não vai melhorar”,
avalia Michiel Kool.
Para o secretário-geral do IBP, a evolução reside justamente na adoção
da formatação já utilizada no Golfo do México e no Mar do Norte. “Ao
invés de a Agência definir os blocos, a empresa é que escolhe. Há
um pouco de crítica quanto ao tamanho dos blocos, mas isso é coisa
que pode ser aperfeiçoada”.
Álvaro também destaca que esse sistema permite espaçamentos menores
entre as rodadas de licitação – ponto que não deixou de ser criticado
por executivos do setor. “Uma licitação não pode ser feita com muita
rapidez, porque as empresas têm que avaliar os dados”, explica Wagner
Freire, presidente da nacional Starfish.
Outra crítica tem sido feita à limitação da aquisição de áreas onshore
– cada empresa não pode levar mais do que dois blocos em terra. “Sem
muitos blocos contratados, não se cria massa crítica para uma empresa
de sísmica se estabelecer em uma determinada área”, conta o secretário-geral
do IBP.
“A Quinta Rodada é uma nova experiência. Tem pontos positivos e outros
não tão positivos, mas vamos aguardar o resultado para termos uma
avaliação melhor”, resume José Augusto Fernandes Filho, diretor de
E&P da Queiroz Galvão.
Programa Exploratório
Para se adaptar às novas regras, uma outra novidade é o fim do programa
exploratório mínimo obrigatório. A partir desta Rodada, as empresas
decidirão, no momento da licitação, qual o programa exploratório mínimo
para cada bloco. Isso não significa, no entanto, que as empresas estão
liberadas de compromissos exploratórios – as ofertas que apresentarem
zero por cento estarão desclassificadas.
A nota obtida com o programa exploratório apresentado pela empresa
terá peso de 30% na oferta – diferentemente do que vinha ocorrendo
nas rodadas anteriores, quando o programa exploratório mínimo era
obrigatório e único. “Antes, a Agência precisava elaborar, detalhar
e escolher os prospectos, e preparar os programas mínimos. Agora ela
disponibiliza os dados, e a companhia diz o que quer arriscar”, pontua
Álvaro.
A fase de exploração terá duração de quatro a oito anos, que serão
divididos em dois períodos. Ao final do primeiro período, o concessionário
deverá optar por devolver a área integralmente ou assumir o compromisso
de perfurar um poço exploratório e prosseguir no segundo período de
exploração.
Conteúdo Local
Mínimo Na oferta final, o bônus também valerá 30%. Os 40% restantes
serão formados pelo índice de comprometimento com a aquisição de bens
e serviços no país – um esforço, tanto da ANP quanto do Governo Federal,
de implantar uma política de geração de empregos no país.
Segundo a ministra Dilma Rousseff (Minas e Energia), uma das primeiras
preocupações do governo Lula é o grau de conteúdo nacional existente
nas demandas da indústria de petróleo. Isso porque esse setor é estruturante
do desenvolvimento, permitindo que o país gere cada vez mais empregos
e renda. “Estamos comprometidos em assegurar uma participação crescente
da indústria nacional. Isso não se traduz em protecionismo”, disse
a ministra Dilma Rousseff (Minas e Energia).
Segundo o pré-edital, serão estabelecidos nos contratos de concessão
os valores mínimos obrigatórios de aquisição de bens e serviços junto
a fornecedores locais. Na fase de exploração, serão de 30% para áreas
em águas profundas, 50% para áreas em águas rasas, e 70% para áreas
em terra. Na etapa de desenvolvimento, o valor mínimo obrigatório
será também de 30% para águas profundas, 60% para águas rasas e 70%
para onshore. “Isso foi sempre desejado pela Onip”, comenta Eloi Fernandez,
diretor-geral da Onip.
Os compromissos adicionais específicos de aquisição de bens e serviços
serão inseridos como obrigações complementares no contrato de concessão
e levados em consideração no julgamento das ofertas. Na fase de exploração,
o compromisso com aquisição local terá peso de 15% e, na etapa de
desenvolvimento, peso de 25% – anteriormente o compromisso com a indústria
nacional tinha peso de 3% na fase de exploração e de 12% na etapa
de desenvolvimento.
“Isso não representa um grande problema, porque a capacitação nacional
é muito alta. O problema é deixar essa decisão para a companhia: você
acaba deixando a empresa sem opções de apresentar aquilo que quer
fazer. Não que as empresas internacionais não queiram usar as empresas
nacionais, mas essa opção tinha que ser baseada principalmente na
qualidade, no preço e no prazo de entrega”, pontua Álvaro.
O conteúdo mínimo obrigatório para a Quinta Rodada está cerca de 20%
acima da média apresentada livremente pelas empresas nas rodadas anteriores
– apenas para a etapa de desenvolvimento de blocos em águas profundas
o exigido é menor que a média. E para os blocos localizados em mar,
a aquisição de dados geofísicos estão excluídos do cálculo do conteúdo
nacional.
Para que ANP possa fazer o acompanhamento do contrato, cada empresa
deverá apresentar uma declaração contendo descrições dos planos de
aquisições locais. No caso de descumprimento dos percentuais mínimos
obrigatórios e adicionais específicos, está prevista a aplicação de
multas proporcionais ao valor que teria sido necessário para atingir
o percentual comprometido.
A ANP também reduziu o patrimônio líquido mínimo exigido dos bancos
brasileiros para emissão de Garantias de Oferta e Cartas de Crédito
de R$ 1 bilhão para R$ 500 milhões – com o objetivo ampliar o número
de bancos aos quais as empresas brasileiras possam recorrer para a
emissão de garantias. As condições relativas aos bancos estrangeiros
não foram modificadas.
Diretrizes para licenciamento ambiental
A ANP e o Ibama já apresentaram as diretrizes de licenciamento ambiental
para atividades de sísmica e perfuração para blocos marítimos, dando
tempo aos concorrentes prepararem os trabalhos para obter a autorização
de exploração. Foram produzidos dois guias – um sobre pesquisa sísmica
e outro sobre perfuração – com informações sobre a sensibilidade ambiental
das zonas costeira e marinha às atividades de perfuração e de sísmica.
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Ed. 249 - junho de 2003
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