MATÉRIA DE CAPA – Edição 255 - Dezembro de 2003
Demanda anima indústria nacional 

Se tudo correr dentro do previsto, a maior parte dos investimentos realizados pelas empresas de petróleo e gás deverão ser direcionados à industria nacional de máquinas e equipamentos. Entre os fabricantes, as perspectivas são otimistas. O número de consultas tem crescido, e com perspectivas de fechamento a curto e médio prazo.

“Sem dúvida, a indústria de óleo e gás continuará em destaque para as vendas internas das empresas fornecedoras do setor. Os investimentos programados para o quinqüênio 2003 / 2007 são da ordem de US$ 42 bilhões e deverão continuar estimulando fortemente o setor, que será beneficiado pelas necessidades de equipamentos para a exploração comercial dos novos campos de gás e óleo. Além disso, haverá mais procura pela eventual descoberta de novas reservas energéticas, tanto em terra firme como no mar”, explica o presidente da Câmara Setorial de Bombas da Abimaq, Corrado Vallo.
A própria Petrobras tem voltado suas atenções à indústria nacional – tome como exemplo as últimas licitações para construção de plataformas, nas quais o conteúdo mínimo nacional está garantido. Ao apresentar o planejamento estratégico da empresa para empresários da indústria de base, o presidente da empresa, José Eduardo Dutra disse que “a obrigação de fazer política industrial é do Governo, mas que a Petrobras não vai abdicar do seu papel indutor da indústria nacional”.

Em paralelo, o Ministério de Minas e Energia gerencia o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural – Prominp, que irá monitorar demandas para a construção de equipamentos e embarcações para as indústrias de petróleo e gás e identificar empresas no Brasil que possam atendê-las.

“Todos estão interessados em desenvolver a indústria nacional de equipamentos para o setor. A Petrobras e o Governo, através do Ministério das Minas e Energia, criaram o Prominp, justamente para estimular a indústria nacional de equipamentos e serviços, de forma a atuar mais fortemente e em condições de competitividade com as empresas estrangeiras”, conta Corrado Vallo.

Otimismo

O presidente da Câmara Setorial de Bombas destaca ainda as revisões de questões tributárias com otimismo – como a anunciada redução do IPI de 5% para 3,5% para bens de capital, a possível desoneração de tributos para a indústria de bens de capital, além dos anunciados investimentos do governo nas áreas de saneamento e infra-estrutura. “Todas estas razões são boas notícias que, juntamente com a redução da taxa de juros, concorrem para movimentar a indústria como um todo e, particularmente, o setor de máquinas e equipamentos, que é a indústria de indústrias”.

O próprio Prominp prevê – em um de seus projetos – as questões tributárias da indústria fornecedora. “Têm havido avanços positivos”, diz o diretor-adjunto da Onip, Osvaldo Pedrosa.

Crescem as exportações de máquinas

O volume de exportações da indústria de máquinas e equipamentos ultrapassou os US$ 4,4 bilhões de janeiro a novembro de 2003, com crescimento de 31,6% em relação a igual período do ano passado. “Com esse resultado, caminhamos para a conquista da primeira colocação entre os maiores exportadores industriais brasileiros. Esse desempenho é resultado do esforço do fabricante de máquinas e equipamentos que, após a desvalorização cambial de 1999, foi à busca do mercado externo e da competitividade necessária, cuja meta é abranger o maior número possível de empresas do setor”, explica o presidente da Abimaq, Luiz Carlos de Delben Leite.

Os principais mercados compradores de máquinas e equipamentos continuam sendo EUA (US$ 1,3 bilhão), Argentina (US$ 406 milhões), Alemanha (US$ 344 milhões), Reino Unido (US$ 278 milhões) e México (US$ 276 milhões). O destaque fica para a China, que registrou um crescimento de 96,7% nas compras em relação ao período janeiro-novembro de 2002, e fecha 2003 ocupando a sexta posição entre os destinos das exportações, com US$ 169 milhões.

Para o presidente da Câmara Setorial de Bombas, as exportações deverão continuar em curva ascendente, caso a cotação cambial se mantiver. “Deveremos continuar exportando para os tradicionais compradores de máquinas e equipamentos, como os EUA, a Comunidade Européia e Argentina. Além disso, novas e importante portas estão se abrindo da América Latina ao Extremo Oriente, com grandes possibilidades para o país. Exportar continuará sendo mais e mais o objetivo e acabará se revelando a vocação natural do setor”.

O crescimento das exportações, no entanto, não foi suficiente para evitar o resultado negativo do faturamento global do setor. Pelos dados da Abimaq, a indústria de bens de capital mecânicos deve fechar este ano com queda no faturamento entre 7% e 8% sobre o ano passado em termos reais.

Na última reunião do ano da Câmara do Comércio Exterior – Camex, foram aprovadas seis medidas de apoio ao financiamento e garantia das exportações – entre as medidas estão a criação do Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig), que unifica as competências do Comitê de Crédito à Exportação e o Conselho Diretor do Fundo de Garantia à Exportação; revogadas as limitações ao uso do Convênio de Crédito Recíproco (CCR) nas importações brasileiras, e estendido o Proex para grandes empresas.

As novas normas têm como objetivo aumentar as exportações brasileiras, principalmente as dos setores de máquinas, equipamentos e serviços.

Para 2004, a previsão da entidade é de recuperação. “Contando com um crescimento do Produto Interno Bruto de 3,5% no ano que vem, o faturamento das empresas do setor pode aumentar 6%. Além disso, estamos assistindo à queda das taxas de juros e à redução da inflação, dados macroeconômicos que nos permitem supor que teremos um comportamento mais favorável da economia em 2004", estima Delben Leite.
Indústria naval

Até 2010 a Transpetro deverá encomendar a construção de 22 navios petroleiros – o que significa US$ 1,2 bilhão de encomendas para a indústria naval. O objetivo é renovar a frota da empresa e substituir as embarcações que hoje são afretados.

A empresa possui 115 navios, dos quais 55 são próprios. Os demais são alugados – as despesas da Transpetro com afretamento de embarcações giram em torno dos US$ 6 bilhões por ano.
Também consta dos projetos da Petrobras o Plano de Renovação da Frota de Embarcações de Apoio Marítimo, que prevê investimentos de US$ 340 milhões na construção de 18 barcos de apoio e o upgrade de outras 21 embarcações.

Serão encomendadas embarcações do tipo RSV (ROV Support Vessel), PSV 2000, PSV 3000, UT 4000, OWS (Oil Well Stimulation) e AHTS 7000. US$ 290 milhões serão gastos com a construção das embarcações.

Os US$ 50 milhões restantes estão reservados para a modernização da frota, que inclui PSV 1000, PSV 1500, TS 3000, SV 300 e AHTS 5000. O prazo contratual será de quatro anos (para upgrade) e oito anos (para construção). Os prazos de construção e as normas da licitação serão adequados ao tipo de embarcação e ao andamento do programa de construção de plataformas – garantindo condições suficientes para obtenção de financiamento.

O primeiro Plano de Renovação da Frota de Embarcações de Apoio Marítimo começou em 1999 e compreendeu a contratação de 22 barcos, dos quais seis já estão em operação – os outros dezesseis serão entregues entre 2004 e 2006. Atualmente a empresa recebe apoio marítimo de 145 embarcações.

Para a indústria nacional, as encomendas elevarão os patamares de escala. Dados do Sindicato Nacional da Indústria Naval – Sinaval indicam que 70% das encomendas previstas para os próximos seis anos estão relacionadas ao setor de petróleo.

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