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A Petrobras é parte integrante do cenário econômico
da Bahia mesmo que muita gente não perceba isso. Só
em empregos diretos, são cerca de 20 mil empregos
entre funcionários próprios e terceirizados.
As atividades da companhia geraram, em ICMS, R$ 2,46 milhões
aos cofres do Estado. Isso sem contar o pagamento de R$ 185 milhões
ao Estado e municípios, e R$ 18 milhões aos proprietários
da terra, em royalties sobre a produção de petróleo.
Podíamos tomar a liberdade de dizer que, sem a Petrobras,
a economia da Bahia teria outro desenho, conta o gerente geral
da Unidade de Negócios de Exploração e Produção
da Bahia, Antonio José Rivas.
Sozinha a Unidade de Exploração e Produção
investiu, em 2003, R$ 558 milhões sem contar R$ 860
milhões em custeio das atividades. Para 2004, a previsão
é investir um total de R$ 768 milhões com um
custeio previsto de R$ 1,5 bilhão.
São cerca de 70 concessões 68 das quais campos
já maduros com uma produção diária
de 90 mil barris. A companhia detém ainda dois blocos exploratórios
em terra e dez offshore. Rivas esclarece que a Unidade de Negócios
tem aprovado, para este ano, um orçamento de US$ 30 milhões
para ser investido em exploração e mais US$ 148 milhões
para desenvolvimento da produção. Para os campos
maduros, estimamos um investimento próximo de US$ 50 milhões,
valor que ainda será submetido à diretoria da empresa.
No entanto, investir um valor expressivo na exploração
de campos onshore estava fora dos planos da Petrobras até
há pouco tempo. Em primeiro lugar porque o interesse empresarial
estava voltado para as reservas gigantes da Bacia de Campos. E depois,
não interessava à companhia investir em campos que
onde a produção era pequena.
Os campos localizados no Estado chegaram a produzir 150 mil barris
por dia no início dos anos 60. Mas com o declínio
da produtividade nesses reservatórios, e com o surgimento
de reservas maiores e mais desafiadoras em outras bacias, seria
natural que a Petrobras reduzisse o apetite no Estado.
E, a partir da abertura do setor que a atividade de exploração
experimentou uma redução ainda maior principalmente
nos campos em terra. Fomos obrigados a ceder parte dos nossos
ativos para serem disponibilizados à indústria. Todos
os blocos em terra da Bahia foram devolvidos, além de 32
campos em produção. Aí houve uma desaceleração
dos investimentos.
O gerente ressalta ainda que as empresas que adquiriram as posições
da Petrobras entre elas a W. Washington e a Petroreconcavo
não perfuraram nenhum poço exploratório.
Não houve resposta que era prevista.
Até mesmo as duas descobertas anunciadas pela Marítima
foram realizadas com base nos estudos já feitos anteriormente
pela Petrobras. Quando fomos obrigados a entregar os campos
para a ANP, essas oportunidades já estavam identificadas.
Mas por orientação do Governo anterior, não
foram perfuradas.
A mudança de rota veio com as diretrizes dadas pela atual
diretoria. No Planejamento Estratégico anunciado pelo
presidente José Eduardo Dutra no início do ano passado,
estava marcante o interesse da Petrobras em reter posições
econômicas em terra, conta Rivas.
A primeira medida foi cancelar o leilão de campos maduros.
Esse edital tem que ser redesenhado. Na época em que
os campos foram colocados no portfólio, tínhamos um
cenário de preços baixos de petróleo. Hoje
há outra situação: campos que naquela época
não seriam economicamente viáveis, hoje são.
Rivas cita como exemplo o campo de Massapé onde a
empresa recentemente perfurou o poço MP-22, que irá
produzir 1.300 barris por dia. A área quase foi colocada
no edital de venda para se ter idéia, em janeiro passado,
a produção de nove poços nesse campo não
passava de 190 barris/dia. Mas atendendo a argumentações
técnicas, não foi disponibilizado no edital. Fizemos
trabalho de interpretação da sísmica 3D e perfuramos
o poço. Nos últimos 20 anos talvez tenha sido o melhor
poço já perfurado na Bahia.
Isso faz parte de um trabalho ainda maior de retomar a produção
em campos maduros com ênfase em alguns campos de gás
não-associado localizados na Bacia de Tucano. A Bahia,
assim como toda a região Nordeste, tem uma demanda reprimida
de gás. Estamos trabalhando para colocar em produção
alguns campos que não são produtores, e que estão
desconectados da malha. Estamos preparando o processo licitatório
para construir um gasoduto de 52 km que vai ligar esses campos com
a malha para escoamento desse gás.
Corrobora com esse novo posicionamento a aquisição
de um bloco em terra na ultima rodada realizada pela ANP, além
do farm in em um bloco pertencente ao consórcio Samson /
Ipiranga, ambos localizados na Bacia do Recôncavo. Também
nos limites dos ring fense a companhia tem investido na aquisição
e reinterpretação de sísmica 3D. Não
se concebe a UN-BA como uma empresa de petróleo que só
produz em terra. Isso significaria o fim da empresa, avalia
Rivas.
Além dos dois blocos exploratórios localizados em
terra, a Petrobras possui ainda dez concessões offshore
quatro em parceria com outras empresas. Em um deles, o BCAM-40,
está localizado o campo de Manati nesse mesmo bloco,
a empresa prepara o levantamento de mais 1.000 km de sísmica
3D.
Na Bacia do Jequitinhonha, a Petrobras está atualmente perfurando
um poço em águas profundas o 1-BAS-138
no bloco BM-J-1. Perfurar poços em águas profundas
na Bahia não é exatamente uma novidade até
agora a empresa já realizou sete perfurações
todos secos. Agora essa é uma situação
geológica nova, resultado de interpretações
diferenciadas.
E o aumento da produção de gás também
significará mais duas UPGN uma, que ficará
ao lado da planta de Catu, já está em montagem e deve
iniciar a produção em outubro, e outra que deverá
ser construída em Candeias, para processar o gás do
campo de Manati.
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