| Controle Avançado trouxe benefícios de US$ 100 milhões à
Petrobras |
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Na vanguarda tecnológica de outras áreas industriais, o segmento
petroquímico quer saber, num curtíssimo espaço de tempo – fala-se
em segundos – quanto custa para produzir cada quilo, ou litro, dos
derivados do petróleo. É uma tarefa árdua onde os engenheiros queimam
fosfato para implementar sofisticadas ferramentas na busca de números
que estejam o mais próximo possível do real, ou seja, um número ótimo.
Os módulos de otimização vão desde ferramentas mais simples, às vezes
embutidas em outros sistemas, até modelos sofisticados de controle
baseados em equações matemáticas e redes neurais. Na área de exploração
e produção de petróleo, há uma forte tendência de implementar ferramentas
de otimização – no caso da Petrobras, como não poderia deixar de ser
citada, ferramentas de otimização estão sendo observadas em algumas
refinarias para depois serem implementadas em outras unidades.
Já na área petroquímica há uma busca pelo domínio das ferramentas
de controle avançado e um começo de conversa sobre softwares de otimização.
Esse setor, em geral, está procurando dominar toda a tecnologia de
controle avançado antes de entrar numa nova empreitada tecnológica.
Na área química, a linha de raciocínio é dominar totalmente os sistemas
supervisórios e implantação de controle avançado. A arquitetura clássica
de automação (dispositivos, controle e supervisão) é algo totalmente
dominado e, agora, pensa-se em partir para tecnologias mais eficientes.
É óbvio que estas considerações sobre petróleo, petroquímica e química
não valem para o setor como um todo. Mas o que se percebe é que a
tecnologia de controle avança à medida que avançamos na raiz da matéria-prima
desse setor, que é o próprio petróleo. É observado que as novidades
tecnológicas acompanham o grau de existência de determinada fase da
indústria petrolífera. Quanto mais antiga for determinada fase, mais
estaremos no aprofundando em inovações tecnológicas. De maneira análoga,
tecnologias de maior domínio vão aparecendo à medida que nos afastamos
da produção de petróleo e passamos para a nafta e produção de polímeros.
Controle avançado antes de otimização
Métodos matemáticos mais precisos deram lugar a sistemas de uso padrão
no mercado. Na indústria do petróleo, o ganho de um litro, um simples
watt, ou 30 segundos pode fazer uma diferença enorme nas contas finais
da relação custo/benefício. Por este motivo, os ganhos que o controle
avançado proporciona à indústria é peça fundamental para se implantar
ferramentas de otimização que estão vindo por aí.
“Esta tecnologia de controle avançado já foi implantada em mais de
30 unidades da Petrobras, com benefícios de até US$ 100 milhões anuais”,
informava há dois anos em entrevista o engenheiro Lincoln Moro, coordenador
do projeto pela Petrobras.
Na sua opinião, a otimização integrada das unidades da refinaria trará
aumento de rentabilidade semelhante ou até mesmo superior ao obtido
com a implantação do controle avançado. Desde 1997, o grupo de pesquisa
vem realizando estudos para integrar as várias unidades da refinaria
em termos de operação e de planejamento da produção. Funcionando integradamente,
o resultado é a maximização da rentabilidade do sistema. Para se chegar
ao desempenho ótimo, técnicos da Petrobras desenvolveram modelos matemáticos
sobre a realidade mais próxima possível das variáveis de uma refinaria.
Vale lembrar que a Petrobras ainda não possui uma ferramenta global
de otimização, mas está trabalhando em várias tecnologias devido à
inexistência de uma ferramenta padrão de mercado. Ao passo que essas
tecnologias vão se consolidando e ganhando a confiança de engenheiros
vão sendo disseminadas pelas unidades da companhia.
Nas Áreas de Negócios da Petrobras, por exemplo, começam a ser tomadas
algumas iniciativas rumo à otimização local. É o caso da Unidade de
Exploração e Produção da Bacia de Campos, que está testando uma ferramenta
conhecida como “Módulos de Diagnóstico” em apenas uma das 41 plataformas
da região. É parecido com o controle avançado, encontrado em algumas
refinarias, com inteligência artificial baseada em modelos matemáticos.
Só para refrescar a memória, a Petrobras tem atualmente 94 plataformas
em operação, sendo 69 fixas e 25 flutuantes, mais nove Unidades de
Negócios de Exploração e Produção, e onze refinarias, além de terminais
e dutos de transferência.
Uma das diretrizes tomadas pela companhia referentes à automação é
a implantação do software de gestão R/3 da SAP em toda a sua cadeia
de exploração, produção e distribuição de combustíveis, operação que
começou há pelo menos dois anos. Pelo menos mais dois anos serão necessários
para o software atingir a parte de produção da empresa. A transposição
de dados, do processo para o software de gestão, se daria de forma
fácil já que a Petrobras, hoje, já trabalha com o sistema Plant Information
que coleta dados das plataformas e os envia para os centros de controle.
Nos últimos anos, os investimentos da Petrobras em automação culminaram
numa ação coordenada que recebeu o nome de Projeto Pegaso - Programa
de Excelência em Gestão Ambiental e Segurança Operacional. O orçamento
total do programa é estimado em R$ 3,2 bilhões e visa levar a estatal
a padrões internacionais de excelência ambiental. A verba alavancou
a execução de 3 mil projetos em refinarias, plataformas, poços de
exploração e produção e terminais de distribuição. Um dos principais
focos desse mega-investimento é a monitoração dos 14 mil km de dutos.
A meta é chegar à monitoração de 100% dos dutos, atualmente, segundo
informações do diretor de serviços, Irani Varella, mais de 8 mil km
já estão supervisionados. Todo o esforço visa evitar os inesquecíveis
vazamentos de óleo que a Petrobras foi vítima no passado. |
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