| Rego Barros: estimular medidas para evitar aumento na dependência
externa |
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O parque de refino nacional precisa de investimentos entre US$ 13,5
bilhões e US$ 15 bilhões. Ou então, em 2010 terá que gastar até US$
10 bilhões com a importação de derivados. Só que, para atrair investidores
privados, o Governo Federal terá que adotar uma política de incentivos
econômicos e fiscais.
Os dados constam no estudo “Perspectivas do Refino e da Produção no
Brasil” elaborado pela consultoria Booz Allen Hamilton.
O estudo – que foi entregue ao Presidente Fernando Henrique Cardoso,
ao ministro Francisco Gomide (Minas e Energia), e ao Congresso Nacional
– oferece um diagnóstico da atividade de refino no país e estabelece
um modelo de desenvolvimento para o segmento. “A preocupação da ANP
foi apresentar uma reflexão sobre o setor e estimular medidas imediatas
para evitar que o País eleve o índice de dependência externa”, explica
o diretor-geral da ANP, Sebastião do Rego Barros.
O estudo prevê um aumento do atual nível de dependência externa no
suprimento de derivados, de até 860 mil de barris/dia em 2010 – o
que representa 35% de dependência externa e um impacto na balança
comercial de US$ 6,3 bilhões. Para um cenário moderado, por exemplo,
onde o crescimento da economia fique em 3%, o consumo de combustíveis
passaria dos atuais 1,8 milhão de barris diários para cerca de 2,5
milhões de barris. “Mesmo um cenário moderado revela que a situação
é séria. Por isso, decidimos que deverá haver uma ampla discussão
do assunto pela sociedade”, ressaltou Barros.
Para evitar este quadro, o Brasil depende da adição de cerca 600 mil
barris/dia na capacidade instalada de refino – o equivalente a três
refinarias do porte da Refinaria de Duque de Caxias. Hoje o déficit
já chega a 142 mil barris diários – 17% do consumo – com um gasto
de divisas de US$ 1,4 bilhão.
A ANP traçou três diferentes cenários para evolução do refino no Brasil,
de acordo com três alternativas de investimentos: menor investimento,
adequação de perfil, e conversão e cobertura da demanda em 2010. Na
primeira alternativa, são previstos investimentos de US$ 6,7 milhões,
necessários para manter o parque de refino atual em condições de competir
no mercado aberto, além de investimentos em melhoria da qualidade
de produtos, proteção ambiental e segurança operacional.
Na alternativa de Adequação de Perfil e Conversão, além dos investimentos
previstos no primeiro caso, seriam necessários investimentos adicionais
em conversão e melhoria da qualidade de produtos, somando um montante
de US$ 9 bilhões. Os recursos seriam destinados à otimização das unidades
de conversão e tratamento – como as unidades de craqueamento catalítico
fluído e hidrotratamento – nas refinarias com previsão de investimentos.
Nessa alternativa, o estudo projeta para 2010 um cenário de importação
da maior parte dos derivados, totalizando compras externas de aproximadamente
670 mil barris diários, com impacto anual de US$ 5,2 bilhões na balança
comercial.
Para a cobertura da demanda em 2010, são necessários os US$ 9 bilhões,
mais investimentos para construção de três módulos com capacidade
de produção de 30 mil m³/dia, que poderiam ser instalados tanto em
refinarias existentes quanto em projetos greenfield. Nesta alternativa,
estima-se um investimento adicional ao anterior de US$ 4,5 a US$ 6
bilhões, totalizando US$ 13,5 a US$ 15 bilhões.
A solução para o problema, no entanto, não é tão fácil quanto se imagina:
a dificuldade para expansão do parque de refino nacional deve-se à
capacidade excedente de unidades de refino em todo o mundo, e ao elevado
custo para a construção de novas unidades. Segundo Rego Barros, o
custo de construção de uma nova refinaria chega a US$ 10 mil para
cada barril de petróleo.
O estudo destaca que atualmente a atividade de refino apresenta baixa
atratividade econômica. Como conseqüência, investimentos na construção
de novas refinarias só têm ocorrido em condições excepcionais de crescimento
da demanda associado a diversos tipos de incentivos econômicos e fiscais
ou barreiras alfandegárias sobre importações. Por isso, a Agência
encaminhou ao Governo Federal sugestões para atrair investimentos,
que incluem incentivos fiscais. “Não temos fórmula mágica. Tivemos
o cuidado de não apontar qual é o caminho. Isso é um ponto essencial,
que ultrapassa o mandato e a legislação da ANP”, finalizou Rego Barros.
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