ESPECIAL BAHIA – Edição 257 - Fevereiro de 2004
Uma injeção de gás na Bahia 
O primeiro produtor de petróleo do Brasil pode se tornar um novo Texas.

ABahia quer voltar a ter destaque no cenário nacional de petróleo. Um esforço conjunto entre o Governo do Estado, Federação das Indústrias e Agência Nacional do Petróleo é a injeção de ânimo que faltava para revitalizar a atividade de exploração e produção de petróleo no Estado.

Até mesmo a Petrobras – que andou meio afastada – resolveu reavaliar a exploração nas bacias localizadas no Estado.

“Vivemos uma situação de transição: por um lado os campos maduros localizados na Bahia têm importância relativamente menor para as grandes companhias. Mas por outro lado, essa quantidade de campos maduros cria uma situação nova, que é a possibilidade de se revitalizar esses poços, e da criação de uma nova categoria de pequenos produtores de petróleo”, avalia o diretor da ANP, Haroldo Lima.

O diretor cita como exemplo o Canadá, onde existem cerca de três mil empresas convivendo ao lado das grandes majors. “Só no Texas, existem cerca de oito mil pequenos produtores, com até quatro poços. Aqui na região do Recôncavo existem mais de 1.500 poços maduros”.

Entusiasmado com a idéia de atrair empresas nacionais para o negócio, Haroldo Lima prepara um encontro com empresários nordestinos, a ser realizado na sede da Fieb em abril. O tema: 6ª Rodada de Licitações. “Realizamos uma audiência sobre a 6ª Rodada no Rio de Janeiro. Apareceram 91 grupos, nenhum nordestino”.

O trabalho, no entanto, não será fácil: inclui desde a abertura de linhas de crédito junto a bancos de fomento até a criação de uma rede de fornecedores de produtos e serviços. “O potencial é fantástico. O que está faltando é estímulo”, conta o consultor Eduardo Rappel, sócio da SGB, empresa nacional especializada em aquisição sísmica terrestre – um dos serviços que serão demandados por essa nova categoria de empresas.

A proposta do Estado prevê, por exemplo, a cessão de instalações em São Roque do Paraguaçu para abrigar canteiros de obras de plataformas.

Para se ter uma idéia, equipamentos que em outros tempos eram produzidos na Bahia – como as unidades de bombeio conhecidas como cavalo-de-pau – hoje são importados da Noruega e da Argentina. “A Bahia já possuiu canteiros de produção de plataformas, e agora, com a expansão das atividades, tem condições de voltar a ter produção local”, comenta o presidente da Fieb, Jorge Lins Freire.

Incentivo ao know how

Em outra frente, o Governo do Estado, através da recém-criada Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, vem trabalhando no desenvolvimento tecnológico. “Energia é uma atividade econômica science base, intensiva em conhecimento. Daí a importância de soluções de conhecimento”, explica o secretário Rafael Lucchesi.

Uma das ações é a criação da Rede Bahia de Tecnologia, uma articulação entre empresas e universidades que, a exemplo da Rede Brasil de Tecnologia – da qual é integrante – terá como objetivo fomentar o desenvolvimento de tecnologias que hoje são importadas.

“A idéia é avançar nas soluções de constituição do pacote tecnológico e a disseminação na produção onshore e energias renováveis”, conta o secretário.

Em paralelo, a Secretaria desenvolve outros projetos voltados para as áreas de biocombustíveis e plásticos. “O desenvolvimento da área de energia vai passar pela combinação de um esforço de soluções na área de conhecimento. E o Governo do Estado tem essa percepção, e trabalha com a visão estratégica e estruturante dessas ações”, explica Rafael Lucchesi.

A Escola Politécnica da UFBA, com o apoio da ANP, vem desenvolvendo o Projeto Campo-Escola, na Bahia, através da reabilitação do poço QB 4A, situado no Campo de Quiambina, na Bacia do Recôncavo. “Revitalizamos aquele poço com tecnologia desenvolvida na Bahia. A idéia é desenvolver aquele tipo de iniciativa em outros poços”, conta Haroldo Lima.

Atualmente, a produção diária é de 20 barris, que são adquiridos pela Petrobras. Os recursos arrecadados com a produção destinam-se ao desenvolvimento do Projeto Campo-Escola.

Grande potencial sob o solo baiano

Engana-se quem pensa que a produção de petróleo e gás já esteja se exaurindo nas bacias baianas. Até o final do próximo ano, entrará em operação o campo de Manati, com a produção diária de até 6 mil m³ de gás natural.

O Projeto prevê a perfuração de sete poços, instalação de uma plataforma fixa não habitada, construção de um duto de 117 km e implantação de uma unidade de processamento de gás natural.
“Existe um conjunto de oportunidades não só na Bahia, mas em toda a região Nordeste. Essas novas descobertas na Bacia de Camamu são promissoras, e fortalecem toda a cadeia”, avalia o diretor-geral da Onip, Eloy Fernandez.

Outro projeto importante, anunciado dias atrás, foi a perfuração do poço MP-22, no campo de Massapé – onde a Petrobras irá produzir 1.300 barris por dia.

Além disso, a empresa vem perfurando um poço em águas profundas no bloco BM-J-1, na Bacia de Jequitinhonha.

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