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Se tudo correr dentro do previsto, a maior parte dos investimentos
realizados pelas empresas de petróleo e gás deverão
ser direcionados à industria nacional de máquinas
e equipamentos. Entre os fabricantes, as perspectivas são
otimistas. O número de consultas tem crescido, e com perspectivas
de fechamento a curto e médio prazo.
Sem dúvida, a indústria de óleo e gás
continuará em destaque para as vendas internas das empresas
fornecedoras do setor. Os investimentos programados para o quinqüênio
2003 / 2007 são da ordem de US$ 42 bilhões e deverão
continuar estimulando fortemente o setor, que será beneficiado
pelas necessidades de equipamentos para a exploração
comercial dos novos campos de gás e óleo. Além
disso, haverá mais procura pela eventual descoberta de novas
reservas energéticas, tanto em terra firme como no mar,
explica o presidente da Câmara Setorial de Bombas da Abimaq,
Corrado Vallo.
A própria Petrobras tem voltado suas atenções
à indústria nacional tome como exemplo as últimas
licitações para construção de plataformas,
nas quais o conteúdo mínimo nacional está garantido.
Ao apresentar o planejamento estratégico da empresa para
empresários da indústria de base, o presidente da
empresa, José Eduardo Dutra disse que a obrigação
de fazer política industrial é do Governo, mas que
a Petrobras não vai abdicar do seu papel indutor da indústria
nacional.
Em paralelo, o Ministério de Minas e Energia gerencia o Programa
de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo
e Gás Natural Prominp, que irá monitorar demandas
para a construção de equipamentos e embarcações
para as indústrias de petróleo e gás e identificar
empresas no Brasil que possam atendê-las.
Todos estão interessados em desenvolver a indústria
nacional de equipamentos para o setor. A Petrobras e o Governo,
através do Ministério das Minas e Energia, criaram
o Prominp, justamente para estimular a indústria nacional
de equipamentos e serviços, de forma a atuar mais fortemente
e em condições de competitividade com as empresas
estrangeiras, conta Corrado Vallo.
Otimismo
O presidente da Câmara Setorial de Bombas destaca ainda as
revisões de questões tributárias com otimismo
como a anunciada redução do IPI de 5% para
3,5% para bens de capital, a possível desoneração
de tributos para a indústria de bens de capital, além
dos anunciados investimentos do governo nas áreas de saneamento
e infra-estrutura. Todas estas razões são boas
notícias que, juntamente com a redução da taxa
de juros, concorrem para movimentar a indústria como um todo
e, particularmente, o setor de máquinas e equipamentos, que
é a indústria de indústrias.
O próprio Prominp prevê em um de seus projetos
as questões tributárias da indústria
fornecedora. Têm havido avanços positivos,
diz o diretor-adjunto da Onip, Osvaldo Pedrosa.
Crescem as exportações de máquinas
O volume de exportações da indústria de máquinas
e equipamentos ultrapassou os US$ 4,4 bilhões de janeiro
a novembro de 2003, com crescimento de 31,6% em relação
a igual período do ano passado. Com esse resultado,
caminhamos para a conquista da primeira colocação
entre os maiores exportadores industriais brasileiros. Esse desempenho
é resultado do esforço do fabricante de máquinas
e equipamentos que, após a desvalorização cambial
de 1999, foi à busca do mercado externo e da competitividade
necessária, cuja meta é abranger o maior número
possível de empresas do setor, explica o presidente
da Abimaq, Luiz Carlos de Delben Leite.
Os principais mercados compradores de máquinas e equipamentos
continuam sendo EUA (US$ 1,3 bilhão), Argentina (US$ 406
milhões), Alemanha (US$ 344 milhões), Reino Unido
(US$ 278 milhões) e México (US$ 276 milhões).
O destaque fica para a China, que registrou um crescimento de 96,7%
nas compras em relação ao período janeiro-novembro
de 2002, e fecha 2003 ocupando a sexta posição entre
os destinos das exportações, com US$ 169 milhões.
Para o presidente da Câmara Setorial de Bombas, as exportações
deverão continuar em curva ascendente, caso a cotação
cambial se mantiver. Deveremos continuar exportando para os
tradicionais compradores de máquinas e equipamentos, como
os EUA, a Comunidade Européia e Argentina. Além disso,
novas e importante portas estão se abrindo da América
Latina ao Extremo Oriente, com grandes possibilidades para o país.
Exportar continuará sendo mais e mais o objetivo e acabará
se revelando a vocação natural do setor.
O crescimento das exportações, no entanto, não
foi suficiente para evitar o resultado negativo do faturamento global
do setor. Pelos dados da Abimaq, a indústria de bens de capital
mecânicos deve fechar este ano com queda no faturamento entre
7% e 8% sobre o ano passado em termos reais.
Na última reunião do ano da Câmara do Comércio
Exterior Camex, foram aprovadas seis medidas de apoio ao
financiamento e garantia das exportações entre
as medidas estão a criação do Comitê
de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig),
que unifica as competências do Comitê de Crédito
à Exportação e o Conselho Diretor do Fundo
de Garantia à Exportação; revogadas as limitações
ao uso do Convênio de Crédito Recíproco (CCR)
nas importações brasileiras, e estendido o Proex para
grandes empresas.
As novas normas têm como objetivo aumentar as exportações
brasileiras, principalmente as dos setores de máquinas, equipamentos
e serviços.
Para 2004, a previsão da entidade é de recuperação.
Contando com um crescimento do Produto Interno Bruto de 3,5%
no ano que vem, o faturamento das empresas do setor pode aumentar
6%. Além disso, estamos assistindo à queda das taxas
de juros e à redução da inflação,
dados macroeconômicos que nos permitem supor que teremos um
comportamento mais favorável da economia em 2004", estima
Delben Leite.
Indústria naval
Até 2010 a Transpetro deverá encomendar a construção
de 22 navios petroleiros o que significa US$ 1,2 bilhão
de encomendas para a indústria naval. O objetivo é
renovar a frota da empresa e substituir as embarcações
que hoje são afretados.
A empresa possui 115 navios, dos quais 55 são próprios.
Os demais são alugados as despesas da Transpetro com
afretamento de embarcações giram em torno dos US$
6 bilhões por ano.
Também consta dos projetos da Petrobras o Plano de Renovação
da Frota de Embarcações de Apoio Marítimo,
que prevê investimentos de US$ 340 milhões na construção
de 18 barcos de apoio e o upgrade de outras 21 embarcações.
Serão encomendadas embarcações do tipo RSV
(ROV Support Vessel), PSV 2000, PSV 3000, UT 4000, OWS (Oil Well
Stimulation) e AHTS 7000. US$ 290 milhões serão gastos
com a construção das embarcações.
Os US$ 50 milhões restantes estão reservados para
a modernização da frota, que inclui PSV 1000, PSV
1500, TS 3000, SV 300 e AHTS 5000. O prazo contratual será
de quatro anos (para upgrade) e oito anos (para construção).
Os prazos de construção e as normas da licitação
serão adequados ao tipo de embarcação e ao
andamento do programa de construção de plataformas
garantindo condições suficientes para obtenção
de financiamento.
O primeiro Plano de Renovação da Frota de Embarcações
de Apoio Marítimo começou em 1999 e compreendeu a
contratação de 22 barcos, dos quais seis já
estão em operação os outros dezesseis
serão entregues entre 2004 e 2006. Atualmente a empresa recebe
apoio marítimo de 145 embarcações.
Para a indústria nacional, as encomendas elevarão
os patamares de escala. Dados do Sindicato Nacional da Indústria
Naval Sinaval indicam que 70% das encomendas previstas para
os próximos seis anos estão relacionadas ao setor
de petróleo.
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