|
MATÉRIA DE CAPA Edição
255 - Dezembro de 2003
|
| A aposta na recuperação |
|
|
A indústria de petróleo e gás acelera
o ritmo de investimentos. Demanda deve aquecer o setor de máquinas
e equipamentos motivados agora pela criação do
Prominp.
Em meio a sinais de recuperação da economia, setor petroquímico
se prepara para o ciclo de alta. |
|
Os índices apresentados pela economia no final do ano criaram
um clima de otimismo com relação a 2004. Desconfianças
à parte, desta vez o cenário de recuperação
inclui melhoria do Risco Brasil, inflação controlada
e expansão da economia mundial.
A economia brasileira está, desde setembro, entrando
num ciclo de expansão. O setor externo mostra a melhoria
do risco. E os preços de ativos andaram muito na frente dos
indicadores econômicos, já projetando um 2004 bem melhor
do que foi 2003, pondera o economista chefe do Banco ABN-Amro,
Mario Mesquita. O economista falou a executivos do setor químico
durante o no 8º Encontro Anual da Indústria Química.
Depois de sucessivas oscilações na economia
tanto externa quanto interna as empresas brasileiras já
encontram mais facilidade para captar recursos no mercado externo.
O chamado Risco Brasil recuou aos níveis de antes da Crise
da Ásia, em 1997, e os títulos da dívida externa
são negociados a quase 100% dos preços de face.
Internacionalmente, a oferta de crédito e o fluxo de capital
privado voltaram a níveis históricos de alta.
É bem verdade que a recessão que a economia brasileira
vinha atravessando desde o segundo semestre do ano 2002 era tão
incômoda, que apenas tirar o bode da sala já
será um grande alívio. 2003 iniciou em meio a um risco
de inflação em dois dígitos, e chega ao final
do ano com a inflação controlada após
uma severa política monetária mantida pelo Governo
para segurar as taxas de juros em alta, que como conseqüência
provocou a estagnação da economia. O governo
provocou uma desaceleração, mas trouxe a inflação
para baixo, conta o economista.
Os problemas não acabaram: o desemprego continua em dois
dígitos e o salário real ainda não se recuperou
de suas perdas. Só para recuperar as perdas dos últimos
anos, o salto nos investimentos deveria ser de dois dígitos.
Mas os sinais são animadores: a produção industrial
que atende ao setor de bens duráveis já mostra uma
tendência ascendente. As perspectivas de inflação
dão sinais de queda o que criam um clima propício
para a equipe econômica rever as taxas de juros.
Outro sinal positivo é o crescimento entre os parceiros comerciais
do Brasil. O crescimento exuberante da economia americana
puxa a zona do Euro e o Japão. Nesse ambiente, mesmo que
o real continue relativamente forte, os mercados para nossas exportações
vão estar crescendo e isso vai minimizar a redução
do superávit comercial que devemos observar no ano que vem,
avalia Mesquita.
As exportações atingiram índices recordes em
2003 motivadas pelo desaquecimento na demanda interna e ajudados
pelo câmbio. Um aumento da demanda interna, com um real mais
valorizado, cria um agradável inconveniente para
a indústria nacional: equalizar as exportações
com o consumo interno.
Entre os fabricantes de máquinas e equipamentos, as perspectivas
são otimistas, com um crescimento no número de consultas.
O economista do ABN-Amro projeta um crescimento real do PIB da ordem
de 4,1% para 2004, com uma inflação controlada em
5% e a taxa de desemprego caindo para 10%. A demanda doméstica
puxa a economia em 2004, embora o setor externo ainda ajude. O consumo
de bens duráveis já está crescendo eventualmente
com a recuperação da renda, cresce também o
consumo de bens não-duráveis.
O cenário não difere muito das perspectivas traçadas
no inicio do ano 2000. Só que desta vez o país está
mais imune a efeitos colaterais causados por crises internacionais:
há quatro anos, o déficit em conta corrente era de
4% do PIB com um número desse, uma recuperação
econômica fica muito vulnerável a qualquer crise no
mercado internacional e, como algumas crises acabaram acontecendo
desde então, a recuperação econômica
acabou abortada. Agora, a diferença é que o saldo
em conta corrente de 2003 deve terminar com 0,6% do PIB. Esse
número é talvez o mais alvissareiro no que diz respeito
a possível longevidade da recuperação, que
na verdade já teve início esse ano e deve se consolidar
no ano de 2004.
Para o economista, o desafio é estabelecer condições
que permitam ao país o crescimento sustentável, através
de várias medidas que incentivem o comércio exterior
o que passa por negociações comerciais internacionais
e o aumento dos investimentos o que significa política
industrial e marcos regulatórios.
|
Preços do petróleo não
devem sofrer
alterações significativas
|
Como se comportarão os preços do petróleo?
Quem apostar numa queda no preço do barril poderá acabar
o ano frustrado. Não tanto pelas ameaças de terrorismo,
mas mais porque a retomada da economia mundial deve aumentar ainda
mais a demanda.
A instabilidade gerada pela Guerra do Iraque e pelos conflitos na
Nigéria e na Venezuela foi o principal motivo da forte valorização
nos preços do petróleo em 2003. O preço médio
do barril Brent foi de US$ 28,48 14% maior do que em 2002.
E os países-membros da Opep passaram o ano ameaçando
cortar produção sempre que os preços caiam abaixo
dos US$ 27 apesar de terem estabelecido um intervalo de US$
22 a US$ 28 para o preço do barril.
Especialistas consultados pela Petro & Química não
acreditam em grandes alterações nos preços do
petróleo em 2004. Para o professor Edmilson Moutinho, do Instituto
de Eletrotécnica e Energia da USP, os preços internacionais
do petróleo não devem sofrer grandes alterações
em 2004. A maior produção na Rússia e no
Iraque deve ser compensada por redução de quotas nos
demais países Opep e pelo aumento da demanda no caso de recuperação
da economia mundial.
Mesmo assim, o Iraque não deverá ter um papel relevante
no fornecimento isso porque ainda precisará de alguns
investimentos para retomar a produtividade. Os preços
continuarão altos em função da retomada do crescimento
da economia mundial e da instabilidade política no Oriente
Médio. Não acredito que o Iraque possa ter um papel
relevante. A indústria de petróleo do país está
sucateada e as condições políticas não
permitem que haja investimentos para aumentar a produção
de forma relevante. A Rússia tende a ganhar mercado, mas não
tem interesse em derrubar os preços, avalia o professor
Edmar de Almeida, do Instituto de Economia da URFJ.
O risco de uma oscilação maior reside nas ameaças
de terrorismo. Fora isso, a relação oferta / demanda
será marcada pela tentativa de controle por parte dos países
da Opep e pela produção maior dos países não
submetidos ao cartel.
Em novembro, a Opep fixou o teto de produção de 24,5
milhões de barris diários para os países membros
a produção real dos países, no entanto,
ultrapassa a cota estabelecida em 1,6 milhão de barris diários.
Mas, mesmo com os preços altos, os membros da organização
não têm demonstrado vontade em ampliar a produção
para segurar a alta nos preços um dos argumentos que
a Opep vem defendendo para manter os preços em alta é
a perda de valor do dólar frente ao euro. Além disso,
preços altos viabilizam uma série de atividades de exploração
e produção principalmente as que detém
maiores desafios tecnológicos, como os óleos pesados
e nas águas profundas.
O consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura,
no entanto, não crê numa expressiva alta nos preços.
Na ausência de um agravamento nas condições
de segurança no Oriente Médio e de novas ameaças
à ordem institucional na Venezuela, a tendência é
que o preço médio do petróleo WTI fique abaixo
de US$ 30 o barril em 2004. O cenário mais provável
é de um preço situado entre US$ 25 e US$ 27, dentro
do intervalo de US$ 22 a US$ 28/barril estabelecido pela Opep.
Os preços do gás, que também andaram em alta
em 2003, devem apresentar uma ligeira queda em 2004. Mesmo assim,
com a queda na produção interna nos EUA e no Canadá,
e projetos para importação de GNL ainda não concluídos,
os preços devem se manter acima dos US$ 4.
No Brasil, quem mais deverá ter suas margens comprimidas são
as refinarias. A história já aconteceu em 2002: de olho
nas eleições, o Governo passou um longo período
sem reajustar os preços dos derivados e as refinarias
Ipiranga e Manguinhos viram seus lucros mais ameaçados do que
nunca.
Além dos altos preços, a Cide deve sofrer um reajuste,
no âmbito da Reforma Tributária. Com esse reajuste, o
Comitê de Política Monetária Copom
estima uma alta de 9,5% para os preços da gasolina em 2004.
Com as eleições municipais de 2004, entretanto,
há a possibilidade de que pressões políticas
forcem uma redução do preço do diesel, o que
afetaria diretamente as tarifas de transporte urbano com um efeito
positivo para a popularidade dos candidatos petistas. Esta pressão
seria maior caso a retomada do crescimento econômico e do nível
de emprego no primeiro trimestre de 2004 fique abaixo do esperado,
explica Adriano Pires.
|
Leia mais:
Petrobras revisa planejamento estratégico
Operadoras deverão investir US$ 1,2
bi em 2004
Expansão do uso do gás será
prioridade
Demanda anima indústria nacional
Petroquímica aposta no crescimento
do consumo |
|
|
Edição Impressa 255
|
|
|
|
NA EDIÇÃO IMPRESSA
|
|
Petroflex investye em automação
Petro Química recebe Prêmio Abimaq de Jornalismo
Congresso Rio Automação 2003 discute tendências
para o setor
Encontro reúne especialistas em prevenção de
explosões
Expansão do gás na matriz abre oportunidades para
a indústria nacional
Petrobras assina contrato para construção da P-52
Petrobras propõe nova estrutura de proços para gás
boliviano
Adbib homanageia 50º anoversário da Petrobras
Export Plastic: já concretizado, programa deve ampliar exportação
de plásticos transformados
E muito mais...
|
|