Edição 241 – Setembro de 2002 – Revista Petro & Química
Licitações da ANP: duas rodadas por ano
Flávio Bosco
Rego Barros: atração de empresas de diferentes portes
A Agência Nacional do Petróleo deverá aumentar a freqüência das rodadas de licitações para exploração e produção de petróleo e gás no País, atualmente realizados uma vez por ano. Segundo o diretor da Agência, John Forman, duas rodadas devem ser realizadas por ano, a partir de 2004.

Outra mudança acontecerá já a partir do próximo ano, e diz respeito à modelagem das áreas: as empresas poderão escolher o formato das áreas que disputarão. Com as áreas divididas em células, as empresas terão opção de desenhar uma área com o formato de seu interesse.

O número de células em que serão divididos os blocos dependerá da quantidade de informação disponível e do grau de dificuldade da exploração. Para as áreas localizadas em terra, ou próximas a regiões produtoras, as células terão 32 km² – em outras regiões, os blocos serão formados por duas ou mais células. Esse modelo, segundo Forman, atrairá empresas de menor porte.

“Estamos estudando a adição de mais blocos em terra e em águas rasas. Estamos estudando também a possibilidade de apresentar alguns blocos em módulos – que podem ser atrativos para empresas menores, porque poderiam comprar apenas um bloco e ter algo adequado à seus recursos financeiros”, completa o diretor-geral da ANP, Sebastião Rego Barros.

Ao todo, serão licitadas áreas em nove bacias – Pelotas, Santos, Campos, Espírito Santo, Jequitinhonha, Recôncavo, Potiguar, Barreirinhas e Foz do Amazonas. As regras para a quinta rodada, que será realizada em junho de 2003, devem ser divulgadas entre novembro e dezembro deste ano. “Espero que tenhamos mais ou menos o mesmo calendário de sempre”, diz Rego Barros.

O diretor-geral da ANP adiantou que, para aumentar o interesse dos investidores, a Agência pretende estender o prazo de exploração das áreas onde o óleo é pesado – Atualmente este prazo varia entre sete e nove anos, e não leva em conta o tipo de óleo, mas a dificuldade na exploração. A decisão sai até o final do ano.

ANP anuncia plano decenal de geologia

Rego Barros anunciou também o lançamento de um Plano Decenal de Estudos e Serviços de Geologia e Geofísica, a ser implementado até 2011. “É o maior levantamento das reservas existentes já feito no País”, disse o diretor.

Para a ANP, o principal resultado do Plano Decenal será o aumento no acervo sobre as bacias sedimentares brasileiras e seu potencial. Os dados servirão para atrair novos investimentos na área de exploração e produção, principalmente em bacias pouco conhecidas, como Parnaíba, Paraná, Amazonas e Barreirinhas. “Os investidores terão levantamento mais preciso sobre o potencial nacional, hoje ainda pouco explorado. É preciso um melhor conhecimento geológico do subsolo brasileiro para ampliar a área sob concessão, hoje não superior a 5% dos 4,8 milhões de km² de bacias terrestres e 3,5 milhões de km² de bacias marítimas existentes no País”.

A previsão é de que uma média anual de 480 mil km² passem a ser estudadas. Apenas em 2003 deverão ser investidos R$ 1,2 bilhão – o investimento, porém, está condicionado à liberação de recursos pelo governo.
Edição 241 - setembro / 2002
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