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A Agência Nacional do Petróleo está preparando as bases regulatórias
para a criação da Lei do Gás – que deverá estimular a ampliação da
rede de gasodutos no País, hoje concentrada na região Sudeste.
A consolidação de cinco portarias deverão regulamentar o setor de
gás no país. A primeira, que trata de conflitos entre empresas, já
está em vigor. Outras duas, em processo de consulta pública, abordam
a disponibilidade de informações e revenda de capacidade. “Com duas
novas portarias – que tratam do livre acesso e critérios de tarifas
de transporte – o setor de gás estará regulamentado”, informa José
Cesário Cecchi, superintendente de comercialização e movimentação
de gás da ANP.
A Lei do Gás poderá garantir à Agência a responsabilidade pela definição
das tarifas de transporte. “A criação da lei irá reforçar as regras
já existentes”, explica o diretor-geral da ANP, Sebastião do Rego
Barros.
Além dessas ações, o setor espera a definição de investimentos privados
– que ainda aguardam alguns ajustes, principalmente nas regras para
geração termelétrica e a criação de um mercado secundário.
A expansão do mercado é um dos gargalos do setor. O próprio ministro
Francisco Gomide considera que há uma dificuldade para o gás natural
tornar-se competitivo no país. Uma saída para o impasse, na opinião
de Gomide, seria a criação de um mercado secundário para o gás. Um
tópico que o Ministério vai ter que trabalhar nesse mercado secundário
é o destino do gás que não for queimado, uma vez que sua armazenagem
é algo ainda impossível.
Ampliação do Gasbol
As companhias interessadas no concurso aberto para expansão do gasoduto
Bolívia-Brasil devem entregar em outubro suas propostas à ANP – a
regulamentação para a disputa deve ser divulgada no próximo mês.
Segundo Marco Antônio de Almeida, secretário de Óleo e Gás do Ministério
de Minas e Energia, a modelagem da disputa está em discussão. “O concurso
pode ser feito em duas etapas, mas nada está definido ainda”.
Separar em duas etapas a ampliação do Gasbol é um pedido feito pelas
próprias empresas interessadas em trazer gás da Bolívia para demanda
industrial ainda este ano, sem esperar pela definição da demanda das
usinas termelétricas. Numa primeira etapa, a ampliação atenderia a
demanda da indústria, de 4 milhões de m³ por dia. Outra ampliação,
provavelmente de 16 milhões de m³ / dia, ainda depende do equacionamento
da quantidade de usinas termelétricas que deverão entrar em operação,
dado que requer um pouco mais de tempo para se definir.
Essa adição permitira ao Gasbol o transporte diário de 50 milhões
de m³. A capacidade atual do duto é de 30 milhões de m³/dia, mas a
Petrobras importa menos que 18 milhões de m³/dia – devido principalmente
à baixa atividade das usinas termelétricas.
Em junho de 2001, diante da expectativa de aumento da demanda, a ANP
determinou a realização do procedimento de Concurso Aberto para as
empresas transportadoras ofertarem capacidade de transporte ao mercado.
Com isso a Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia Brasil – TBG
e a Transpetro elaboraram seus Manuais do Concurso Aberto, estabelecendo
todas as regras e procedimentos para realização do concurso.
Aberto o processo, nove empresas apresentaram aos transportadores
suas manifestações de interesse em contratar capacidade de transporte:
Petrobras, BG Brasil, Pan American, Shell, El Paso, Repsol-YPF, TotalFinaElf,
além das fabricantes de vidro Guardian e Nadir Figueiredo.
Diante desses números, os transportadores elaboraram seus projetos
de expansão de capacidade. A TBG decidiu expandir sua capacidade e
ofertar 20 milhões m³/dia. Na região sudeste do país, a Transpetro
ofertará 1,5 milhões m³/dia no trecho Guararema - Recap, em São Paulo,
e 2,5 milhões m³/dia no trecho Guararema - Rio de Janeiro. Para o
nordeste do Brasil, a Transpetro ofertará 2,3 milhões m³/dia, no trecho
Guamaré - Fortaleza e 1,3 milhões m³/dia no trecho Guamaré - Natal.
A próxima etapa do processo – ainda sem data definida – é a apresentação
das Propostas Irrevogáveis, através das quais os carregadores concorrerão
pela capacidade de transporte ofertada, assumindo compromissos de
compra por longo prazo.
Petrobras cria plano para avaliar integridade
de dutos
A Petrobras criou recentemente o Programa Emergencial de Integridade
dos Dutos, visando implantar um plano de trabalho para estudo e avaliação
da integridade de seus dutos. Trata-se de um conjunto de normas, procedimentos
e recomendações técnicas para cuidar da estrutura dos dutos e evitar
ou minimizar falhas e vazamentos e conseqüentes riscos ambientais.
Até dezembro de 2003, os dutos emergenciais (cerca de 60% da malha
nacional) deverão estar adequados ao padrão – todos os dutos da companhia
estarão operando de acordo com as normas em dezembro de 2004.
Entre dutos de transporte de petróleo e derivados, a malha nacional
chega a 15.200 quilômetros. O sistema dutoviário responde por 34%
do transporte de derivados de petróleo no país – só perde para o transporte
aquaviário, responsável por 45%.
Atualmente, cerca de 40% dos oleodutos da empresa já ultrapassaram
a vida útil do projeto, o que requer investimentos em novas tecnologias
para aumentar a vida operacional da malha.
Além do Programa de Integridade, o Centro de Pesquisas da companhia
mantém o Programa Tecnológico de Dutos – Produt, criado com o objetivo
de aumentar a confiabilidade operacional, e minimizar custos e riscos
envolvidos da atividade. Por ano, o Cenpes destina R$ 2 milhões ao
Produt. |
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