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Transformar quimicamente o gás essa poderá
ser a alternativa para viabilizar a produção de grandes
reservas de gás natural, principalmente as localizadas remotamente.
A transformação Gas To Liquid GTL pode gerar,
a partir do gás natural, diesel, lubrificantes, gasolina
ou parafinas. O segredo é transformar as moléculas
C1 em C++, de maior peso molecular. O líquido não
é mais a mesma coisa que era o gás, é uma outra
substância, explica o consultor técnico do Centro
de Pesquisas da Petrobras, Eduardo Falabella Sousa-Aguiar.
Nada a ver com a tecnologia GNL aquele processo físico
pelo qual o gás é resfriado a altas pressões
para se transformar em um líquido. A transformação
GTL normalmente envolve três etapas: a quebra do metano em
gás de síntese que é uma mistura de
CO e H2, a polimerização do monóxido de carbono
e do hidrogênio em hidrocarbonetos, e uma hidroisomerização
para aumentar a fluidez do produto final.
Você pega o gás natural que é um
produto que depende de contratos de longo prazo e de clientes fixos
e transforma-o em uma commodity, que pode ser colocada em
um navio petroleiro e vendida em qualquer outro lugar do mundo,
explica o gerente geral de P&D de Energia e Desenvolvimento
Sustentável, Ricardo Castello Branco.
Descoberta em 1923, esta tecnologia ficou em stand by até
a década de 1990, quando um novo cenário decorrente
de restrições ambientais, alta nos preços do
petróleo, novas descobertas de gás natural e avanços
na catálise viabilizaram economicamente o processo Fischer-Tropsch.
No primeiro passo, o gás natural é convertido em gás
de síntese (CH4 + O2 ? CO + 2H2). As moléculas de
metano reagem com água e oxigênio em um reator de leito
fluidizado, tendo como base um catalisador de reforma clássica
normalmente de níquel. O resultado é a geração
de monóxido de carbono e hidrogênio.
O gás de síntese nome básico dado a
uma mistura de monóxido de carbono (CO) e Hidrogênio
(H2) ou Nitrogênio (N2) e Hidrogênio pode ser
obtido a partir de qualquer fonte de hidrocarboneto. Na Alemanha,
durante a II Guerra Mundial e na África do Sul, durante o
Apartheid, por exemplo, o gás de síntese foi obtido
a partir de carvão nos dois casos, os países
precisaram buscar soluções com o que havia de disponível.
A segunda etapa consiste em polimerizar o monóxido de carbono:
o gás de síntese alimenta o reator Fischer-Tropsch,
gerando hidrocarbonetos (CO + 2H2 ? C++ + CO2 + H2O). Nessa etapa,
a reação é feita em um reator de leito de lama,
tendo um catalisador de ferro ou cobalto.
Por fim, essas cadeias lineares de carbonos podem ser transformadas
em cadeias ramificadas, se submetidas a uma hidroismoerização
para aumentar o ponto de fluidez e melhorar outras propriedades.
Essa etapa ocorre em um reator de leito fixo, com um catalisador
com características mais ácidas normalmente
uma zeólita e um metal nobre, como a platina.
Esse processo é voltado basicamente para a produção
de parafinas, gasolina, lubrificantes e principalmente um diesel
com índice de cetanas superior a 70, e isentos de compostos
sulfurosos e aromáticos.
O diesel GTL é mais caro do que o diesel obtido a partir
do refino de petróleo. No entanto, tem uma qualidade que
o diesel do refino não alcança, mesmo com uma série
de processos adicionais, conta Ricardo Castello Branco.
O mercado internacional, no entanto, ainda não valoriza esse
tipo de diesel. A tendência das legislações,
no mundo inteiro, é colocar limites cada vez mais restritivos
às emissões de enxofre e aromáticos no diesel.
Então quando a legislação estiver demandando
isso, a expectativa é que se pague um prêmio pelo diesel
de melhor qualidade, completa o gerente.
Por outro lado, as empresas que desenvolvem pesquisas em GTL têm
entre seus desafios viabilizar rotas que demandem menor investimento
de capital nas unidades de produção. Para se ter uma
idéia, uma planta que Chevron e a Sasol estão construindo
na Nigéria custa US$ 20 mil por barril /dia de capacidade,
enquanto a primeira unidade GTL, construída na Nova Zelândia,
tinha um custo de US$ 70 mil por barril /dia de capacidade.
A geração de gás de síntese ainda é
a etapa mais custosa do processo: 30% do investimento. A síntese
de Fischer-Tropsch é responsável por 18% dos custos,
a hidroisomerização absorve 5%, a matéria-prima
22% e o custo operacional 25%. Segundo relatório da Arthur
D. Little, o custo total de um barril equivalente girava em torno
de US$ 17,5 em 2001.
Plantas industriais
No mundo inteiro, existem atualmente em operação três
grandes projetos industriais: uma fábrica da Shell na Malásia,
e duas plantas da Sasol e uma da Petro S.A. na África do
Sul. A primeira, apesar da pequena escala de 13,5 mil barris diários,
é economicamente viável porque sua produção
está voltada para parafinas de grau alimentício.
Na África do Sul, a Petro S. A. tem uma unidade com capacidade
de 36 mil barris diários, enquanto as duas plantas da Sasol
produzem mais de 100 mil barris por dia. Mas é pelo domínio
da tecnologia GTL que a Sasol se destaca e consegue participar
de grandes projetos mundo afora disponibilizando esse know how.
Exemplo disso é a construção de uma planta
com capacidade de 36 mil barris na Nigéria, em parceria com
a Chevron.
A Shell, outra que domina tecnologia nessa área, está
investindo na construção de uma fábrica no
Qatar, com capacidade de 140 mil barris, que deverá estar
pronta em 2009. A fábrica faz parte de um projeto de US$
5 bilhões, que inclui o desenvolvimento de um campo de gás
no país.
Falabella lembra que, diante das ocorrências de gás
natural no Brasil localizadas principalmente na Amazônia
e em bacias offshore, as rotas GTL podem ampliar a viabilidade econômica
para essas reservas. Mas acima de tudo, o domínio dessa tecnologia
pode se transformar em importante moeda de troca para a companhia.
O Brasil possui, já há dois anos, uma rede de transformação
química do gás natural envolvendo 22 universidades
e centros de pesquisas. Apoiados pelo CTPetro, a rede estuda três
projetos sistêmicos: um para conhecer melhor as etapas de
geração do gás de síntese e a Fischer-Tropsch,
outro voltado para o desenvolvimento de olefinas e DME, e um terceiro,
destinado à geração direta do diesel a partir
do gás natural sem a transformação do gás
de síntese.
A própria Petrobras desenvolve sua tecnologia, para a rota
Fischer-Tropsch que está em avaliação
em uma unidade de bancada. Recentemente a companhia patenteou o
desenvolvimento de um catalisador. A chave do conhecimento
desse processo é a catálise. E isso envolve um know
how para saber projetar o reator e os componentes, comenta
o gerente.
A companhia já possui uma planta-piloto instalada na Unidade
de Industrialização do Xisto, e está equipando
o CTGás com outra planta em escala semi-piloto parte
integrante do Laboratório de Processamento de Gás,
que tem por finalidade prestar serviços e desenvolver pesquisa
na área de processamento de gás relacionados às
áreas de adsorção e catálise. E
estamos comprando uma unidade multi-reator, que permite testar 60
formulações diferentes, finaliza Falabella.
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