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Em 2004 a prioridade do Ministério de Minas e Energia será
definir uma política para o gás natural. Desde o segundo
semestre a ANP e o Ministério vêm trabalhando em conjunto
com os players do setor, para definir uma nova política de
gás.
As diretrizes envolvem um novo processo de formação
de preços do insumo, e a estratégia de aproveitamento
das novas reservas, especialmente das descobertas na Bacia de Santos
além do gás importado da Bolívia.
Em setembro, a ANP colocou em consulta pública três
minutas de portarias tratando dos critérios tarifários,
da cessão de capacidade de transporte de gás natural
e do livre acesso aos gasodutos de transporte. Também o Governo
pleiteia junto aos produtores bolivianos uma revisão nos
preços praticados.
A própria Petrobras deverá incluir em seu planejamento
estratégico o Plano de Massificação do Gás.
O primeiro dos projetos será a ampliação da
rede de gasodutos nas regiões Sudeste e Nordeste o
chamado Projeto Malhas, que prevê o investimento de R$ 1 bilhão
na expansão de cerca de 1.000 km das malhas de gasodutos.
A massificação é realmente um novo foco.
No entanto, ainda aguardo para verificar como a nova estratégia
será implementada pelos atores. Por enquanto, falar em massificação
e dedicar a maior parte dos investimentos construindo gasodutos
não me parece muito convergente, avalia o professor
Edmilson dos Santos.
No final do ano a Petrobras propôs às distribuidoras
uma nova estrutura dos preços do gás natural importado
da Bolívia, baseando descontos progressivos nos preços
para cotas adicionais de gás. Com a medida, a Petrobras espera
incentivar o mercado de gás e gerar benefícios econômicos
para toda a cadeia.
Para o professor Edmilson dos Santos, é necessário
uma política industrial para o gás. A redução
do preço do gás sempre contribui para que os atuais
consumidores utilizem mais gás e para a incorporação
de novos consumidores. Contudo, ainda acredito que o preço
do gás é menos relevante. Muito mais interessante
é verificar a evolução dos juros e das linhas
de crédito, verificando o aumento dos investimentos industriais.
Na opinião do professor Edmar de Almeida, da UFRJ, o plano
de massificação não deverá ter grandes
impactos sobre o ritmo de crescimento da demanda de gás no
Brasil em 2004. Este plano, se implementado, tende a ter efeitos
a medio-prazo. Acho que é o setor elétrico que vai
ditar o ritmo de crescimento da demanda no Centro-Sul. Já
o Nordeste encontra problema de oferta para se expandir.
Uma das principais preocupações do governo será
o abastecimento de gás da região Nordeste. Para isso,
está na pauta da Petrobras construir o Gasene gasoduto
de interligação da região Sudeste com o Nordeste.
No final de 2003, com a diminuição dos níveis
dos reservatórios na região Nordeste, o gás
que era utilizado pela Petrobras na reinjeção nos
campos de petróleo e nas fábricas de fertilizantes
da Bahia e de Sergipe foi redirecionado às termelétricas,
como complemento à geração de eletricidade
na região.
O cenário de escassez de oferta ameaça as perspectivas
de demanda da região ao sinalizar para impossibilidade de
atendimento de futuros clientes. Fica evidente, também, que
a utilização de preços, quase uniformes em
todo país, não sinalizam a escassez em sistemas isolados
como o Nordeste. Ao preservarem-se preços artificialmente
baixos, condena-se, no médio prazo, a expansão sustentada
da indústria e os novos investimentos na exploração
e produção na região, avalia Adriano
Pires, do CBIE.
Para o consultor, mesmo em um ambiente de baixo crescimento econômico,
o sistema hídrico não oferece a confiabilidade desejada
e deve ser complementado por termelétricas. A criação
desta complementaridade deve ser baseada na remoção
de obstáculos à expansão das térmicas,
como no caso das tarifas de transmissão de eletricidade,
e na incorporação à tarifa de energia de parte
dos ganhos (investimentos mais eficientes em hidroelétricas
e menor risco de déficit) para o sistema agregado pela geração
térmica.
A participação do gás natural na matriz energética
brasileira aumentou de 3,7%, em 1998, para 7,5%, no ano passado.
Já a participação dos derivados de petróleo
na matriz energética caiu de 46,5% para 43,2% no período.
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