| Sala de controle da PQU: dados de manutenção, em breve,
devem estar abrigados em uma única sala |
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A automação dos processos vem sendo adotada também como aliada para
a manutenção industrial. Empresas como a Petroquímica União e a Rohm
and Haas vêm trabalhando com softwares de controle e supervisão que
destacam a utilização de equipamentos inteligentes, não só para garantir
a reprodutibilidade dos processos, mas também para auto-monitorar
a performance do instrumento – facilitando assim o processo de manutenção
e calibração, e fornecendo condições para um trabalho de manutenção
preventiva.
Na Petroquímica União, o sistema de controle distribuído Delta V foi
recentemente implantado na Unidade de Olefinas. Mais de 100 “instrumentos
inteligentes” foram instalados nos pontos críticos do processo de
modo a facilitar a manutenção preditiva. “Nas válvulas de controle,
começamos a instalar sistemas inteligentes, que informam a hora de
verificação”, conta Nelson Baldi, chefe do Núcleo de Manutenção da
PQU.
Instalada de forma on-line em compressores, bombas e válvulas, a manutenção
preditiva ganhou a confiança dos técnicos da PQU pela facilidade em
que oferece no diagnóstico de eventuais falhas em equipamentos - é
bem verdade que por trás dessa confiança também está o retorno financeiro.
“No banco de instrumentação da PQU, as válvulas e medidores de vazão
mais importantes já estão sendo medidos on-line”, lembra Vagner Ferreira
de Almeida, responsável pelo Núcleo de automação da PQU.
Para se implantar a manutenção preditiva todos os instrumentos e máquinas
foram catalogados e nomeados segundo cada criticidade de operação.
Se depender de César Barlem, diretor industrial da PQU, a central
vai caminhar tranqüilamente para os 100% de manutenção on-line. “Vamos
usá-la porque tivemos um número enorme de ganhos”.
Os dados de manutenção, em breve, devem estar abrigados em uma única
sala de controle que está sendo construída. Nela, também estarão os
dados que estão passando agora para a rede fieldbus: extração, fracionamento
de aromáticos, isomerização de xileno e hidroquilação.
A observação de práticas de engenharia nos sistemas de controle pode
ser fundamental para sustentar uma campanha de seis anos, como aconteceu
com a PQU. “A norma NR-13 é voltada para equipamentos estáticos. Para
os outros sistemas que compõem a unidade industrial, existem padrões
de engenharia de confiabilidade que garantem a integridade”, explica
Baldi.
O momento certo para interromper uma campanha é sempre uma equação
que deve levar em conta os objetivos do negócio – qualidade e custo
baixo – associados a disponibilidade operacional e cuidados com a
segurança operacional e ambiental – teoricamente tendem a ter maior
competitividade as companhias que empenham campanhas mais longas,
com o menor número de interrupções. “Na administração de um ativo
industrial, a disponibilidade operacional e o custo precisam estar
alinhados à estratégia empresarial. O objetivo de uma manutenção é
ter um produto com qualidade a um custo de produção baixo. Só que
a longo prazo, preciso obter esse resultado, com consistência”.
Segundo a norma NR-13, o intervalo máximo entre as paradas de manutenção
é de seis anos – mas para que uma campanha dure todo esse tempo, uma
série de atividades devem ser observadas, tanto legalmente como tecnicamente.
No aspecto legal, a empresa precisa ter certificado seu Serviço Próprio
de Inspeção de Equipamentos – SPIE. “Com a certificação, o usuário
pode trabalhar por seis anos, desde que tenha observado uma série
atividades preventivas nos equipamentos sujeitos à pressão, além de
uma série de requisitos – como uma quantidade de engenheiros e inspetores,
prontuário dos equipamentos e laboratórios certificados”.
Na PQU, as atividades do SPIE são coordenadas por uma equipe de inspeção
formada por 12 inspetores e três engenheiros. No processo de re-certificação,
os auditores do IBP e do Inmetro verificaram a situação das instalações
e avaliaram os processos de trabalho de inspeção e a gestão desses
processos. Os auditores confirmaram o bom desempenho do SPIE da PQU
e destacaram as melhorias introduzidas pela empresa, quanto a dois
programas de inspeção: o de cálculo de vida residual de equipamento
e o de inspeção das tubulações.
Só que a NR-13 trata apenas dos prazos e requisitos para testes em
equipamentos estáticos – fornos, tubulação, torres, caldeiras, reatores.
“A unidade industrial não é composta apenas por equipamentos estáticos,
possui também a parte eletrônica e elétrica”, lembra o chefe de manutenção
da PQU.
Isso ocorre porque os maiores acidentes já ocorridos na indústria
petroquímica foram decorrentes de rompimentos em vasos, tubulações
ou válvulas. E as empresas e entidades ligadas à indústria do petróleo
começaram a dirigir os estudos para esses itens mais críticos.
Qual a melhor maneira?
Levando em conta a criticidade de cada ativo industrial, a equipe
de manutenção deve avaliar qual o tipo de manutenção mais adequada
para atingir os objetivos de disponibilidade e baixo custo. “Para
os equipamentos críticos, normalmente procuramos utilizar a manutenção
preditiva – que é realizada a partir do acompanhamento do estado do
equipamento. Uma torre de craqueamento de eteno, equipamento crítico,
se possuir uma instrumentação inteligente terá manutenção preditiva
embutida”.
Só que essa torre não permite realizar uma manutenção preditiva no
casco – que trabalha a baixas temperaturas. Para isso, existe a manutenção
preventiva, por determinados períodos. “Na mesma torre, a escada não
requer uma correção preditiva. Dependendo da situação, posso realizar
uma manutenção preventiva, ou corretiva. O mesmo equipamento, que
é crítico, permite trabalhar com os três tipos de manutenção: cada
componente tem uma forma mais econômica”.
O problema é que, numa planta industrial, tudo é crítico, o que pode
inviabilizar os custos de manutenção – por outro lado, custos baixos
podem expor a indústria a riscos. A saída que vem sendo adotada é
o trabalho com técnicas de inspeção baseada em risco. “Para aqueles
sistemas que possuem risco, é necessário ser tratado com tecnologia,
metodologia e mão-de-obra diferenciada”.
Novas modalidades
Segundo dados da Associação Brasileira de Manutenção – Abraman, as
empresas petroquímicas brasileiras gastam, em média, 1,67% do seu
faturamento com manutenção. Isso representa um grande espaço não só
para empresas especializadas em determinados serviços como também
para a gestão de ativos. “Existem alguns serviços onde as empresas
grandes não atuam, como abertura e fechamento de trocadores de calor
ou de torres”, conta Baldi.
No primeiro caso, algumas empresas acabam se especializando na prestação
de serviços – e se identificando com as contratantes. Além dos serviços
realizados no dia-a-dia, essas empresas acabam sendo contratadas para
participar das paradas. “Essa área de manutenção requer profissionais
bem treinados e condicionados para prestar o serviço. Encontrar qual
a empresa e os profissionais que proporcionem uma estrutura ótima
é a grande dificuldade”.
Já o conceito gestão de ativos – ou asset management – vem recebendo
um bom número de adeptos em todo o mundo. O contrato abrange todos
os serviços a um único fornecedor, levando em consideração o compromisso
de melhora da performance da planta industrial.
A Abdib e a Abemi irão elaborar uma análise do mercado de manutenção
no Brasil. O levantamento será feito com diversas empresas visando
apresentar um panorama sobre os custos de manutenção, modelo de contratos
e empresas prestadoras de serviço e qualidade do serviço prestado.
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| A parada da informação |
| Flare: novos injetores, projetados para emitir menos ruído
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Após seis anos operando ininterruptamente, a PQU realizou, no início
do semestre, a parada para manutenção. Foram investidos R$ 133 milhões
– R$ 47,5 milhões em atividades específicas de manutenção, e mais
86 milhões de Reais em inovações nos equipamentos e processos.
Além do sistema de automação, foram substituídos os injetores de vapor
do flare, projetados para emitir menos ruído, os trocadores de calor,
o que permitirá a redução do consumo de energia da unidade. Também
foram implementadas modificações no sistema de produção de propeno,
e revisados 55 km de dutos que ligam a planta aos consumidores e a
refinarias da Petrobras, 1.200 equipamentos rotativos, 1.100 equipamentos
estáticos e 5 mil instrumentos (sensores, controladores, válvulas
de controle, válvulas de segurança, monitores de vibração, sistemas
eletrônicos de controle). |
| Pig: passagem detectou 14 pontos de perda de espessura |
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“Após seis anos sem parar, todo conhecimento teve que ser revisto.
Os equipamentos são os mesmos, mas antes não possuíamos o SPIE certificado.
Para se ter uma idéia, revisamos 650 tubulações – em uma parada, revisávamos
35. Nas paradas convencionais, eram revistas cerca de 120 válvulas
de segurança e 150 trocadores de calor, e nessa revisamos quase 400
válvulas e 300 trocadores de calor. A forma de planejar uma parada,
com isso, teve que ser diferente”.
Dentre as mudanças, estão a comunicação com os funcionários, a comunidade
e cerca de 4500 prestadores de serviço que circularam dentro do site
durante a parada. “Passamos a ser comunicadores, reunindo toda informação
técnica que foi preparada durante um ano, e transformada em um produto
para ser passado as pessoas envolvidas na parada”.
Durante os 24 dias em que a central petroquímica esteve parada, a
equipe de manutenção seguia uma espécie de script para definir a execução
do trabalho e comunicar as atividades. “Isso é tecnologia: nunca tivemos
uma parada com tantos instrumentos de divulgação – um site na Internet,
e jornais para os parceiros e para a comunidade. Todo esse aparato
de comunicação foi importante para alinhar o pessoal com os objetivos”,
conta Baldi.
Todas as ações foram registradas, não só para divulgar o que estava
acontecendo, mas também para servir de ferramenta de planejamento
e treinamento nas futuras paradas.
Inovações
Mais de 100 “instrumentos inteligentes” foram instalados no processo,
visando a disponibilidade e confiabilidade operacional. Outra inovação
foi a utilização de limpeza química com os sistemas fechados – com
os sistemas ainda em operação, eram injetados produtos para remoção
da decomposição. “Antes, para limpar a tubulação, era necessário abrí-las.
Os sistemas fechados foram importantes para preservar a saúde e segurança
do operador”.
Já nos dutos, a passagem do pig detectou 14 pontos onde havia perda
de espessura. “O que significa que o sistema de proteção catódica
está operando bem”, completa o chefe de Manutenção.
Ao longo do gasoduto, foram implantados sistemas de medição de vazão
por ultrassom, que se comunicam com a central de controle por satélite.
E no flare foi instalado um dispositivo anti-ruído.
Segundo o ranking da consultoria Solomon, a PQU está entre as dez
petroquímicas internacionais com melhor compatibilidade entre disponibilidade,
custo e efetividade. “A consistência de disponibilidade e custo nos
dá a certeza de um programa seguro de operação e manutenção”, finaliza
Baldi. |
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