| Laboratório de vazão: fonte de receita para o centro |
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Este ano a Petrobras e o Senai / CNI estão investindo R$ 14 milhões
no Centro de Tecnologia do Gás – CTGás, com intuito de desenvolver
mão-de-obra, equipamentos e serviços para o mercado de gás natural.
Os resultados irão reverter tanto para a Petrobras – com o aumento
do combustível na matriz energética – quanto para a CNI, uma vez que
torna o gás natural economicamente viável para um grupo maior de empresas.
“As atividades desenvolvidas no CTGás impactam tanto no consumo de
gás quanto na competitividade das empresas”, conta o diretor executivo
da entidade, Orlando Clapp Filho.
É o caso, por exemplo, dos cursos de instalação, manutenção e conversão
veicular, realizados no centro tecnológico e nos 16 núcleos da rede
Regás: com a formação da mão-de-obra, há um impacto direto no mercado
de GNV. Outro exemplo é o programa de certificação de mão-de-obra
para os profissionais das prestadoras de serviço à Ceg e a Comgas,
uma forma encontrada para garantir a qualidade do serviço. “Há um
ganho financeiro, devido a venda do combustível, mas também há um
ganho institucional, porque parte das empresas dessa nessa cadeia
estão ligadas à CNI”, explica o diretor.
Ao final deste ano, aproximadamente dois mil alunos deverão ter se
formado no CTGás. Mais do que isso, o empreendimento se antecipa à
demanda que o mercado deverá apresentar à medida que o gás natural
vá ocupando maiores percentuais na matriz energética. Segundo Clapp
Filho, ao contrário de trabalhar de forma reativa após o mercado se
estabelecer – como normalmente se dá em mercados infantes – a qualificação
da mão-de-obra acontece de forma antecipatória. “É pouco provável
que a questão da qualificação da mão-de-obra seja um gargalo muito
significativo, mesmo com o mercado do gás natural crescendo 25% ao
ano”.
A vedete é o curso técnico de gás natural, mantido com apoio do Programa
de Recursos Humanos da Agência Nacional do Petróleo. O curso, que
dura um ano, reúne 64 alunos da região Nordeste. “Os técnicos sairão
prontos para atuarem nas distribuidoras de gás em seus Estados”, conta
Maria Julia Sanna, coordenadora da Unidade de Negócios de Educação
do CTGás.
Também são mantidos no centro tecnológico cursos de pós-graduação
– em parcerias com universidades. Entre 2000 e 2001, por exemplo,
30 engenheiros participaram do curso de especialização, fruto de convênio
entre o CTGás e a Universidade Potiguar. Outros 30 profissionais participaram
do curso realizado em parceria com a Universidade do Mato Grosso do
Sul.
Além da sede em Natal / RN, o CTGás atua em âmbito nacional através
da Rede Nacional de Núcleos de Tecnologias do Gás Natural – Regás.
São 16 núcleos distribuídos por 15 estados, vinculados administrativamente
a uma Unidade Operacional do Senai e tecnicamente suportados pelas
Unidades de Negócios do CTGás. Cada núcleo segue uma configuração
básica, e possui oficinas específicas. “Em São Paulo, por exemplo,
há uma oficina predial. Já nos núcleos de Alagoas, Sergipe e Curitiba,
existem oficinas de instrumentação. Isso é um crescimento ancorado
no mercado”, explica Clapp Filho.
Onze laboratórios
Mas isso não é tudo. Criado há três anos para fomentar a utilização
do gás natural no Brasil, o Centro Tecnológico também presta serviços
de consultoria, assistência técnica e desenvolvimento de equipamentos.
Para isso conta com onze laboratórios de pesquisa aplicada. |
| Sistema de cogeração instalado no CTGás |
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Cinco desses laboratórios – caracterização química, pressão, temperatura,
vazão de gás e testes de cilindros – estão em fase de credenciamento
junto ao Inmetro. Entre os contratos de prestação de serviço estão
o monitoramento da transferência de custódia no Gasoduto Bolívia-Brasil
e estudos de viabilidade econômica para redes de distribuição estadual.
Essa, aliás, tem sido uma nova fonte de receita para o CTGás – este
ano, a previsão de receita é de R$ 4,5 milhões, 30% maior do que a
receita gerada no ano passado.
Um desses serviços é o que vem sendo chamado de balanço energético.
Enfatizando aspectos de custo, eficiência, segurança e impacto ambiental,
os técnicos do CTGás traçam um diagnóstico para as empresas medirem
a viabilidade econômica e os benefícios ao adotarem o gás natural.
O projeto de fornos para indústrias cerâmicas de pequeno porte é um
bom exemplo: os técnicos do CTGás desenvolveram um protótipo, que
está sendo testado em uma cerâmica instalada em Macaíba / RN, com
capacidade para seis mil tijolos por queima. “Esse segmento é marcado
pela defasagem tecnológica e agressão ao meio ambiente, por isso torna-se
propício ao uso do gás natural”, conta Wellington Penetra, coordenador
da Unidade de Negócios de Assistência Técnica e Tecnológica.
O trabalho desenvolvido é mais uma solução de engenharia financeira
do que uma inovação tecnológica. Contudo há um outro ponto a favor
do gás natural: a agressão ao meio ambiente, uma vez que a utilização
da lenha como combustível tem sido a principal responsável pela desertificação
avançada na região do Seridó. “Essa indústria emprega, só no Rio Grande
do Norte, cerca de sete mil pessoas. Não pode simplesmente ser desarmada,
com uma proibição do uso de lenha. É necessário ter uma solução conjuntural,
e a etapa tecnológica é crucial”, completa Clapp Filho.
Um trabalho semelhante, realizado com sucesso em 22 padarias na cidade
de Natal, está sendo estendido para os Estados de Alagoas e Pernambuco.
O trabalho será realizado em parceria com as distribuidoras estaduais.
Para pequenas e médias empresas, o CTGás vem trabalhando em um projeto
ainda mais arrojado: o desenvolvimento de um sistema de co-geração
de energia para empresas de pequeno porte – com consumo entre 50 kWh
e 300 kWh – que deverá permitir uma redução de custo de aproximadamente
40%, e poderá fornecer refrigeração, energia e água quente.
O primeiro sistema foi instalado no prédio do próprio CTGás, com capacidade
para gerar 375 kW. A água quente gerada pelo motor é enviada a um
chiller de absorção, onde se produz água gelada, para abastecer o
ar-condicionado do prédio. Um sistema supervisório controla 40 sensores
distribuídos desde a queima do gás natural até os painéis de interligação
com a rede da distribuidora local – o sistema serve de referência
para o curso de geração e co-geração de energia a gás, realizado no
centro tecnológico.
Paralelamente, os técnicos do CTGás vêm desenvolvendo um chiller por
compressor que, no lugar do motor elétrico, utiliza um motor veicular
a gás natural, com capacidade de 12 mil BTU’s.
Para o segmento automotivo, o centro tecnológico está desenvolvendo
um compressor de pequeno porte, usado nos postos revendedores – que
deverá custar metade do preço dos aparelhos usados atualmente. Também
para popularizar o uso do GNV, os técnicos do CTGás estudam o desenvolvimento
de uma unidade para abastecimento doméstico. “O usuário poderá abastecer
o seu carro durante a noite, em sua casa”, diz Guido Salvi dos Santos,
Coordenador da Unidade de Relações com o Mercado.
Pesquisas
Instalados com detectores e cromatógrafos, um dos serviços já agendados
será a análise da composição do gás natural de todas as distribuidoras
do país – em dois anos, o CTGás deverá montar um banco com dados sobre
a qualidade do gás distribuído no Brasil. “Serão utilizadas aproximadamente
100 amostras de cada concessionária para fazer uma fotografia da qualidade
do gás natural no Brasil”, conta Alcides Balthar, engenheiro químico
que irá responder pela pesquisa.
Outra pesquisa desenvolvida nos laboratórios do CTGás é o armazenamento
de gás natural dentro das estruturas do carvão mineral. A técnica,
conhecida como gás natural adsorvido, consiste em utilizar carvão
mineral para adsorver as moléculas de gás natural. “O que pode dobrar
o volume de gás em um mesmo tanque, com a mesma pressão”, completa
José Alcides Martins, coordenador da Unidade de Negócios de Pesquisa.
A infra-estrutura do CTGás também permite treinar profissionais ligados
à indústria do gás, como acontece com o laboratório de instrumentação.
Equipado com instrumentos e softwares de controle, o laboratório é
utilizado para treinamento e atualização de técnicos da própria Petrobras
e outras indústrias de processo da região Nordeste.
Empreendimento estratégico
Fruto de um consórcio entre a Petrobras e o Senai / CNI, o CTGás já
se mostra um empreendimento estratégico para a indústria nacional.
O centro tecnológico ingressa num mercado ainda incipiente, mas já
ocupa seu espaço, desenvolvendo tecnologias, contribuindo para a formação
de profissionais, competitividade para as empresas e redução nos impactos
ambientais.
Desde que criaram a entidade, em 1999, a Petrobras e o Senai já investiram
mais de R$ 45 milhões. “O empreendimento é estratégico para um mercado
que tem características particulares no que diz respeito a inovação,
crescimento, economicidade e aspectos ambientais”, avalia Orlando
Clapp.
Um bom termômetro da importância do centro tecnológico é o número
de acessos à sua página na internet: nos últimos seis meses, foram
74 mil visitantes. “É um número muito importante, em função da natureza
da página”.
Entre os serviços oferecidos pela Unidade de Negócios de Informação
– responsável pelo site – está o acesso a bases de dados relativas
ao gás natural, com destaque para o acesso privilegiado ao International
Center for Gás Technology Information – ICGTI. A unidade mantém ainda
um boletim com notícias relacionadas ao setor, que é enviado para
cerca de 1,1 mil usuários, e um sistema de atendimento a questões
relacionadas ao gás. “Nosso sistema de informação atendeu, no primeiro
mês, 60 consultas de pesquisadores, usuários e engenheiros”, conta
Ana Cristina Cavalcanti Tinoco, coordenadora da Unidade. |
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