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MATÉRIA DE CAPA 2
Edição 247 - Abril de 2003
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| Osmose Reversa ou trca iônica? |
Qual a melhor opção quanto o assunto é desmineralização de água?
A resposta pode ser tão complexa quanto maior for o número das variáveis
consideradas. As tecnologias de troca iônica ou osmose reversa têm
suas vantagens dependendo de cada aplicação. O objetivo é eliminar
os sais minerais (cálcio, magnésio, sódio, nitrato, cloreto, sulfato,
sílica etc.) encontrados na água que irá alimentar as caldeiras de
alta-pressão – cuidado que deve ser dobrado quanto à presença de sódio
ou sílica, que podem aderir às paredes da caldeira e tubos, formando
películas isolantes e corrosivas.
As duas tecnologias já são bastante conhecidas pela indústria nacional,
mas a opção por qualquer uma leva em consideração desde a qualidade
da água bruta a ser desmineralizada, até a qualidade que se deseja
atingir.
A membrana de osmose reversa age como uma barreira aos sais dissolvidos
e moléculas inorgânicas. O princípio de operação consiste na aplicação
de uma pressão superior à pressão osmótica, forçando a passagem da
água para o lado da solução diluída. Dessa forma, de um lado obtém-se
água desmineralizada e de outro água com alta concentração de sais.
No caso das resinas de troca iônica, o princípio é passar a água por
colunas de resinas de troca iônica que contêm cargas ativas que podem
ser positivas e/ou negativas. As resinas que contêm cargas negativas
são as catiônicas e removem os cátions presentes nas águas, e as resinas
de cargas positivas são as aniônicas, que removem os ânions. “Num
processo de desmineralização por resinas, para uma vazão de 100 m³/h,
são produzidos, exatamente 100 m³/h de água, observando-se apenas
que uma pequena quantidade desta água pura - da ordem 2 a 5% - poderá
ser consumida posteriormente na regeneração das resinas. Portanto,
o rendimento do processo de desmineralização por resinas pode ser
considerado de 95% a 98% de água tratada. Já o tratamento por membranas
tem eficiência da ordem de 70% a 80%”, explica Bill Wagner, gerente
internacional da divisão de resinas da Rohm and Haas Company.
Por outro lado, um processo de desmineralização não pode ser realizado
continuamente com troca iônica – porque é necessário interromper o
processo para regenerar as resinas. “Esse problema pode ser contornado
com mais colunas em operação: enquanto uma seção de resinas é regenerada,
outras cadeias podem trabalhar”, completa Osmar Cunha, gerente da
divisão de resinas da Rohm and Haas para a América Latina.
E, com um índice de rejeito superior a 20%, a vantagem da osmose reversa
é o efluente com menor índice de salinidade.
Como escolher
O sistema de troca iônica ainda é o mais difundido no meio industrial
– isso devido as características das águas brasileiras, de baixa dureza,
e baixa salinidade total, em média com 100 mg por litro. Já osmose
reversa tem vantagens com águas de alta salinidade e a alta produtividade.
“Desmineralizar a água através de resinas é economicamente mais vantajoso”,
explica Osmar.
Os parâmetros para escolher a tecnologia de desmineralização não se
reduzem ao custo dos equipamentos. O custo de operação, por exemplo,
pode demolir a economia de recursos do projeto. Wagner cita como exemplo
a necessidade de equipamentos para bombear a água – que na osmose
reversa deve ser bombeada a cerca de 15 kgf/cm². “Enquanto no tratamento
por resinas é necessário a pressão da gravidade, para as membranas
há um alto consumo de energia elétrica com motores e bombas”.
Outro ponto é o pré-tratamento: algumas instalações de osmose reversa
não têm apresentado resultado satisfatório por falta de um pré-tratamento
mais apurado para atingir o Índice de Medida de Sedimento – SDI. Após
a floculação, decantação e filtração em areia, às vezes é necessário
passar a água por uma ultra-filtração. “Esse índice é rigoroso, mas
às vezes o usuário envia a água apenas clarificada para alimentar
a osmose – e as membranas têm falhado. Essa água não está de acordo
para a osmose reversa. Para a resina de troca iônica, esse índice
é menos rigoroso”, conta Osmar.
Mas isso não é tudo: a água que vai para as caldeiras de alta pressão,
ainda necessitam de outros inibidores químicos e tratamento adequado
– para evitar a corrosividade. “A desmineralização através de resinas
ou membranas diminui de 100 mg/l para 0,1 mg/l de sais na água desmineralizada.
Só que essas caldeiras consomem grandes volumes de água. Para 200
m³/h, por exemplo, 175,2 kg de sais, por ano, ficariam dentro da caldeira”,
explica Osmar.
Torres de resfriamento
O grande volume de água utilizada em uma unidade petroquímica, no
entanto, vai para a refrigeração. Aí não é necessário a desmineralização,
sendo suficiente apenas o tratamento com produtos químicos para inibir
a corrosão e a incrustação. “Parte da água destinada ao resfriamento
evapora nas torres de resfriamento, e a concentração de sais vai aumentando.
Se não houver um dispersante para esses sais, eles incrustam quando
a água voltar para os trocadores”, comenta André Souza, gerente de
Contas para resinas de troca iônica no Brasil.
O primeiro passo é a clarificação – a remoção de impurezas que vêm
em suspensão na água. Essa corrente é também utilizada nas refinarias
para dessalgar o petróleo. Logo após a água recebe uma adição de sais
de zinco e fósforo que formam uma fina película nos tubos por onde
a água circula, evitando o contato direto com as paredes metálicas
– e a corrosão e ou incrustação.
A maioria das empresas de tratamento de água para refrigeração utiliza
dispersantes que atuam na carga iônica das partículas em suspensão.
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Ed. 247 - Abril de 2003
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