| Quintela: combinando desempenho técnico com aspéctos
ambientais e econômicos |
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A Petrobras vem trabalhando intensamente no desenvolvimento de técnicas
de proteção contra a corrosão considerando aspectos ambientais. A
empresa desenvolveu, no seu Centro de Pesquisas, inúmeros projetos
que abordam desde o tratamento de superfície até a aplicação da tinta,
passando pela formulação de produtos sem solventes.
O desafio dos pesquisadores do Cenpes é desenvolver um trabalho diverso,
a ponto de atender todas as unidades da empresa – entre plataformas,
refinarias, dutos, e navios. Só no Cenpes, cerca de 25 profissionais
– entre eles alguns PhD’s – estão envolvidos com o tema.
Após desenvolver um projeto de pesquisa mais abrangente sobre pintura
industrial, mais tradicional técnica de proteção anticorrosiva, a
Petrobras passou a considerar aspectos ambientais a partir da segunda
metade da década passada. O objetivo era melhorar o desempenho, reduzir
custos e adotar padrões ambientais mundiais. “Sabedores da importância
que a Petrobras tem no cenário nacional, decidimos investir em ecologia,
para tirar o estigma de que a pintura é uma atividade extremamente
insalubre”, comenta Joaquim Quintela, consultor técnico do Cenpes.
O primeiro trabalho foi realizado em 1991, com a substituição do jato
de areia seca por jato abrasivo úmido. “A tendência é usar abrasivos
não poluentes, como a granalha de aço e abrasivos sintéticos, que
emitem pouco material particulado, e o tratamento com abrasivos molhados
ou só com água”. |
| Plataformas: projetos abordam desde o tratamento de superfície
até a aplicação da tinta |
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Mais recentemente, a Petrobras adotou o hidrojateamento – jateamento
com água sob alta pressão. Além da limpeza da superfície, esse processo
remove sais solúveis que podem estar aderidos ao substrato – ao contrário
de outros tratamentos com abrasivos secos. A presença de sais solúveis
sob as camadas de tintas é um dos fatores que mais contribuem para
falhas na pintura. “Quando se fala em revestimento anticorrosivo,
não adianta trabalhar só a tinta e esquecer outros pontos, como a
limpeza da superfície. Apostamos nessa tecnologia, que está bastante
difundida. Cada vez mais só se fala em usar hidrojateamento para preparar
a superfície”, explica Quintela.
Outro ponto a ser atacado era a formulação de tintas com baixa emissão
de compostos orgânicos voláteis – não somente os solventes, mas outras
substâncias tóxicas tiveram sua utilização restringida, como o zarcão
e o alcatrão-de-hulha. “A Petrobras é pioneira na normalização de
tintas desse tipo. Possuímos três normas para tintas (N-2628, N-2629
e N-2630), e estamos preparando mais duas normas, que são enquadradas
nos mais modernos conceitos de proteção ambiental”.
Algumas tintas à base de epóxi por exemplo, além de serem isentas
de solventes, não precisam de controle de umidade relativa e ponto
de orvalho – além do controle na emissão, a aplicação do material
fica menos condicionada a condições climáticas. Essa tecnologia é
ideal para manutenção em plataformas offshore, onde o custo da aplicação
chega a ser até sete vezes mais do que uma pintura em canteiro. “São
materiais mais caros, mas trazem outros ganhos e um custo menor ao
longo da vida útil da estrutura. Imagine quanto custa reparar, offhsore,
15% da área: praticamente outra pintura”.
A aplicação das tintas também mereceu atenção dos pesquisadores. Segundo
Quintela, o uso de equipamentos diferenciados – como pistolas sem
ar – possibilita uma qualidade melhor. “O operador pinta mais rápido,
e o equipamento polui menos, porque não precisa de solvente para diluir
a tinta”.
O engenheiro explica que a melhor surpresa foi a redução nos custos.
“Trabalhar com tintas que tenham menor quantidade de solventes diminui
o número de demãos. E o produto de melhor qualidade precisa menos
de intervenções para manutenção”.
Isso sem contar em outros custos relacionados com a pintura, como
o tempo do equipamento parado, e mão-de-obra. “Esquema de pintura
moderno é aquele que reúne custo, desempenho e proteção ambiental”,
resume Quintela.
Novas tecnologias
Mesmo que a pintura industrial seja a mais tradicional técnica de
proteção anticorrosiva, os engenheiros do Cenpes também trabalham
com outros tipos de proteção, como a resina éster-vinílica e o revestimento
metálico para algumas aplicações específicas.
É o caso, por exemplo, de alguns vasos separadores, que demandam uma
resistência química e térmica maior. Nesse caso são utilizados revestimentos
com fibra de vidro. “Usamos resinas éster-vinílicas reforçadas com
flocos de fibra de vidro, conhecidos por flake glass. É uma boa barreira,
mas precisa de uma aplicação especializada, o que torna esse tipo
de revestimento mais caro. Por isso é utilizado em condições específicas”.
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| Refinarias: técnicas para pintar linhas quentes sem parar
a unidade |
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Outro tipo de revestimento que vem sendo empregado em situações
onde os revestimentos orgânicos não podem ser aplicados, ou não apresentam
tanta eficácia, são os metálicos. É o caso de zonas aquecidas – onde
a tinta não consegue suportar as condições operacionais, devido às
altas temperaturas. “Existe uma discussão sobre o limite de temperatura,
mas caminhamos para um dado de campo: nos pontos onde a pintura não
tem funcionado, optamos pela metalizaçã”.
Esta tecnologia é, também, muito empregada nas nas plataformas offshore
– que também estão sujeitas a condições operacionais adversas.
Nos casos de metalização, as matérias-primas mais utilizadas são o
alumínio e o zinco. A aplicação se dá por uma pulverização conhecida
como Termal Spray (aspersão térmica), no caso do alumínio, TSA. O
metal, em forma de pó ou arame, fundido, é impelido a aderir contra
o substrato. “Existem vários métodos de aspersão térmica, chama oxiacetilênica,
arco elétrico, chama de alta velocidade (HVOF), plasma e detonação.
Alguns profissionais do Cenpes são especializados na aspersão térmica
de metais”, conta o engenheiro.
O custo de aplicação de metal varia de acordo com o processo e o tipo
de estrutura a revestir - como o custo é bem maior do que uma pintura
industrial, essa técnica, embora com utilização crescente, ainda é
restrita a condições especiais.
“A Petrobras é extremamente dinâmica. Estamos atentos para inovações
no mercado. Se um fornecedor provar que, tecnicamente, uma nova tecnologia
atende às necessidades da companhia, nós usamos. A implantação de
novos conceitos e tecnologias não é uma tarefa fácil, exige muitos
testes de campo e laboratório, e acima de tudo, muita perseverança,
explica Quintela.
Nas refinarias do Sistema Petrobras, por exemplo, os engenheiros vêm
desenvolvendo técnicas para pintar linhas quentes sem a paralisação
da unidade – a técnica já vem sendo testada na Revap. A pintura da
linha de condensados já é feita sem parar, uma vez que o preparo da
superfície é feito com jato de água, que não contém abrasivos, e a
tinta utilizada pode ser aplicada com a superfície molhada.
Para se ter uma idéia, a pintura de um tanque, que demandava até oito
meses de trabalho, já pode ser feita em dois meses – em alguns casos
extremos, em até 30 dias. “Mesmo com a utilização de tintas especiais
e processos de preparação de superfície mais caros, o fato de não
parar o equipamento acarreta ganhos de produção, e os custos de manutenção
diminuem muito”, avalia Quintela. |
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