MATÉRIA DE CAPA – Edição 248 - Maio de 2003
Águas profundas - Onshore
Tanque: maior do mundo
O Laboratório de Tecnologia Oceânica da Coppe / UFRJ é mais uma demonstração de que o Brasil detém a liderança quando o assunto é exploração e produção offshore. Batizado como LabOceano, o laboratório possui o maior tanque de ensaios oceânicos do mundo – lembrando uma enorme piscina, o tanque possui 40 metros de comprimento, 30 metros de largura e 25 metros de profundidade, sendo 15 metros na maior parte e mais 10 metros adicionais em seu poço central.

O laboratório custou cerca de R$ 16 milhões – financiados com recursos oriundos dos royalties do petróleo, Finep e Faperj – e servirá para o desenvolvimento de tecnologias para exploração e produção de petróleo em mar. O coordenador-geral da Coppe, Segen Estefen, explicou que no tanque serão colocados modelos reduzidos de plataformas e equipamentos de produção de petróleo para certificar seu desempenho em condições semelhantes às encontradas em águas profundas. Apenas o Marintek – na Noruega e o Marin – na Holanda possuem um tanque similar ao instalado no LabOceano.

Sediado no Parque Tecnológico da Ilha do Fundão, o tanque comporta 23 milhões de litros de água – o maior desafio da construção foi erguer estrutura comparável a um prédio de oito andares, capaz de conter essa quantidade de água.

O tanque é dotado com equipamentos que simulam ondas de até meio metro de altura e ventos de até 12 metros por segundo – em breve também terá geradores de correntes marinhas. São simuladores sofisticados de condições oceânicas, que funcionarão em escala de 1 para 100. Eles permitirão reprodução do comportamento hidrodinâmico encontrado em lâminas d’água superiores a 2 mil metros para as maquetes de plataformas de petróleo. Os ensaios poderão identificar fenômenos oceânicos não previstos pelas companhias, fazer simulações de operações submarinas, além de facilitar a visualização do comportamento do petróleo no mar.

Mas a pesquisa da indústria petrolífera não será a única forma de utilização do tanque: o laboratório também estará disponível para testes de embarcações e simulação de controle ambiental.

Na cerimônia de inauguração do laboratório, realizada no final do mês passado, o presidente Luis Inácio Lula da Silva destacou a economia de dólares que um equipamento como este trará ao País – para fazer testes na Noruega ou na Holanda, a Petrobras gastava entre US$ 15 a US$ 20 mil por dia, enquanto os custos diários para os ensaios no LabOceano estão estimados entre US$ 7,5 mil a US$ 12 mil.

Para a governadora Rosinha Garotinho (RJ), este projeto colocará o Brasil na vanguarda internacional em termos de exploração de seus recursos marítimos e consolidará o Rio de Janeiro não somente como o principal centro de construção naval da América Latina, mas, principalmente, como a nova capital internacional da tecnologia naval e offshore.

O primeiro contrato de utilização do laboratório será feito justamente com a Petrobras, que firmou carta de intenção para utilizar o tanque de 90 e 120 dias por ano. E outras empresas já demonstraram interesse em agendar pesquisas no laboratório.
Ed. 248 - Maio de 2003
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