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APetrobras deverá anunciar, a partir de abril, a revisão
do seu planejamento estratégico que virá orientado
pelos desafios trazidos pelas novas descobertas realizadas durante
o ano de 2003.
Ao apresentar para empresários da indústria de base
o planejamento estratégico da empresa, o presidente da Petrobras,
José Eduardo Dutra disse que a revisão não
deve alterar o volume de investimentos estimados para o período
de US$ 34,3 bilhões. O novo plano terá
previsões de investimentos para o período 2004
2008, porém procuramos projetar um horizonte mais longíquo,
até 2015.
Números iniciais dão conta que só em 2004 a
empresa deverá investir um total de US$ 8 bilhões
a maior parte (cerca de US$ 5 bilhões) vai para os
projetos de E&P o que é natural para uma empresa
que tem o segmento como líder de rentabilidade do negócio.
Na opinião de Adriano Pires, do CBIE, a tendência de
diversificação do portfólio da empresa, com
a Petrobras aumentando sua participação na distribuição
de GLP e na petroquímica, poderá reduzir o foco da
empresa do segmento de E&P e gerar custos em áreas de
pouco domínio. Numa perspectiva mais ampla, a diversificação
das atividades da Petrobras, aliada a um possível desinteresse
privado no segmento de E&P, poderá conduzir o país
a um cenário de investimentos declinantes, menores descobertas
e maior dependência do petróleo importado, indo na
contra-mão da sonhada auto-suficiência.
Uma das prioridades da revisão do planejamento estratégico
será readequar o portfólio de investimentos, priorizando
as recentes descobertas de óleo leve e gás natural.
Até 2007, a empresa deverá concluir 13 projetos de
desenvolvimento da produção na Bacia de Campos. Vamos
implantar esses projetos, que vão viabilizar a meta, para
2007, de produzir no país 2.220 milhões de barris
por dia.
Já em 2004, três novos projetos devem iniciar a produção:
o módulo complementar de Marlim Sul, a P-50 no campo de Albacora
Leste, e as FPSOs P-43 e P-48, nos campos de Barracuda e Caratinga.
Só esses dois últimos campos deverão aumentar
a produção diária da
Petrobras em 300 mil barris e 12 milhões de m³ de gás.
Dos 54 poços, 32 serão produtores e 22 injetores
sendo 34 interligados à P-43 e 20 à P-48.
As duas plataformas devem ser instaladas no final do ano. A P-43
está recebendo os módulos de processamento no Estaleiro
Mauá. A unidade, capaz de produzir 150 mil barris/dia de
petróleo e 6 milhões de m³ diários de
gás, foi construída em Cingapura, pela Kellog Brown
& Root, do grupo Halliburton. A KBR também é responsável
pela construção da P-43, que está sendo construída
no estaleiro Fels Setal.
Também no final do ano deve entrar em operação
a P-50, no campo de Albacora Leste. Atualmente em fase de conversão
no estaleiro Jurong, em Cingapura, a plataforma terá capacidade
de produzir 180 mil barris e 6 milhões de m³ de gás
por dia, além de estocar 2 milhões de barris
pico que será atingido em 2007. Estará interligada
a 18 poços produtores e 11 injetores.
Com a entrada dessas plataformas, a Petrobras deve atingir a produção
de 1,9 milhão barris por dia. Mas como essas unidades só
começam a produzir no final do ano, a produção
média deve chegar a 1,6 milhão.
No primeiro semestre de 2004 a Petrobras estará colocando
em operação o FPSO Marlim Sul unidade que irá
integrar o Módulo 1 do campo. Serão quatro novos poços
conectados, o que deve aumentar a produção do campo
para 280 mil barris diários. A unidade, com capacidade de
produção de 100 mil barris por dia, está sendo
convertida em Cingapura, pela SBM.
O campo também receberá a P-47, que irá tratar
150 mil barris do óleo. A FSO está sendo convertida
em FPSO e recebendo duas plantas de tratamento pela Ultratec
Isso será apenas o início de uma fase de grandes obras
a partir de 2004 a Petrobras inicia a construção
de mais seis plataformas (P-51, P-53 e P-54, P-55, P-56 e P-34).
O casco da P-52 já está em construção
no estaleiro Fels Setal, enquanto a empresa analisa a construção
da P-51 que o Governo do Rio quer garantir a construção
nos estaleiros do Estado.
Refino e gás natural
A revisão do planejamento estratégico também
deverá contemplar a questão da nova refinaria de petróleo
a ser construída no País. A Petrobras vem aprofundando
os estudos sobre o empreendimento, e deverá decidir sobre
a construção no próximo ano para que
a unidade esteja pronta até 2007, período em que,
pelas contas da empresa, a demanda deverá ocupar toda a capacidade
instalada.
O estudo sobre a localização da refinaria deve entrar
na fase final no primeior trimestre de 2004, quando restarem apenas
os dois estados que apresentarem a melhor opção para
os investidores.
Enquanto isso, a companhia toca o plano de modernização
das suas refinarias projeto de US$ 5,5 bilhões investidos
entre 2003 e 2007.
Em 2004 entrarão em operação as Unidades de
Hidrotratamento de Diesel da Reduc, Regap, Refap e Replan. No final
do ano, também entra em operação a nova unidade
de RFCC, na Refap e também a nova Unidade de Coque da Replan.
No segmento de gás, o desafio é viabilizar o crescimento
da demanda. Por isso a Petrobras incluirá na revisão
de seu planejamento o Plano de Massificação do Gás
que prevê uma participação de 15% do
insumo na matriz energética.
Uma das premissas é a interligação da região
Sudeste com o Nordeste através do Gasene um gasoduto
com 900 quilômetros e investimentos estimados em US$ 1 bilhão.
O Gasene poderá evitar problemas como os ocorridos no final
do ano, quando, diante da diminuição dos níveis
dos reservatórios no Nordeste, a Petrobras teve que reduzir
a reinjeção de gás nos campos de exploração
de petróleo e diminuir o suprimento das duas fábricas
de fertilizantes, redirecionando o gás para as usinas termelétricas
instaladas na região.
O consumo crescente também viabilizaria a produção
das reservas descobertas em Santos.
Internacional
Durante a viagem presidencial ao Oriente Médio, José
Eduardo Dutra, se reuniu com executivos de empresas petroleiras
e membros dos governos dos Emirados Árabes e do Egito, para
negociar relações comerciais e parceria em investimentos.
Nos Emirados Árabes, Dutra manteve reuniões com os
diretores de duas empresas e com o ministro do petróleo.
Posteriormente, dois gerentes da Petrobras se reuniram com
os técnicos do Ministério do Petróleo dos Emirados
Árabes, onde fizeram exposição sobre nossa
carteira de projetos. Eles demonstraram interesse em investir na
área de gasodutos no Brasil, informou o presidente
da Petrobras.
Os gerentes da Petrobras se comprometeram a enviar mais detalhes
sobre os projetos. Foi o pontapé inicial, disse
Dutra, vislumbrando a possibilidade de parcerias.
Outra reunião do presidente da Petrobras ocorreu com o presidente
da egípcia EGPC com a qual a Petrobras tem interesse
em intensificar a compra de nafta e diesel. O presidente da
EGPC nos disse que gostaria de ver a participação
da Petrobras na próxima licitação de áreas
para exploração e produção, que acontece
em março.
A empresa egípcia se comprometeu a enviar os prospectos para
a companhia brasileira. A Petrobras vai analisar e verificar
se tem interesse de participar, à luz dos dados que vamos
receber.
Na Líbia, o encontro reuniu gerentes da Petrobras com gerentes
da empresa estatal Líbia - o país poderá abrir
concessões, para empresas estrangeiras, para trabalhos de
recuperação de produção de campos maduros.
A Líbia já produziu mais de 3 milhões
de barris de petróleo na década de 70. Hoje produz
1,4 milhão e têm interesse em agregar tecnologia internacional
para aumentar a produção desses campos antigos
que é uma área que a Petrobras tem interesse,
disse Dutra.
A companhia ainda aguarda o desfecho dos entendimentos com o Irã
para exploração de petróleo e
com a Arábia Saudita para explorar um campo de gás
natural. Nos dois, a Petrobras disputa um contrato de serviços
múltiplos semelhante aos vencidos recentemente no
México no qual explora e produz o combustível
e o país se compromete a comprar a produção.
A maior presença no exterior, segundo o presidente da companhia,
aumenta as possibilidades de captações no mercado
internacional e possibilita a geração de fluxo de
caixa em moeda forte.
Para fazer a produção no exterior saltar de 244 mil
barris por dia para 500 mil barris até 2007 e fazer com que
a área internacional responda por 19% da geração
de caixa da empresa, a Petrobras investirá US$ 5,1 bilhões
nos últimos 10 anos, a empresa investiu US$ 3,8 bilhões
no exterior.
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