MATÉRIA DE CAPA – Edição 255 - Dezembro de 2003
Petrobras revisa planejamento estratégico 

APetrobras deverá anunciar, a partir de abril, a revisão do seu planejamento estratégico – que virá orientado pelos desafios trazidos pelas novas descobertas realizadas durante o ano de 2003.
Ao apresentar para empresários da indústria de base o planejamento estratégico da empresa, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra disse que a revisão não deve alterar o volume de investimentos estimados para o período – de US$ 34,3 bilhões. “O novo plano terá previsões de investimentos para o período 2004 – 2008, porém procuramos projetar um horizonte mais longíquo, até 2015”.

Números iniciais dão conta que só em 2004 a empresa deverá investir um total de US$ 8 bilhões – a maior parte (cerca de US$ 5 bilhões) vai para os projetos de E&P – o que é natural para uma empresa que tem o segmento como líder de rentabilidade do negócio.
Na opinião de Adriano Pires, do CBIE, a tendência de diversificação do portfólio da empresa, com a Petrobras aumentando sua participação na distribuição de GLP e na petroquímica, poderá reduzir o foco da empresa do segmento de E&P e gerar custos em áreas de pouco domínio. “Numa perspectiva mais ampla, a diversificação das atividades da Petrobras, aliada a um possível desinteresse privado no segmento de E&P, poderá conduzir o país a um cenário de investimentos declinantes, menores descobertas e maior dependência do petróleo importado, indo na contra-mão da sonhada auto-suficiência”.

Uma das prioridades da revisão do planejamento estratégico será readequar o portfólio de investimentos, priorizando as recentes descobertas de óleo leve e gás natural.

Até 2007, a empresa deverá concluir 13 projetos de desenvolvimento da produção na Bacia de Campos. “Vamos implantar esses projetos, que vão viabilizar a meta, para 2007, de produzir no país 2.220 milhões de barris por dia”.

Já em 2004, três novos projetos devem iniciar a produção: o módulo complementar de Marlim Sul, a P-50 no campo de Albacora Leste, e as FPSOs P-43 e P-48, nos campos de Barracuda e Caratinga.
Só esses dois últimos campos deverão aumentar a produção diária da

Petrobras em 300 mil barris e 12 milhões de m³ de gás. Dos 54 poços, 32 serão produtores e 22 injetores – sendo 34 interligados à P-43 e 20 à P-48.

As duas plataformas devem ser instaladas no final do ano. A P-43 está recebendo os módulos de processamento no Estaleiro Mauá. A unidade, capaz de produzir 150 mil barris/dia de petróleo e 6 milhões de m³ diários de gás, foi construída em Cingapura, pela Kellog Brown & Root, do grupo Halliburton. A KBR também é responsável pela construção da P-43, que está sendo construída no estaleiro Fels Setal.
Também no final do ano deve entrar em operação a P-50, no campo de Albacora Leste. Atualmente em fase de conversão no estaleiro Jurong, em Cingapura, a plataforma terá capacidade de produzir 180 mil barris e 6 milhões de m³ de gás por dia, além de estocar 2 milhões de barris – pico que será atingido em 2007. Estará interligada a 18 poços produtores e 11 injetores.

Com a entrada dessas plataformas, a Petrobras deve atingir a produção de 1,9 milhão barris por dia. Mas como essas unidades só começam a produzir no final do ano, a produção média deve chegar a 1,6 milhão.

No primeiro semestre de 2004 a Petrobras estará colocando em operação o FPSO Marlim Sul – unidade que irá integrar o Módulo 1 do campo. Serão quatro novos poços conectados, o que deve aumentar a produção do campo para 280 mil barris diários. A unidade, com capacidade de produção de 100 mil barris por dia, está sendo convertida em Cingapura, pela SBM.

O campo também receberá a P-47, que irá tratar 150 mil barris do óleo. A FSO está sendo convertida em FPSO e recebendo duas plantas de tratamento pela Ultratec

Isso será apenas o início de uma fase de grandes obras – a partir de 2004 a Petrobras inicia a construção de mais seis plataformas (P-51, P-53 e P-54, P-55, P-56 e P-34). O casco da P-52 já está em construção no estaleiro Fels Setal, enquanto a empresa analisa a construção da P-51 – que o Governo do Rio quer garantir a construção nos estaleiros do Estado.

Refino e gás natural

A revisão do planejamento estratégico também deverá contemplar a questão da nova refinaria de petróleo a ser construída no País. A Petrobras vem aprofundando os estudos sobre o empreendimento, e deverá decidir sobre a construção no próximo ano – para que a unidade esteja pronta até 2007, período em que, pelas contas da empresa, a demanda deverá ocupar toda a capacidade instalada.

O estudo sobre a localização da refinaria deve entrar na fase final no primeior trimestre de 2004, quando restarem apenas os dois estados que apresentarem a melhor opção para os investidores.

Enquanto isso, a companhia toca o plano de modernização das suas refinarias – projeto de US$ 5,5 bilhões investidos entre 2003 e 2007.
Em 2004 entrarão em operação as Unidades de Hidrotratamento de Diesel da Reduc, Regap, Refap e Replan. No final do ano, também entra em operação a nova unidade de RFCC, na Refap e também a nova Unidade de Coque da Replan.

No segmento de gás, o desafio é viabilizar o crescimento da demanda. Por isso a Petrobras incluirá na revisão de seu planejamento o Plano de Massificação do Gás – que prevê uma participação de 15% do insumo na matriz energética.

Uma das premissas é a interligação da região Sudeste com o Nordeste através do Gasene – um gasoduto com 900 quilômetros e investimentos estimados em US$ 1 bilhão. O Gasene poderá evitar problemas como os ocorridos no final do ano, quando, diante da diminuição dos níveis dos reservatórios no Nordeste, a Petrobras teve que reduzir a reinjeção de gás nos campos de exploração de petróleo e diminuir o suprimento das duas fábricas de fertilizantes, redirecionando o gás para as usinas termelétricas instaladas na região.

O consumo crescente também viabilizaria a produção das reservas descobertas em Santos.

Internacional

Durante a viagem presidencial ao Oriente Médio, José Eduardo Dutra, se reuniu com executivos de empresas petroleiras e membros dos governos dos Emirados Árabes e do Egito, para negociar relações comerciais e parceria em investimentos.

Nos Emirados Árabes, Dutra manteve reuniões com os diretores de duas empresas e com o ministro do petróleo. “Posteriormente, dois gerentes da Petrobras se reuniram com os técnicos do Ministério do Petróleo dos Emirados Árabes, onde fizeram exposição sobre nossa carteira de projetos. Eles demonstraram interesse em investir na área de gasodutos no Brasil”, informou o presidente da Petrobras.

Os gerentes da Petrobras se comprometeram a enviar mais detalhes sobre os projetos. “Foi o pontapé inicial”, disse Dutra, vislumbrando a possibilidade de parcerias.

Outra reunião do presidente da Petrobras ocorreu com o presidente da egípcia EGPC – com a qual a Petrobras tem interesse em intensificar a compra de nafta e diesel. “O presidente da EGPC nos disse que gostaria de ver a participação da Petrobras na próxima licitação de áreas para exploração e produção, que acontece em março”.

A empresa egípcia se comprometeu a enviar os prospectos para a companhia brasileira. “A Petrobras vai analisar e verificar se tem interesse de participar, à luz dos dados que vamos receber”.
Na Líbia, o encontro reuniu gerentes da Petrobras com gerentes da empresa estatal Líbia - o país poderá abrir concessões, para empresas estrangeiras, para trabalhos de recuperação de produção de campos maduros. “A Líbia já produziu mais de 3 milhões de barris de petróleo na década de 70. Hoje produz 1,4 milhão e têm interesse em agregar tecnologia internacional para aumentar a produção desses campos antigos – que é uma área que a Petrobras tem interesse”, disse Dutra.

A companhia ainda aguarda o desfecho dos entendimentos com o Irã – para exploração de petróleo – e com a Arábia Saudita – para explorar um campo de gás natural. Nos dois, a Petrobras disputa um contrato de serviços múltiplos – semelhante aos vencidos recentemente no México – no qual explora e produz o combustível e o país se compromete a comprar a produção. A maior presença no exterior, segundo o presidente da companhia, aumenta as possibilidades de captações no mercado internacional e possibilita a geração de fluxo de caixa em moeda forte.

Para fazer a produção no exterior saltar de 244 mil barris por dia para 500 mil barris até 2007 e fazer com que a área internacional responda por 19% da geração de caixa da empresa, a Petrobras investirá US$ 5,1 bilhões – nos últimos 10 anos, a empresa investiu US$ 3,8 bilhões no exterior.

Leia mais:

Operadoras deverão investir US$ 1,2 bi em 2004
Expansão do uso do gás será prioridade
Demanda anima indústria nacional
Petroquímica aposta no crescimento do consumo
Edição Impressa 255
Assine já!
NA EDIÇÃO IMPRESSA
Petroflex investye em automação

Petro Química recebe Prêmio Abimaq de Jornalismo

Congresso Rio Automação 2003 discute tendências para o setor

Encontro reúne especialistas em prevenção de explosões

Expansão do gás na matriz abre oportunidades para a indústria nacional

Petrobras assina contrato para construção da P-52

Petrobras propõe nova estrutura de proços para gás boliviano

Adbib homanageia 50º anoversário da Petrobras

Export Plastic: já concretizado, programa deve ampliar exportação de plásticos transformados

E muito mais...

Todos os direitos reservados a Valete Editora Técnica Comercial Ltda. Tel.: (11) 6292-1838