Edição 242 – Outubro de 2002 – Revista Petro & Química
A busca por um número ótimo
Flávio Bosco
Controle Avançado trouxe benefícios de US$ 100 milhões à Petrobras
Na vanguarda tecnológica de outras áreas industriais, o segmento petroquímico quer saber, num curtíssimo espaço de tempo – fala-se em segundos – quanto custa para produzir cada quilo, ou litro, dos derivados do petróleo. É uma tarefa árdua onde os engenheiros queimam fosfato para implementar sofisticadas ferramentas na busca de números que estejam o mais próximo possível do real, ou seja, um número ótimo.

Os módulos de otimização vão desde ferramentas mais simples, às vezes embutidas em outros sistemas, até modelos sofisticados de controle baseados em equações matemáticas e redes neurais. Na área de exploração e produção de petróleo, há uma forte tendência de implementar ferramentas de otimização – no caso da Petrobras, como não poderia deixar de ser citada, ferramentas de otimização estão sendo observadas em algumas refinarias para depois serem implementadas em outras unidades.

Já na área petroquímica há uma busca pelo domínio das ferramentas de controle avançado e um começo de conversa sobre softwares de otimização. Esse setor, em geral, está procurando dominar toda a tecnologia de controle avançado antes de entrar numa nova empreitada tecnológica.

Na área química, a linha de raciocínio é dominar totalmente os sistemas supervisórios e implantação de controle avançado. A arquitetura clássica de automação (dispositivos, controle e supervisão) é algo totalmente dominado e, agora, pensa-se em partir para tecnologias mais eficientes.

É óbvio que estas considerações sobre petróleo, petroquímica e química não valem para o setor como um todo. Mas o que se percebe é que a tecnologia de controle avança à medida que avançamos na raiz da matéria-prima desse setor, que é o próprio petróleo. É observado que as novidades tecnológicas acompanham o grau de existência de determinada fase da indústria petrolífera. Quanto mais antiga for determinada fase, mais estaremos no aprofundando em inovações tecnológicas. De maneira análoga, tecnologias de maior domínio vão aparecendo à medida que nos afastamos da produção de petróleo e passamos para a nafta e produção de polímeros.

Controle avançado antes de otimização

Métodos matemáticos mais precisos deram lugar a sistemas de uso padrão no mercado. Na indústria do petróleo, o ganho de um litro, um simples watt, ou 30 segundos pode fazer uma diferença enorme nas contas finais da relação custo/benefício. Por este motivo, os ganhos que o controle avançado proporciona à indústria é peça fundamental para se implantar ferramentas de otimização que estão vindo por aí.

“Esta tecnologia de controle avançado já foi implantada em mais de 30 unidades da Petrobras, com benefícios de até US$ 100 milhões anuais”, informava há dois anos em entrevista o engenheiro Lincoln Moro, coordenador do projeto pela Petrobras.

Na sua opinião, a otimização integrada das unidades da refinaria trará aumento de rentabilidade semelhante ou até mesmo superior ao obtido com a implantação do controle avançado. Desde 1997, o grupo de pesquisa vem realizando estudos para integrar as várias unidades da refinaria em termos de operação e de planejamento da produção. Funcionando integradamente, o resultado é a maximização da rentabilidade do sistema. Para se chegar ao desempenho ótimo, técnicos da Petrobras desenvolveram modelos matemáticos sobre a realidade mais próxima possível das variáveis de uma refinaria.

Vale lembrar que a Petrobras ainda não possui uma ferramenta global de otimização, mas está trabalhando em várias tecnologias devido à inexistência de uma ferramenta padrão de mercado. Ao passo que essas tecnologias vão se consolidando e ganhando a confiança de engenheiros vão sendo disseminadas pelas unidades da companhia.

Nas Áreas de Negócios da Petrobras, por exemplo, começam a ser tomadas algumas iniciativas rumo à otimização local. É o caso da Unidade de Exploração e Produção da Bacia de Campos, que está testando uma ferramenta conhecida como “Módulos de Diagnóstico” em apenas uma das 41 plataformas da região. É parecido com o controle avançado, encontrado em algumas refinarias, com inteligência artificial baseada em modelos matemáticos.

Só para refrescar a memória, a Petrobras tem atualmente 94 plataformas em operação, sendo 69 fixas e 25 flutuantes, mais nove Unidades de Negócios de Exploração e Produção, e onze refinarias, além de terminais e dutos de transferência.

Uma das diretrizes tomadas pela companhia referentes à automação é a implantação do software de gestão R/3 da SAP em toda a sua cadeia de exploração, produção e distribuição de combustíveis, operação que começou há pelo menos dois anos. Pelo menos mais dois anos serão necessários para o software atingir a parte de produção da empresa. A transposição de dados, do processo para o software de gestão, se daria de forma fácil já que a Petrobras, hoje, já trabalha com o sistema Plant Information que coleta dados das plataformas e os envia para os centros de controle.

Nos últimos anos, os investimentos da Petrobras em automação culminaram numa ação coordenada que recebeu o nome de Projeto Pegaso - Programa de Excelência em Gestão Ambiental e Segurança Operacional. O orçamento total do programa é estimado em R$ 3,2 bilhões e visa levar a estatal a padrões internacionais de excelência ambiental. A verba alavancou a execução de 3 mil projetos em refinarias, plataformas, poços de exploração e produção e terminais de distribuição. Um dos principais focos desse mega-investimento é a monitoração dos 14 mil km de dutos. A meta é chegar à monitoração de 100% dos dutos, atualmente, segundo informações do diretor de serviços, Irani Varella, mais de 8 mil km já estão supervisionados. Todo o esforço visa evitar os inesquecíveis vazamentos de óleo que a Petrobras foi vítima no passado.
Edição 242 - Outubro / 2002
Assine já!
VEJA MAIS
Matéria de Capa 1
A busca por um número ótimo

Matéria de Capa 3
Centro de Excelência em gás

Artigo Técnico
Integração de tecnologia foundation fieldbus e wireless ethernet em sistemas de controle e aquisição de dados de injeção de água em poços de petróleo
NA EDIÇÃO IMPRESSA
Petro & Química - Edição 242
Politeno ganha PNQ

Retomada do crescimento é desafio para setor petroquímico

Processamento de dados sísmicos aquece mercado

Petroquisa desenha seus planos

P-34: comissão investigará causas do acidente

Oleoduto ligará Rio à São Paulo

Relatório do atuação responsável aponta evolução

E muito mais...